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Mundiais de atletismo: duas estrelas (maiores) despedem-se. Quem mais vai brilhar neste céu?

Londres acolhe de sexta-feira a domingo, 13 de agosto, o Mundial de Atletismo. São cerca de dois mil atletas em prova, alguns com provas dadas e expectativas em alta. Confira os nomes que devem marcar a edição deste ano dos campeonatos.

FILIPA SILVA

Clive Brunskill

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“As estrelas parecem eternas mas não são”. A afirmação é de livro de escola e foi escrita para explicar às crianças que as estrelas também morrem. Podia servir a frase para introduzir a despedida de Usain Bolt do atletismo. O adeus ao recordista dos 100 e 200 metros começa esta sexta-feira no dia de abertura do Campeonato do Mundo da modalidade.

Em Londres, o jamaicano será a figura central mas muitos outros nomes vão ajudar a contar a história do mundial.

Usain Bolt

O canto do cisne de um dos melhores atletas de todos os tempos, para muitos o melhor de sempre, começa no dia 1 dos campeonatos. Usain Bolt, o raio que atingiu o atletismo há uma década e o marcou para sempre, chega a Londres para se despedir da alta competição e entra em pista já esta sexta-feira à noite.

Onde quer que esteja, Bolt é o centro da animação.

Onde quer que esteja, Bolt é o centro da animação.

Michael Steele

Desta vez, o homem mais rápido do mundo - provavelmente o mais “cool” também - 11 vezes campeão do mundo e oito vezes campeão olímpico, só vai defender os seus títulos nos 100 e nos 4x100 metros, deixando os 200 metros de parte.

Nos 100, o compatriota e 10 anos mais novo Yohan Blake é apontado como o grande opositor, depois do canadiano Andre De Grasse ter sido afastado da competição por uma lesão num ligamento do joelho. O eterno rival Justin Gatlin também vai lá estar para mais um duelo. Mesmo depois de um ano marcado por lesões, o norte-americano garante que se sente como nos seus melhores momentos de forma.

Wayde Van Niekerk

A coroa de uma figura como Usain Bolt pode ter espinhos não fosse ela do melhor velocista de todos os tempos. Contudo, é o próprio Bolt a depositá-la na cabeça de Wayde Van Niekerk, o sul-africano de 25 anos que há dois anos, em Pequim, foi para o hospital depois de uma extraordinária vitória nos 400 metros, tendo um ano depois, no Rio de Janeiro, batido o recorde do mundo que era de Michael Jonhson na mesma distância com a inacreditável marca de 43.03.

Van Niekerk e o seu recorde do mundo conquistado no Rio de Janeiro.

Van Niekerk e o seu recorde do mundo conquistado no Rio de Janeiro.

Cameron Spencer

São muitos - incluindo Bolt e Johnson - aqueles que dizem que estamos perante um atleta excecional, provavelmente o velocista mais completo de todos os tempos. Ele é o único na história a ter corrido os 100 abaixo dos 10 segundos, os 200 abaixo dos 20 e os 400 abaixo dos 44 segundos, sendo também sua a melhor marca mundial dos 300 metros.

Com um novo fenómeno em ascensão, a organização dos campeonatos decidiu mesmo mexer no calendário para permitir que Niekerk compita também nos 200 metros em condições de lutar pelo título. O sul-africano parte assim em busca de uma dobradinha e só é pena que não se cruze com Bolt nos 200 metros. Seria um duelo para guardar na memória.

O norte-americano Fred Kerley e o Isaac Makwala, do Botswana, são, à luz dos resultados obtidos este ano, os seus grandes adversários. O sonho? Baixar a barreira dos 43 segundos.

Mo Farah

Outra despedida. Desta vez da pista, não do atletismo. Sir Mo Farah vai fazer-se à estrada depois do final deste mês e ver até onde consegue ir na maratona (já se fala de uma oferta de seis dígitos pela sua presença nas próximas duas maratonas de Londres).

O festejo de Mo Farah é universalmente conhecido.

O festejo de Mo Farah é universalmente conhecido.

JEWEL SAMAD

Mas antes disso, Farah despede-se do seu público em Londres, onde foi duplo campeão olímpico há cinco anos.

A “festa” da despedida começa esta sexta-feira à noite com a corrida de 10 mil metros. A concorrência é a do costuma, com etíopes (sobretudo) e quenianos na perseguição a um título que Farah tem tornado impossível de alcançar.

A todos os ataques, o britânico tem sempre levado a melhor. E sempre significa sempre: desde 2011 nos 5 mil metros e de 2012 nos 10 mil que é Farah quem ganha em mundiais e jogos olímpicos nas duas distâncias. Cederá desta? Aos 34 anos, o britânico nascido em Mogadíscio já não tem a mesma velocidade final mas terá um estádio lotado a torcer pela sua vitória. Os 10 mil metros masculinos correm-se na noite de abertura dos campeonatos. Os 5 mil ficam para o encerramento.

Anita Wlodarczyk

Foi em Portugal, no Campeonato da Europa das Nações, em 2009, que começou o domínio esmagador da polaca Anita Wlodarczyk no lançamento do martelo feminino.

Será Anita Wlodarczykcapaz de voltar a bater a sua marca?

Será Anita Wlodarczykcapaz de voltar a bater a sua marca?

Alexander Hassenstein

Trata-se da melhor lançadora de todos os tempos, a única a ter conseguido ultrapassar a barreira dos 80 metros na história do atletismo.

Wlodarczyk já mostrou que é capaz de se superar vezes sem conta, como fez nos últimos campeonatos do Mundo, em Pequim, e nos últimos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, momentos que que brindou as bancadas com um novo máximo mundial. A barreira está, desde o Rio, nos 82,98.

Este ano, a lançadora já fez o seu segundo melhor lançamento de sempre o que deixa bons indícios para o publico de Londres.

E tantos mais…

Se o Quénia foi quem surpreendeu no último Mundial em 2015, com o primeiro lugar no ranking das medalhas, a África do Sul apresenta-se com legítimas aspirações a aparecer entre os mais medalhados.

As suas esperanças não se resumem a Niekerk. É grande a expectativa pela prestação de Caster Semenya que vai juntar aos 800 metros - distância em que é campeã mundial e olímpica - os 1.500 metros. Conseguir a dobradinha significaria um feito extraordinário, e seguramente reabriria o debate em torno do hiperandrogenismo da atleta.

Interessante será também ver até onde vai Luvo Manyonga no salto em comprimento. O sul-africano garante que a barreira dos 9 metros está ao alcance de um humano e mostra-se confiante de que vai ser ele a bater o recorde de 1991 de Mike Powel - “nasci nesse ano, só pode ser um sinal”. Em 2016, saiu do Rio de Janeiro com a prata. O que surpreendeu o mundo foi saber depois do seu passado duro ligado a uma cidade problemática e ao consumo de metanfetaminas.

Lino Manyonga a festejar no Rio de Janeiro a sua primeira medalha olímpica.

Lino Manyonga a festejar no Rio de Janeiro a sua primeira medalha olímpica.

Shaun Botterill

Para acompanhar também a belga Nafissatou Thiam, que saiu do Rio de Janeiro com o ouro no heptatlo - e estas provas são de atletas de exceção - com apenas 21 anos! Conseguirá o seu primeiro título mundial? No hectómetro e no duplo hectómetro, a luta entre a jamaicana Elaine Thompson e a holandesa Dafne Schippers, com Torie Bowie pelo meio, espera-se feroz. E nos 3 mil metros obstáculos há sinais de que um não queniano pode vencer a prova, o que já não acontece desde 1987. Candidato: Evan Jager, dos EUA.

Atletas russos de volta

Os campeonatos de Londres vão ficar ainda marcados pelo regresso, ainda que a conta-gotas, dos atletas russos. Serão 19 no total, mas chegam à competição como atletas neutros, uma vez que a federação russa continua banida das provas organizadas pela IAAF. Em caso de vitória ou de um lugar no pódio, não haverá por isso direito a hino ou bandeira da Rússia no Estádio de Londres.