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Michael Phelps ganhou a todos. Será que agora vai ganhar a um tubarão branco?

O maior campeão olímpico da história aceitou o desafio do Discovery Channel e atirou-se a uma corrida de 100 metros com o maior predador do mundo animal. O resultado de tão inusitada competição será conhecido esta noite

Lídia Paralta Gomes

Clive Rose/Getty

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O ser humano sempre teve um qualquer fascínio pelas lutas entre homens e animais, principalmente quando elas parecem altamente desiguais para o ser racional. Basta recuar até à Roma antiga, quando os imperadores se divertiam de forma alarve atirando escravos e prisioneiros para a arena, onde os pobres coitados tinham de lutar pela vida contra leões e outros animais igualmente simpáticos, num bonito espectáculo com final invariavelmente infeliz para o bípede.

A crueldade sanguinária, felizmente, ficou-se na antiguidade clássica e entretanto surgiram outros duelos, homens vs. máquinas, por exemplo. Ou quem não quis pelo menos saber os resultados dos dois confrontos entre o xadrezista Garry Kasparov e o supercomputador Deep Blue, ali em meados dos anos 90?

(Caso não saibam, ficou 1-1)

As máquinas entraram na contenda, mas isso não quer dizer que os duelos entre homens e animais tenham ficado esquecidos. E depois do mítico Jesse Owens ter corrido contra cavalos após ter chateado Adolf Hitler com as suas quatro medalhas de ouros nos Jogos de Berlim, em 1936 (ganhou umas vezes, perdeu outras) e da estrela sul-africana do râguebi Bryan Habana ter tentado bater uma chita numa corrida de 100 metros em 2007 (perdeu), eis que este domingo vamos saber se Michael Phelps conseguiu ser bem sucedido no últimos dos grandes desafios: bater um tubarão branco.

Michael Phelps pendurou a touca após os Jogos Olímpicos do Rio. O nadador norte-americano disse adeus à competição com 28 medalhas no currículo, 23 delas de ouro, um recorde absoluto na história olímpica. Competiu contra os melhores e a todos ganhou. Mas agora, diz o próprio, terá pela frente o seu rival “mais complicado”.

O fato com que Phelps vai tentar ser mais rápido que um tubarão branco

O fato com que Phelps vai tentar ser mais rápido que um tubarão branco

Discovery Channel

“Foi provavelmente a prova mais difícil que tive na minha vida”, assegurou numa entrevista à Fox News. Naturalmente, já que nenhum dos adversários que teve ao longo da carreira era o mais mortífero predador do mundo animal.

Mas então, que desafio é este? No âmbito da já habitual Shark Week, uma semana que anualmente o Discovery dedica a programação sobre o predador, o canal convidou Michael Phelps a fazer uma corrida de 100 metros com, isso mesmo, um tubarão. “Toda a minha vida tive uma grande paixão por tubarões e poder competir contra um estava na minha lista de desejos”, admitiu o atleta, de 32 anos, que no último ano se dedicou à família, nomeadamente à mulher Nicole e ao pequeno Boomer, de 14 meses, que depois do Rio'2016 se tornou uma autêntica celebridade nas redes sociais - tem uma página de Instagram com quase 800 mil seguidores e já é protagonista de anúncios publicitários.

Phelps tirou então umas férias das férias e o programa foi gravado o mês passado no mar alto ao largo da Cidade do Cabo, na África do Sul, onde foi montada uma espécie de linha para o percurso ser o mais semelhante possível a uma piscina em termos de estrutura.

Piscina que é o habitat natural de Phelps, não as águas abertas. E a temperatura da água foi precisamente uma das maiores dificuldades do antigo atleta. “Só queria manter-me quente. Esse foi o verdadeiro desafio, porque a água estava a 13 graus”, explicou Phelps, que diz não gostar “nem um bocadinho de água fria”.

E não é só a temperatura que torna este desafio desigual para Phelps. Apesar de ser um nadador excecional, provavelmente o mais excecional de sempre entre os humanos, o norte-americano tem uma uma velocidade máxima de 9 km/h dentro de água. O tubarão branco nada a uma velocidade média de 10 km/h, mas quando está a caçar pode chegar a uns impressionantes 40 km/h. Assim, para as contas ficarem mais equilibradas, Phelps usou um fato especial e nos sapatos uma barbatana, que lhe permitiu nadar a cerca de 18 km/h. Ao seu lado, e para evitar qualquer tipo de desgraças, estiveram 15 seguranças, prontos para agir rapidamente caso o tubarão branco quisesse fazer de Phelps uma bela refeição.

Mesmo com todas estas ajudas, Phelps acredita que as “chances estão do lado do tubarão” - aliás, nas casas de apostas o mamífero segue bem à frente. O desfecho, esse, é segredo fechado a sete chaves e só será desvendado no final do programa, mas nem Ryan Lochte, companheiro de seleção de Phelps, com o qual ganhou vários ouros olímpicos em estafetas, parece acreditar no amigo. Quando questionado pelo site TMZ se Phelps teria hipóteses, Lochte disse apenas duas palavras: “Hell no”.

Um caso de admiração

Já escrevemos acima que Michael Phelps sempre foi obcecado por tubarões e, mais do que perceber os limites humanos, o desafio tem o objetivo de ajudar na conservação da espécie e também para mostrar que os tubarões “não andam aí só para nos comer”, explicou o atleta.

Para se preparar para o programa do Discovery Channel, Phelps passou algum tempo na Escola de Tubarões, nas Bahamas, onde aprendeu mais sobre os animais, que passou a admirar ainda mais.

“Eu nado em linha reta. É mesmo só isso que eu faço! Estes rapazes conseguem nadar em qualquer direção a uma grande velocidade. E isso é absolutamente impressionante para mim”, admitiu o supercampeão.