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A eclética semana que aí vem: a final que não é final, a Vuelta de consagração, a bola que rola cá e o homem que não a lança nos EUA

Um final Federer-Nadal no US Open? Pois, era bom mas o sorteio não deixa: o máximo que poderá acontecer é uma meia-final entre ambos. Isto numa semana em que Sporting, FC Porto e Benfica retomam o campeonato e os sub-21 arrancam a qualificação para o Euro'2019. Há ainda decisões na Vuelta (e um Froome histórico) e os primeiros jogos da nova temporada da NFL, a liga em que a notícia não é quem está, mas sim quem não está

Lídia Paralta Gomes

Matthew Stockman/Getty

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Campeonato: febre de sexta-feira à noite antes da Champions

Entalado entre uma jornada dupla de qualificação para o Mundial e o arranque da Liga dos Campeões, a 5.ª jornada do campeonato terá um figurino algo diferente pelo que o melhor é limpar já a sua agenda para sexta-feira à noite. Se ainda for uma alma antiga que usa agenda de papel, chegue à folha de dia 8 e escreva em letras garrafais: “HOJE NÃO DÁ, HÁ FUTEBOL”. Depois, baixe até às 19 horas e escreva “Feirense-Sporting”. E às 21h, logo assim de seguida, assente “Benfica-Portimonense”.

Pois bem, o Sporting, um dos dois líderes do campeonato e uma das duas equipas que ainda não perdeu pontos, joga em casa do Feirense (Sport TV1, 19h), equipa que não deslumbra mas é sólida e prova disso é o 6.º lugar sem derrotas e com duas vitórias nas duas últimas jornadas. E não será por falta de aviso que o Sporting, agora definitivamente órfão de Adrien Silva, não vai chegar preparado a Santa Maria da Feira, na medida em que no último ano foi lá perder por 2-1, numa altura em que Nuno Manta já era treinador dos fogaceiros. Assim que, cautela.

Na última temporada, Jorge Jesus saiu de Santa Maria da Feira com as mãos na cabeça: perdeu por 2-1

Na última temporada, Jorge Jesus saiu de Santa Maria da Feira com as mãos na cabeça: perdeu por 2-1

JOSÉ COELHO/LUSA

Já o Benfica, que tal como o Sporting estreia-se na Champions na terça-feira seguinte, recebe o Portimonense de Vítor Oliveira (BTV, às 21h), que até começou bem o campeonato, mas agora vem de uma terrível série de três derrotas consecutivas. Os encarnados, que vêm de um empate com o Rio Ave, já terão disponíveis os reforços Gabriel Barbosa e Douglas.

No dia seguinte, será a vez do FC Porto entrar em campo, frente ao Desportivo de Chaves (Sport TV 1, às 20h30). Os dragões compartem com o Sporting a estatística perfeita no campeonato, ao contrário dos flavienses, de quem muito se esperava, não fosse Luís Castro um técnico que gosta de futebol positivo e de jogar de igual para igual frente aos grandes. Para já, nada tem corrido bem aos transmontanos, que têm apenas um ponto, mas Castro conhece bem os cantos à casa - leia-se, os cantos ao Dragão -, pelo que o 17.º lugar será sempre de desconfiar.

Seleção sub-21: Em Chaves, com os olhos em Itália e no Euro’2019

E por falar em Chaves, é lá que a Seleção Nacional sub-21 vai iniciar terça-feira (às 19h15) a caminhada que se espera triunfal até à qualificação para o Euro’2019. Será o primeiro jogo oficial da equipa orientada por Rui Jorge depois do amargo de boca sofrido no Europeu deste verão, em que Portugal não conseguiu ultrapassar a fase de grupos.

Renato Sanches durante o Europeu sub-21

Renato Sanches durante o Europeu sub-21

MACIEJ GILLERT/AFP/Getty Images

O primeiro adversário é o País da Gales, num grupo 8 em que também estão as seleções da Suíça, Roménia, Bósnia e Liechtenstein. Só os primeiros de cada grupo apuram-se diretamente para o próximo Europeu, que se vai disputar em Itália, com as restantes duas equipas qualificadas a serem encontradas num playoff entre os melhores quatro 2.º qualificados de cada grupo.

Contas que, esperemos, Portugal não tenha de fazer.

US Open: Títulos para os consagrados ou para as surpresas?

Estamos quase no final da época, muitos dos grandes nomes dos circuitos masculino e feminino estão em má forma ou fora de jogo por lesões e outras razões mais felizes (e aqui falamos de Serena Williams, que foi mãe na sexta-feira) e assim sendo, à entrada da última semana, o US Open está bem imprevisível em ambos os quadros.

Para tristeza dos aficionados, a final Federer-Nadal não poderá acontecer: os dois estão no mesmo lado do quadro e, assim, a acontecer duelo será nas meias-finais, ou seja, na sexta-feira. Uma parte de cima do quadro em que estão ainda jogadores como David Goffin, Juan Martin del Potro ou Dominic Thiem. Já a parte de baixo, que nunca esteve particularmente forte, perdeu cedo os nomes mais sonantes, a saber, Tsonga, Zverev e Cilic, pelo que um destes homens, Sam Querrey, Kevin Anderson, Pablo Carreno Busta ou Diego Schwartzman, vai chegar à final do último dos torneios do Grand Slam. Sim, é verdade.

A tia Venus, aos 37 anos, ainda a brilhar no US Open

A tia Venus, aos 37 anos, ainda a brilhar no US Open

Richard Heathcote/Getty

Assim, a final masculina, no domingo (Eurosport 1, às 21h), tem tudo para ser jogada entre um consagrado e uma surpresa, o que poderá muito bem também acontecer no quadro feminino em que já só há duas antigas campeãs de torneios do Grand Slam e que, curiosamente, se vão encontrar nos quartos-de-final: Venus Williams (perdoem-me, tia Venus) e Petra Kvitova.

Do outro lado do quadro ainda sobrevive a n.º 1 mundial, Karolina Pliskova, que quer muito deixar de fazer parte do grupo de tenistas que passou pela liderança do ranking sem nunca ter ganho um major. Está aqui uma bela oportunidade.

Vuelta: a semana em que Froome pode igualar Anquetil e Hinault

Um minuto e um segundo. É esta a vantagem que Chris Froome tem de defender na última semana da Vuelta (todos os dias a partir das 14h, na Eurosport 1) para entrar na história como o terceiro homem a conseguir vencer Tour e Vuelta no mesmo ano, uma lista onde apenas estão Jacques Anquetil (1963) e Bernard Hinault (1978) que, note-se, conseguiram tal feito uma altura em que a Volta a Espanha se realizava antes da Volta a França.

Chris Froome de rojo em Madrid? Calmita, ainda falta muita montanha

Chris Froome de rojo em Madrid? Calmita, ainda falta muita montanha

JOSE JORDAN/Getty

A vantagem para Vincenzo Nibali é traiçoeira. Apesar do britânico da Sky parecer mais ou menos imperturbável e de ter vantagem teórica no contrarrelógio de terça-feira, a verdade é que a penúltima etapa da Vuelta é daquelas que dá perfeitamente para perder o que parecia até então seguro. Isto porque termina no temível Alto de l’Angliru, onde o pelotão terá de enfrentar rampas que chegam aos 23,5% de inclinação, o que é provavelmente o mais próximo de subir paredes que podemos encontrar nas três grandes voltas. E antes disso ainda há mais duas contagens de 1.ª categoria para subir. Verdadeiramente infernal.

É isto que Chris Froome terá de passar para chegar de rojo a Madrid e saldar contas com a prova espanhol, onde já foi segundo classificado por três vezes.

NFL: Começa o festival de touchdowns. Mas sem Kaepernick

Quem é fã da NFL passa boa parte do ano a sofrer. Isto porque a época acaba em fevereiro, no Super Bowl, e só volta em setembro. São portanto sete meses de espera, em que acontecem muitas trocas, o draft e umas quantas lesões brutais em treinos e jogos de preparação que parecem baralhar tudo. Mas a verdade é que, no final das contas, chega-se a setembro e os New England Patriots continuam a ser favoritos.

E porque na última temporada confirmaram esse favoritismo, ao vencerem o título após a maior reviravolta da história do Super Bowl, este ano é deles e de Tom Brady o privilégio de jogar no primeiro duelo da época, frente aos Kansas City Chiefs, na quinta-feira, já sexta-feira em Portugal (Sport TV 1, à 1h30).

Na NFL, é notícia não quer está, mas quem não está: é o caso de Colin Kaepernick, o rapaz de grande afro que surge aqui no meio

Na NFL, é notícia não quer está, mas quem não está: é o caso de Colin Kaepernick, o rapaz de grande afro que surge aqui no meio

Thearon W. Henderson/Getty

A jornada de abertura da nova temporada da NFL tem ainda um jogo grande no domingo - Green Bay Packers-Seattle Seahawks, às 21h30, na Sport TV4 - mas não terá a contribuição de Colin Kaepernick em qualquer uma das 32 equipas da liga. O quarterback tornou-se um dos casos da offseason, depois de não receber qualquer proposta, apesar de ter mais currículo e qualidade que muitos quarterbacks medianos que vão pululando pela liga.

Acontece que esses quarterbacks medianos não protestaram no último ano contra as desigualdades que as minorias ainda sofrem nos Estados Unidos. E num país em que o hino é coisa sagrada, Kaepernick optou por ajoelhar-se em vez de se levantar antes de cada jogo dos San Francisco 49ers. Uma atitude que, numa liga conservadora como é a NFL, não caiu bem.

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