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Trump em guerra com estrelas do desporto norte-americano

Presidente dos Estados Unidos diz que jogadores de futebol americano que protestem durante o hino nacional são uns "filhos da mãe" e devem ser despedidos. Mais tarde retirou o convite ao campeão e estrela da NBA Stephen Curry para visitar a Casa Branca

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É a última ´guerra´comprada por Donald Trump. Num comício na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos criticou os jogadores de futebol americano que têm protestado com a discriminação racial e os abusos policiais no país, ajoelhando-se durante o hino nacional. Trump perguntou aos 10 mil apoiantes na plateia se não gostavam que os donos dos clubes da NFL (National Football League) tirassem do campo aqueles "filhos da mãe" e os despedissem de cada vez que tivessem um gesto daqueles. E pediu às pessoas para abandonar os estádios de cada vez que presenciassem um protesto que desrespeitasse o hino e a bandeira dos EUA. A multidão presente no comício no Alabama aplaudiu das duas vezes.

Horas depois, no Twitter, nova investida. Trump retirou o convite a Stephen Curry - considerado um dos maiores jogadores de sempre da NBA e que levou os Golden State Warriors a voltar a vencer o campeonato este ano - para visitar a Casa Branca. "Stephen Curry está a hesitar, então o convite é retirado".

Curry tinha dito publicamente que iria votar contra a ida dos Warriors à residência oficial do Presidente dos Estados Unidos. A tradição de as equipas vencedoras da liga da NBA irem à Casa Branca remonta à presidência de Ronald Reagan, lembra o The Guardian.

As reacções de atleta, ex-jogadores e personalidades ligadas ao desporto sucederam-se. LeBron James chamou "vagabundo" a Trump e Kobe Bryant, seu ex-colega na NBA, reforçou as críticas às palavras do presidente

Já a equipa dos Golden State Warriors disse "aceitar" a decisão de Donlad Trump não os convidar, mas garantiu que continuará a ir a Washington, em fevereiro, para "celebrar a equidade, a diversidade e a inclusão, valores que defendemos enquanto organização", cita a CNN.

Protestos chegam à música

Claro que a resposta de Trump não se fez esperar, através de mais uma série de tweets. Primeiro contra os atletas: "Se um jogador quer ter o privilégio de ganhar milhões de dólares na NFL (National Football League), ou noutras ligas, ele ou ela não devem ser autorizados a desrespeitar a nossa grande bandeira (ou país) e deve levantar-se para ouvir o Hino Nacional" ."Se não, ESTÁS DESPEDIDO. Arranja outra coisa para fazer".

Sobre Roger Goodel, presidente da NFL, que criticou os "comentários que promovem a divisão das pessoas", Trump disse que o responsável estava a "justificar" o total desrespeito que alguns jogadores mostram. "Digam-lhes para se levantarem".

Os protestos dos atletas começaram no ano passado, quando o jogador de futebol norte-americano Colin Kaepernick se recusou a permanecer de pé durante o hino, que tocava antes do início do jogo.

Entretanto, as manifestações de repúdio sobre Trump chegaram ao mundo da música. Sábado à noite, durante um festival em Central Park, em Nova Iorque, Stevie Wonder ajoelhou-se "pela América".