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Há uma nova líder do ranking mundial de bodyboard: Joana Schenker

A bodyboarder, de 28 anos, venceu a etapa do circuito mundial na Praia Grande, em Sintra, no domingo, e somou pontos suficientes para chegar à primeira posição do ranking mundial - numa altura em que apenas restam três etapas por realizar

Diogo Pombo

JOAO PAULO ARAUJO

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A Praia Grande, em Sintra, tem ondas há muito, muito tempo, provavelmente desde antes do tempo em que os humanos olharam para elas, matutaram e inventaram pranchas para deslizarem sobre elas. Há 22 anos, essas ondas serviram, pela primeira vez, para se realizar uma etapa do circuito mundial de bodyboard, experiência que todos os anos se repete desde então.

Durante este tempo, apenas Manuel Centeno, em 2003, e Catarina Sousa, em 2009, lograram vencer a prova. Dois portugueses a quem, no domingo, Joana Schenker se juntou.

A bodyboarder algarvia, natural de Vila do Bispo, conquistou a etapa pela primeira vez, ao vencer Alexandra Rinder, bicampeã mundial, na final. Amigas, ambas filhas de pais alemães, uma nascida no Algarve, a outra nas Ilhas Canárias. “Nem tenho palavras para o que está a acontecer. É um sonho tornado realidade. Lembro-me de ter vindo a este campeonato pela primeira vez, há 14 anos, vê-las vencer aqui, e parecia-me uma coisa do outro mundo. Agora, ao fim destes anos todos, consegui o mesmo”, disse, ao receber o troféu, após a vitória.

A etapa na Praia Grande é a que mais pontos (4.000) e maior prize-money (15 mil dólares) dá ao vencedor. Logo, além de uma carteira mais pesada, este resultado colocou a portuguesa na liderança do ranking mundial feminino de bodyboard, quando ainda restam três provas por realizar, até ao fim de outubro.

Para o bem de Joana Schenker, duas serão em Portugal. A próxima é na ilha da Madeira (23-24 de setembro) e a seguinte decorrerá na Praia do Norte, na Nazaré (3-12 de outubro), antes de a época terminar em Galdar, nas Canárias (14-28 de outubro). O ranking contabiliza as pontuações das três melhores provas de cada bodyboarder.

Em 2016, o primeiro ano em que a algarvia participou, na íntegra, no circuito mundial, conseguiu terminar em 3º na etapa da Nazaré, o que pode ser um bom augúrio. Existem oito provas com pontuação a contar para o world tour, o dobro das que houve na época passada, em que Joana Schenker terminou na 4º posição do circuito. Teresa Almeida, bodyboarder da Nazaré, também está a participar no mundial.

Joana Schenker, neste momento, é mesmo candidata ao título mundial. Antes da etapa da Praia Grande, em entrevista à Tribuna Expresso, confessou que tal é “um sonho e um objetivo”, embora não apreciasse dizê-lo: “Quando as pessoas me perguntam, não gosto de dizer que sim, vou ser campeã do mundo. Não gosto de prometer coisas que não controlo”.

Nunca uma portuguesa, ou um português, venceram o circuito mundial de bodyboard. E, agora, Joana Schenker já parece estar a pensar mais nisso:

“Agora vou começar a pensar no Mundial, pois esta vitória abre-me a porta para a possibilidade de ser campeã mundial".

JOAO PAULO ARAUJO

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    É tricampeã nacional e europeia de bodyboard, e houve um tempo em que mesmo ganhando e sendo a melhor de todas não podia receber o título. Joana Schenker nasceu em Sagres, filha de pais alemães há 28 anos, mas só em 2014 obteve nacionalidade portuguesa para competir e ganhar por Portugal. É vegetariana desde os 10, faz exercício todos os dias, dentro ou fora de água, embora recusasse ir às aulas de Educação Física quando era miúda