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Está a ver este senhor? É treinador da equipa que fez a coisa mais espetacular do fim de semana (fora o futebol, claro)

Como o futebol nos deu um fim de semana cheio - Liga dos Campeões, seleção nacional, Mundial de sub-20, futebol feminino -, estes são os destaques do que aconteceu no resto do mundo desportivo. E o senhor que aparece na foto é Raúl González, treinador do Vardar, novo e inesperado campeão europeu de andebol, que é capaz de ter feito a coisa mais espetacular do fim de semana

Diogo Pombo

Este senhor chama-se Raúl González e treina a equipa que, fora do futebol, é capaz de ter feito a coisa mais espetacular deste fim de semana

INA FASSBENDER

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1. Foi melhor, Cavs, mas ainda não chegou

A mesma final dos últimos três anos, as mesmas equipas, quase os mesmos protagonistas. Há quem diga que a NBA está a perder a piada e muito boa gente não achou piada alguma quando Kevin Durant, no início da época, se mudou dos Oklahoma City Thunder para os Golden State Warriors - para a equipa dominante que, assim, mais dominadora ficou por ter tipos como ele, que na madrugada desta segunda-feira até nem foi o melhor da sua equipa, como o fora quatro dias antes.

Durant marcou 33 pontos, conseguiu 13 ressaltos e fez seis assistências e os Warriors venceram o Jogo 2 da final da NBA. Sim, mas o líder da pandilha foi Stephen Curry, o viciado mais que conhecido em triplos e lançamentos em qualquer parte do campo, que elevou a fasquia com um triplo duplo (32-11-10). De nada valeu o de LeBron James (29-14-11), o grandalhão que já afundou e levou gente à frente mais vezes, embora as insuficientes para o resultado ser outro - um 132-113 para os Warriors que os deixa com uma vantagem de 2-0 sobre os Cavaliers.

Os próximos dois jogos da série serão em Cleveland e, caso vença ambos, a equipa de Oakland pode enfiar um novo anel da NBA nas mãos. Porém, cuidado, pois o ano passado chegou a estar a vencer por 3-1 e deixou os Cavaliers darem a volta.

Ezra Shaw

2. Fiji acabou para Frederico Morais

Não é uma lugar qualquer. Tavarua é uma ilha nas Fiji, em forma de coração, que tem uma onda ainda mais especial do que o lugar onde se encontra. Cloudbreak quebra a quilómetros da costa, bem lá fora, por cima de um recife de coral onde os surfistas, as pranchas, os fotógrafos, as câmaras e tudo mais, chegam através de barco. Ali, na sala de estar das ondas, montou-se um palanque sobre o coral, onde só há lugar para os juízes.

É por tudo isto que se trata de uma das etapas do circuito mundial de surf não tem público (a outra em Teahupo’o, na Polinésia francesa). Mas está num sítio bonito que se farta.

Foi lá que Frederico Morais se ficou pela terceira ronda, ao perder com Julian Wilson no meio de ondas grandes e épicas, coisas que o australiano já experimentou muito mais vezes do que o português, em Fiji. O surfista de Cascais terminou a prova no 13º lugar, que o deverá manter a meio da classificação do circuito - estava em 18º de uma lista de 32 antes desta quinta etapa.

Kelly Cestari

3. Djokovic e Nadal, um a oscilar, o outro a embalar

Quando se pensa, fala ou se escreve sobre a vida que Rafael Nadal leva em terra batida, há que ter em conta um número: 94,7%. É a percentagem de vitórias do espanhol quando o pó de tijolo lhe suja os ténis e as meias. Resumindo, ele é o melhor na superfície que abranda a bola e prolonga os pontos, e demonstrou-o, outra vez, contra Nikoloz Basilashvili, nome do georgiano que está no 63º lugar do ranking e que derrotou por 6-0, 6-1 e 6-0. Três sets quase limpos, um atropelamento e passagem com via verde para os oitavos-de-final de Roland Garros.

Bem diferente do buracos que pisou, do motor meio gripado e das paragens portagem que Novak Djokovic teve. O sérvio, que tem andado com a mente à margem do ténis e desconcentrado da forma que fez dele o tenista mais mandão dos últimos dois anos, sofreu para bater Diego Schwartzman. O argentino ganhou-lhe dois sets, expôs Djokovic a erros contra os quais, em tempos, parecia ter imunidade, e pô-lo a discutir com ele próprio. No final, o sérvio venceu em cinco sets, mas após muito mais esforços e maiores dificuldades do que seria de esperar contra o 41º classificado do ranking.

Se tivéssemos uma faca encostada ao pescoço, com alguém a obrigar-nos a por todo o nosso dinheiro num tenista, para ganhar Roland Garros no ano em que Roger Federer decidiu vê-lo a partir do sofá, as poupanças iriam todas para um destes tenistas. É preciso escrevermos qual?

Clive Brunskill

4. Os pequenos a ganharem aos grandes no andebol

Para facilitar este contexto, olhem para o Paris Saint-Germain no mundo da bola pequena que se joga com as mãos, da mesma forma como veem o PSG do futebol - é uma equipa milionária, cheia de estrelas, com tanto dinheiro e tanto bom jogador que, no mínimo, dela se espera que chegue às decisões de todos os títulos que tem para conquistar.

E os franceses chegaram, no domingo, à final da Liga dos Campeões de andebol, com tipos como Nikola Karabatic, eleito por três vezes o melhor jogador do mundo, Luc Abalo, Daniel Narcisse ou Mikkel Hansen. Com estes e outros nomes, o normal seria vê-los a conquistarem o troféu em que nunca tocaram. Sobretudo porque, do outro lado, estava o Vardar, vindo de Skopje, na Macedónia, equipa que nunca chegara à final four da maior competição europeia.

Eles, que não são uns coitadinhos e têm jogadores também bons, fizeram uma surpresa. Ganharam, e ganharam num estilo que nos faz pensar num dos porquês de o desporto ser uma coisa espetacular, que nos faz acreditar em milagres e impossíveis - na última jogada da final, quando restavam sete segundos por jogar, o Vardar marcou o golo que evitou o prolongamento.

5. Os British and Irish Lions já jogaram

É uma seleção dos melhores jogadores de Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda, apenas se junta a cada quatro anos e, quando isso acontece, faz uma digressão por um dos países do râguebi do hemisfério sul. É uma ocasião especial para toda a gente, pois se raro é jogar nela, ainda mais raro jogar contra ela.

A digressão de quase um mês pela Nova Zelândia, o país que bem podia ser oval, pelo amor e dedicação que os cerca de três milhões de habitantes têm com a missão de dominar o râguebi no planeta, começou no sábado. Os Lions venceram (13-7) os New Zealand Barbarians.

Na madrugada de terça-feira jogam contra os Auckland Blues, uma das melhores equipas do país. Só daqui a umas semanas arrancarão com a série de três jogos contra os All Blacks. Que são os que, verdadeiramente, interessam.