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Como é que Fernando Pimenta se mantém assim? “É básico: não como doces, fritos, fast food, treino, descanso, digo não a amigos e familiares”

Aos 28 anos, cumpriu mais um sonho. Ser campeão do mundo. O superatleta de Ponte de Lima fechou a época com uma medalha de ouro e outra de prata nos Mundiais de Canoagem. A preparação para Tóquio 2020 segue dentro de momentos. Agora é baixar o ritmo e descansar. Perto do mar, porque o rio já lhe basta o ano inteiro

FILIPA SILVA

Luis Barra

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Fecha a época com uma medalha de ouro e outra de prata num Campeonato do Mundo, mas 2017 não se resumiu a isso. Como classifica este ano?
Esta época foi histórica, quer para mim quer para a modalidade. Só em 2017 conquistei oito medalhas internacionais. Foram quatro medalhas em Taças do Mundo, uma de ouro e três de prata, depois consegui os dois títulos no Campeonato da Europa, medalha de ouro em K1 1000 metros e vice-campeão da europa em K1 5000 metros; e, agora, para concluir a época, nada melhor do que sagrar-me campeão do mundo em K1 5000 metros e vice-campeão do mundo em K1 1000 metros.

Olhando ao títulos do fim de semana, se tivesse de colocar estas medalhas no pódio da carreira em que lugar é que as colocava?
Sem dúvida que estas estão dentro do pódio. Em primeiro lugar, estaria a medalha de prata em Londres [2012], nos Jogos Olímpicos, com o meu colega Emanuel Silva. E logo a seguir estariam estas duas medalhas de vice-campeão do mundo em K1 1000 e a medalha de ouro em K1 5000.

Trabalhou muito para os Jogos, queria mais do que conseguiu. O que se passou no Rio teve influência sobre a forma como esta época está a correr?
Não. Eu e o meu treinador sentámo-nos a seguir às férias, depois dos Jogos Olímpicos, para delinearmos o caminho que queriamos fazer. Sabiamos que não tínhamos conseguido o real objetivo que queríamos e para o qual estávamos inteiramente preparados. Mas continuamos com o trabalho que estávamos a fazer e por isso mesmo os resultados continuaram a aparecer de uma forma sólida, de uma forma natural. E isso, para nós, é o mais importante.

Fala muitas vezes do espírito de sacrifício. Como é que ele se materializa no seu dia a dia?
Eu vivo única e exclusivamente para a modalidade, para o desporto nacional. Ocupo o meu dia basicamente com os treinos e com o descanso que eles exigem para conseguir ter a melhor performance dia após dia. Tive de abdicar dos meus estudos, mas também foi por opção própria. E depois, claro, todos os sacrifícios, desde o estar muitas vezes e durante grandes temporadas longe da família. Também fazer algumas restrições em termos alimentares. Não se pode comer sempre aquilo que se quer. Dizer que não aos amigos e à família em alguns dias festivos porque sabemos que precisamos de descansar e não podemos entrar em euforias, porque no dia a seguir temos treino. São coisas que temos de fazer. Trabalhar todos os dias. Todos os dias contam.

Falou de restrições alimentares. Pode dar alguns exemplo do que lhe é proibido?
É o básico. Os doces, os fritos, a fast food... temos de evitar essas comidas e ter uma alimentação o mais regrada possível para ter o organismo bem cuidado.

O que é que se segue? Descanso?
Sim, agora é baixar o ritmo de treino aos poucos para depois entrar na fase de férias e voltar depois com a máxima energia, a máxima força, para afrontar a época de 2018.

Uma curiosidade: quando vai de férias prefere rio ou mar
Prefiro mar. O rio já basta o ano todo.

Para o ano temos os Mundiais de Canoagem em Portugal. Como é que antecipa a prova?
Em relação à competição, espero que seja um grande motivo de orgulho para os portugueses receber um grande campeonato do mundo de canoagem em Portugal. E espero que seja um grande espetáculo desportivo. Em relação a mim, espero poder ter uma boa prestação. Ainda tenho muito para treinar. Agora é pensar no descanso e depois é passo a passo. Primeiro, as primeiras provas, e depois, quando chegar ao Campeonato do Mundo, tentar estar bem, em termos físicos e psicológicos, e ter uma boa prestação.

A visibilidade da canoagem em Portugal está à altura dos resultados que tem conseguido?
A canoagem tem habituado os portugueses a conquistar excelentes resultados. Muitas medalhas. Sem dúvida que todos os atletas e toda a equipa têm feito um excelente trabalho. O reconhecimento, vamos começando a ter mais. Também é fruto do nosso trabalho, dos nossos resultados; e, claro, na canoagem os atletas são todos muito ambiciosos e temos de continuar focados nisso. A ver se a federação consegue obter maiores apoios, melhores e maiores apoios, não só para nós atletas seniores mas que ajudem também os mais novos.

Há uns anos disse que gostava de organizar as medalhas por anos, mas tinha um irmão pequeno que não facilitava a tarefa. O João trata melhor do espólio agora?
(risos) O meu irmão é muito atento aos resultados. Muito atento ao meu dia a dia. Ele também sofre com a ausência do irmão e muitas vezes também sente saudades e quer acompanhar-me o mais perto possível. Ele continua a ser uma grande ajuda na organização das medalhas.

Já aprendeu a dizer alguma coisa em japonês?
Ainda não, ainda não. Isso é quando estiver mais próximo do momento. Agora tenho de me preocupar nas três próximas épocas em estar na melhor forma possível e conseguir o apuramento olímpico. Depois de conseguir o apuramento olímpico, aí acho que me posso preocupar um pouco mais em aprender japonês.