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Vitória para Sonka, recorde para público da Red Bull Air Race

O piloto Martin Sonka venceu a prova realizada sobre o Rio Douro e assume a liderança do campeonato mundial da Red Bull Air Race. Aproximadamente 850 mil entusiastas vibraram com as manobras e o rugido dos motores nas zonas ribeirinhas do Porto e Gaia

André Manuel Correia

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Na tarde de sol deste domingo, 600 mil pessoas trocaram o azul do mar e a acalmia da praia, pelo azul do céu e o ambiente trepidante dos acrobatas dos ares, tudo para assistirem à vitória de Martin Sonka na sexta e antepenúltima etapa da Red Bull Air Race. Uma impressionante moldura humana, distribuída por ambas as margens do Rio Douro, voltou a mostrar o carinho e entusiasmo por uma competição que tinha deixado saudades, desde a última edição realizada em 2009.

Ao longo de todo o fim de semana, a seguir com os olhos e, sobretudo, com as lentes fotográficas as arriscadas manobras, estiveram 850 mil entusiastas, um número recorde, de acordo com a organização, superior ao público alcançado nas cinco provas anteriores do campeonato.

O pódio ficou constituído da seguinte forma: Martin Sonka (1.º), Pete McLeod (2.º) e o “outsider” australiano Matt Hall (3.º). Esta foi a segunda vitória da carreira para Sonka – ambas obtidas esta época – e pode constituir um importante passo para poder sonhar com a conquista da competição internacional de aviões acrobáticos, na categoria “Master Class”. “Há ainda muitos pontos para obter até ao final do campeonato e temos de estar focados na próxima corrida”, lembra o piloto, para quem vencer no Porto tem um significado “muito especial”.

No momento decisivo do fim de semana, a “Final 4”, marcaram presença três dos quatro candidatos ao título. O piloto checo mostrou-se mais forte do que os seus rivais diretos, ao marcar o tempo de 01: 07.229, superando por mais de um décimo de segundo o jovem canadiano Pete McLeod, tendo beneficiado ainda da penalização de dois segundos atribuída a Kirby Chambliss, o veterano piloto norte-americano que chegou a esta etapa da “Fórmula 1 dos ares” com o estatuto de líder do campeonato.

Luta intensa até ao final

O piloto checo – antigo piloto da força área e que começou a voar em planadores aos 17 anos – assume, assim, a liderança do campeonato com 54 pontos, contra os 50 de Pete McLeod e os 47 de Kirby Chambliss. Na conferência de imprensa, Sonka afirmou que vai ser um “final de época fantástico” e McLeod mostra-se pronto para “lutar até ao fim”.

Mais distante da luta pelo título fica o nipónico Yoshihide Muroya, na sequência de um fim de semana complicado para o piloto, impedido de participar nos treinos livres de sexta-feira e, na corrida deste domingo, acabou por não se conseguir apurar para a “Final 4”, para tristeza da enorme comitiva de jornalistas japoneses que vibravam com cada manobra do compatriota.

Com duas etapas para disputar, 30 pontos ainda estão em jogo. A próxima prova da Red Bull Air Race realiza-se na cidade alemã de Lausitz, a 16 e 17 de setembro, enquanto o momento de todas as decisões realizar-se-á Indianapolis, nos Estados Unidos, a 14 e 15 de outubro.

Na categoria secundária, a “Challenger Class”, destinada a pilotos jovens e emergentes como forma de conquistarem experiência competitiva, o vencedor foi o norte-americano Kevin Coleman, apesar de ter reconhecido que o circuito até nem era propriamente ao seu estilo.

O traçado sobre o Rio Douro é um dos mais rápidos, no qual os aviões podem atingir velocidades máximas de 370 km/h. A componente técnica não é tão determinante, à exceção da chicane, mas nem por isso deixa de ser exigente em termos físicos.

A diferença nos tempos fez-se, quase sempre, na forma como os pilotos efetuaram as espetaculares manobras de inversão vertical (conhecidas como “meio oito cubano”), realizadas junto às pontes D. Luís e da Arrábida. Nesses pontos do circuito, os aviadores atingiram forças até 10G, o equivalente a uma pressão de 800 kilos.

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