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Um jogador da NFL pediu 200 mil dólares em doações para as vítimas do furacão Harvey. Já vai nos 20 milhões

J. J. Watt, jogador dos Houston Texans, quis dar um pequeno contributo para ajudar os milhares de afetados pelo pior desastre natural dos últimos 50 anos no Texas. Nunca pensou que a solidariedade dos anónimos (e não só) chegasse tão longe: em pouco mais de uma semana o crowdfunding atingiu os 20 milhões de dólares (17 milhões de euros)

Lídia Paralta Gomes

Este é J.J. Watt, um gigante que destrói qualquer quarterback que se cruze no seu caminho. Mas quando é para ajudar, o seu coração é de ouro

Scott Halleran/Getty

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Dentro de um corpo de 1,96 metros e 134 quilos também cabe um coração grande. Basta olhar para J.J. Watt, um dos melhores defensive ends da NFL.

Para quem não está dentro das posições do futebol americano, e numa explicação bem prosaica, o defensive end é aquele jogador que vai atrás do quarterback da equipa contrária quando este tem a bola. Com um único objetivo: deitá-lo abaixo. E Watt fâ-lo bem. Mesmo muito bem. De tal forma que em 2011, 2014 e 2015 foi considerado o melhor jogador defensivo da NFL.

Se no relvado J.J. Watt é uma parede - e ainda por cima uma parede em movimento - fora dele é um amor de rapaz. Em comum, o facto de nunca virar a cara à luta (nem mesmo que esteja a sangrar como se não houvesse amanhã). Nascido e criado no Wisconsin, joga desde sempre nos Texans, equipa de Houston, cidade norte-americana que ficou debaixo de água à passagem do furacão Harvey.

No dia 27 de agosto e mal viu os primeiros sinais de destruição do Harvey, responsável pelo maior desastre natural dos últimos 50 anos no Texas e que já provocou pelo menos 65 mortos, o jogador de 28 anos colocou um vídeo na sua página oficial do Facebook para lançar uma campanha de crowdfunding com um objetivo inicial de 200 mil dólares. J.J. Watt entrou com os primeiros 100 mil.

Em menos de duas horas, a campanha chegou ao primeiro objetivo. Com o passar dos dias, Watt traçou novas metas: 500 mil dólares, 1 milhão, 1,5, 4 milhões, por aí fora. E hoje, pouco mais de uma semana após o lançamento da campanha, Watt vai chegar aos 20 milhões de dólares, qualquer coisa como 17 milhões de euros - desses, 1 milhão foi doado por Ellen DeGeneres, numa colaboração com a Wallmart, e 200 mil pelo rapper Drake.

Mas não foi só dinheiro. Da cidade natal de Watt, Pewaukee, a quase 2 mil quilómetros de Houston, chegaram 10 camiões com água, comida, roupa e geradores, para fazer face às necessidades imediatas dos milhares de afetados pela tragédia. Os mantimentos foram recolhidos pela fundação do jogador, gerida pela sua mãe, Connie.

No último domingo, o defensive end, em conjunto com vários colegas de equipa e mais de uma centena de voluntários, distribuiu os primeiros mantimentos, doações que não foram pagas com os milhões arrecadados.

J.J. Watt tem bons braços para ajudar a carregar caixotes e foi isso mesmo que fez

J.J. Watt tem bons braços para ajudar a carregar caixotes e foi isso mesmo que fez

Brett Coomer - Pool/Getty

Isso fica para depois: Watt foi apanhado de surpresa pelo sucesso da campanha, ainda para mais a poucos dias do arranque da nova temporada regular da NFL. Entre treinos e trabalho no ginásio, Watt não larga o telemóvel e está a aconselhar-se com especialistas para saber qual a melhor forma de aplicar o dinheiro recolhido. Uma das pessoas com quem já falou é Drew Brees, quarterback dos New Orleans Saints, que participou ativamente na reconstrução da cidade após a passagem do furacão Katrina, em 2005.

“Já falei com algumas empresas que ajudaram na altura do Katrina para saber o que correu mal e o que podemos fazer melhor desta vez. O melhor conselho que me deram foi para esperar o tempo que for necessário, de forma a garantir que o dinheiro é bem aplicado”, sublinhou. “Sei que as pessoas estão a confiar-me o seu dinheiro e a confiar que eu tome as decisões mais acertadas. Assim que vou ter paciência e dar tempo: quero ter a certeza que faço o que está correto, até porque este será um projeto a longo prazo”.

A longo prazo será. De acordo com as autoridades texanas, a recuperação das zonas afetadas pelo Harvey demorará anos e a fatura da reconstrução poderá ascender aos 180 mil milhões de dólares, cerca de 152 mil milhões de euros. Uma fatura superior à causada pelo furacão Katrina.

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