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Um Tour acidentado, um belga de milhões, Bottas em altas e a relva em baixa (o fim de semana foi assim)

É fim de semana mas nem por isso o mercado pára e há 85 milhões de euros e um Lukaku a voar entre Liverpool e Manchester. Mais dramático tem sido o Tour, com mais ossos partidos que emoção na frente, enquanto em Wimbledon, mais que o ténis propriamente dito, é o tapete que preocupa. Tapete de asfalto que foi simpático este domingo para Valtteri Bottas, o novo candidato ao título da Fórmula 1. Com ainda pouca velocidade está o futebol: o Sporting fez o primeiro jogo à porta aberta, mas não conseguiu mais que um empate

Lídia Paralta Gomes

PHILIPPE LOPEZ/Getty

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1. Lukaku e um “empresário” chamado Pogba

De Liverpool a Manchester são 60 quilómetros e 85 milhões de euros, quantia simples e pouco expressiva que o United vai pagar ao Everton por Romelu Lukaku (mais Wayne Rooney como laçarote em cima do presente).

José Mourinho recebe assim o goleador que se tornou essencial após a devastadora lesão de Zlatan Ibrahimovic, voltando a trabalhar com o avançado que, ao contrário do que muita gente pensa e diz, não dispensou do Chelsea - Lukaku queria jogar com mais frequência e pediu para sair. No Everton, o belga de 24 anos marcou 87 golos em 166 jogos.

“O Mourinho é um tipo com quem quero trabalhar desde os 10 anos. Por isso é fantástico ter de novo esta oportunidade. Temos mantido contacto e ele explicou-me como é o clube e aquilo que espera de mim. As circunstâncias eram muito diferentes quando trabalhámos juntos no Chelsea. Eu era muito novo quando o conheci, estava desesperado por jogar e ele entendeu quando pedi para sair. Agora tenho 24 anos e sou um adulto”, revelou Lukaku à ESPN.

O belga assim como quem está a contar os milhões que vale

O belga assim como quem está a contar os milhões que vale

Dean Mouhtaropoulos/Getty

O Manchester United pode agradecer também a Paul Pogba a decisão final de Lukaku, que o Chelsea queria de volta em Stamford Bridge. “Falo com o Pogba há sete ou oito anos. E ele agora vive em Manchester, tal como eu. Vivemos na mesma rua, assim que estamos juntos basicamente todos os dias. Ele contou-me como é que as coisas estavam a correr no United e aquilo mexeu com a minha cabeça. Quando a oportunidade chegou, não pensei sequer duas vezes. Estou muito entusiasmado”, disse o belga na mesma entrevista.

Depois disto, Pogba talvez mereça uma comissãozinha.

2. Tour: Froome de amarelo, Porte e Thomas no hospital

Uma semana de Volta a França e já tanto para contar. Se durante os primeiros dias a prova-rainha do ciclismo internacional tinha ficado sem Alejandro Valverde (queda) e Peter Sagan (excluído pela organização), no domingo, entre o sobe e desce da 9.ª etapa entre Nantua e Chambéry - com sete contagens de montanha, três das quais de categoria especial - ficaram pelo caminho uns quantos candidatos ao pódio.

Por infortúnio, dois: Geraint Thomas e Richie Porte. O primeiro, homem de confiança de Chris Froome e que chegou a ser líder da prova, caiu na descida do Col de la Biche e fraturou a clavícula direita. Já o australiano da BMC ficou em pior estado. Caiu na descida final, após o Mont du Chat e encheu toda uma ficha médica: fratura da clavícula direita, fratura da pélvis e traumatismo craniano (sem lesão neurológica).

O Monte do Gato tem um nome fofinho, mas foi terrível para outros dois favoritos. Nairo Quintana perdeu 1,15 minutos para a frente e Alberto Contador, que ficou para trás ainda mais cedo, já está a mais de 5 minutos na geral para o líder, Chris Froome, que resistiu a todos os ataques, até àquele que Fabio Aru lhe fez quando sofreu um problema mecânico, violando provavelmente a mais importante das regras não escritas do ciclismo: não atacas quem teve um azar.

3. Wimbledon: a relva não está grande coisa, mas o “Big 4” parece que sim

Presos por ter cão e presos por não ter. Deve ser isto, mais coisa, menos coisa, que a organização de Wimbledon deve sentir por estes dias. O terceiro torneio do Grand Slam do ano costuma exasperar atletas e adeptos pela chuva que sempre cai em Londres e impossibilita que se jogue ténis na maior parte dos courts do All England Club, já que só o campo principal têm tecto amovível.

Aliás, o ano passado choveu tanto na primeira semana que a organização foi obrigada a esquecer todas as tradições e protocolos e a marcar jogos para o Middle Sunday - foi apenas a 4.ª vez em 139 anos que se jogou ténis no “domingo do meio” em Wimbledon.

Relva ou um campo de batatas?

Relva ou um campo de batatas?

Michael Steele/Getty

Este ano o problema é… o contrário. As temperaturas estão tão altas (vá, simpáticas, afinal de contas é Londres), que a relva está seca e lenta. Isto nos sítios em que ela ainda existe, já que boa parte dos courts de Wimbledon parecem-se mais, por estes dias, a courts de terra batida. E as queixas têm sido mais que muitas, inclusivamente de Andy Murray e Roger Federer.

Mas bem, nada que tenha atrapalhado estes dois favoritos. Nem os outros dois membros do “Big 4”, Novak Djokovic e Rafael Nadal. Os quatro chegaram sem dificuldades de maior à 2.ª semana de Wimbledon: Murray e Nadal agarraram um lugar nos oitavos-de-final na sexta-feira, ao baterem, respetivamente, Fabio Fognini e Karen Khachanov e Djokovic e Federer trataram desse assunto no sábado, com vitórias perante Ernests Gulbis e Micha Zverev.

4. Fórmula 1: Vettel e Hamilton têm umas Bottas para descalçar

Pois é, achavam que este ano a luta pelo Mundial era um assunto apenas para Sebastian Vettel e Lewis Hamilton? Nada disso. Entre os muitos finlandeses voadores que o automobilismo já nos deu, Valtteri Bottas é o senhor de quem se fala agora. O rapaz que esta época chegou à Mercedes venceu este domingo o GP Áustria, é terceiro no Mundial e já avisou a concorrência que ainda falta muito campeonato.

Bottas bem merece o banho de champanhe

Bottas bem merece o banho de champanhe

Mark Thompson/Getty

“Estou na luta pelo título. Eu acredito e a equipa acredita. Ainda nem estamos a meio da temporada”, frisou Bottas, que depois de um arranque fenomenal (Vettel e Ricciardo falaram mesmo em falsa partida, negada pelos comissários) teve de lidar com problemas nos pneus no final da corrida e com os inclementes ataques de Vettel. O alemão não chegou lá e o companheiro de equipa de Bottas, Lewis Hamilton, agradece: foi apenas 4.º e minimizou as perdas no Mundial de pilotos para o homem da Ferrari. Há agora 20 pontos a separá-los.

A próxima prova é já este fim-de-semana, o GP Grã-Bretanha, em Silverstone.

5. O primeiro teste do leão, ainda sem brilho

A jogar pela primeira vez à porta aberta nesta pré-temporada, o Sporting empatou na sexta-feira com o Belenenses (1-1), num jogo, naturalmente, com pouca intensidade, ainda muitas ausências mas em que já se vislumbraram alguns dos reforços leoninos. Nomeadamente Battaglia, Piccini, Bruno Fernandes e Matheus Oliveira.

Ainda assim, no Estádio Algarve deram mais nas vistas Gelson Dala, Petrovic e Leonardo Ruiz, colombiano que fez o golo do Sporting já na 2.ª parte, depois de André Sousa ter marcado para o Belenenses ainda no 1.º tempo.

O Sporting segue agora para estágio na Suíça e joga na quarta-feira com o Fenerbahçe.

E ainda o que há de desporto esta semana…

Tour: depois do dia de descanso desta segunda-feira, o pelotão terá mais duas etapas em linhas, boas para fugas ou sprinters, antes de voltar a entrar na montanha, mais precisamente nos Pirenéus. Na quinta-feira a etapa entre Pau e Peyragudes tem seis contagens de montanha no cardápio, incluindo uma categoria especial no Col de Mentè e uma 1.ª categoria a cinco quilómetros da meta, na já habitual passagem no Col de Peyresourde. No dia seguinte, para chegar de Saint Girons a Foix, há o chamado rompe-pernas: três etapas de 1.ª categoria, mas ainda bem longe da meta.

Mais uma semana montanha acima, montanha abaixo

Mais uma semana montanha acima, montanha abaixo

Chris Graythen/Getty

Wimbledon: arranca a segunda semana de ténis no All England Club e, caso não desate a chover em Londres, as finais estão marcadas para sábado (feminina) e domingo (masculina).

Europeu sub-19: Portugal joga na quarta-feira as meias-finais da prova, na Geórgia, frente à seleção da Holanda (às 14h00 de Lisboa). Em caso de vitória, a equipa orientada por Hélio Sousa jogará a final no sábado frente a Inglaterra ou Rep. Checa, às 17h00.

Mundiais de Natação: começam na sexta-feira, em Budapeste, capital da Hungria. A primeira semana será dedicada às provas de águas abertas, saltos para a água, natação sincronizada e pólo aquático. As provas de natação pura só arrancam na segunda semana de competição (a partir de dia 23).

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