Tribuna Expresso

Perfil

Modalidades

Haverá tempo para tudo: pranchas e ondas, râguebi e Buenos Aires, futebol e um clássico

A semana que aí vem tem muito para lhe oferecer e não tem direito à desculpa de haver muita coisa a coincidir. Durante a semana começam duas etapas dos circuitos mundiais feminino e masculino, no surf, depois há râguebi do bom para se ver e, no domingo, tudo acabe à maneira clássica (leia-se, com um Sporting-FC Porto)

Diogo Pombo

Hannah Peters

Partilhar

1. As marés vivas, finalmente

Sabe os surfistas, as pranchas, as manobras, o nível a que eles chegam, tudo o que passamos um ano a ver longe, pela televisão ou por streamings de internet, que hoje a tecnologia é muito amiga, que são o melhor que há no surf? Chegou a altura do ano, ansiada, em que, durante quase um mês, esta enormidade de coisas boas está concentrada em Portugal.

Entre o fim de setembro e o final de outubro, esses surfistas, essa capacidade de estar de pé, em equilíbrio, sobre uma prancha, a desafiar gravidades em ondas para amealhar pontos para as contas dos circuitos mundiais, estão cá. A dividirem-se num trecho de costa de 100 quilómetros, mais coisa, menos coisa. A primeira competição, o EDP Billabong Cascais Pro, arranca terça-feira como uma das cinco provas do circuito de qualificação (QS) que mais pontos dá a quem a vencer (são 10.000). Frederico Morais, único português no principal circuito (CT), vai participar, assim como Vasco Ribeiro, campeão nacional, e Miguel Blanco.

No dia seguinte tem início o Cascais Women’s Pro, etapa do world tour feminino que, nos últimos dois anos, foi conquistada por Courtney Conlogue. A americano, como há 365 dias, é segunda classificada no circuito, desta vez atrás de Sally Fitzgibbons, australiano de sorriso permanente que está há quase 10 anos a competir entre as melhores, sem nunca ter fechado uma época com o título. Entre elas estarão Carol Henrique, bicampeã nacional, e Teresa Bonvalot.

O melhor de tudo isto é que a natureza, para variar com as mais recentes edições, parece que vai ser amiga - e as ondas vão estar boas.

Sean Rowland

2. O râguebi que vale a pena ver

Isto de trinta tipos grandes, fortes e pesados, a jogarem com uma bola oval, é como qualquer outra modalidade e, a cada quatro anos, tem um Campeonato do Mundo. O lado mau é que nos obriga a esperar, e a envelhecer, esse tempo todo, para vermos as melhores seleções do mundo a darem espetáculo. Ou talvez este parágrafo seja inútil, em parte.

Porque todos os anos é ano de Rugby Championship, torneio que antes era conhecido como o Três Nações, que a partir de 2012 adotou este nome com a entrada da Argentina. E serão os Pumas a receberem uma das equipas mais temida do desporto, a Nova Zelândia. Será no sábado (23h40), em Buenos Aires, cidade onde já estão os All Blacks, que aproveitaram para irem assistir ao último jogo do River Plate, no Estádio Monumental. Sorte a deles.

No mesmo dia, umas horas antes, há o África do Sul-Austrália (16h05), duas seleções que têm vindo a decair deste o Mundial de há dois anos, cada vez mais incapazes de reter os melhores jogadores perante o assédio financeiros dos clubes europeus. Cada vez mais inferiores à Nova Zelândia (há semanas, os sul-africanos perderam por 57-0 contra os All Blacks, a maior derrota de sempre em terra de quem joga de negro). Cada vez mais motivos para nos preocuparmos com a competitividade no râguebi.

Instagram

3. Embrulhar tudo com um clássico

O primeiro jogo dos grandes esta época, cá dentro, é já no domingo (19h15, Sport TV1), e vai ter mais emoção do que se esperava - o FC Porto demonstrou força neste fim de semana (5-2, ao Portimonense), o Sporting padeceu de soluços (1-1, com o Moreirense) e, como tal, os dragões vão chegar a Alvalade na liderança e com mais dois pontos do que os anfitriões.

Na época passada, os duelos foram ganhos por quem em casa estava (sempre por 2-1) e os rivais igualaram-se no confronto direto. Agora, o novo FC Porto de Sérgio Conceição, fã de ritmos acelerados e intensos, de pressionar alto a saída de bola adversária e reagir rápido às bolas que perde, está devorador no consumo interno. Venceu todos os sete jogos e tem o melhor ataque (19 golos) e a melhor defesa (três golos).

O Sporting arrancou a época também com fome, a golear e a não sofrer golos, sol que brilhou até sábado, quando empatou e emperrou uma máquina que parece estar bem mais afinado do que na última temporada. A equipa já flui no velho jogo interior de que Jorge Jesus tanto gosta, e treina, e está com novas alternativas para chegar à baliza, além da via Bas Dost, que parecia ser a única forma de a equipa marcar golos há uns meses.

Também no domingo, a olhar para tudo isto, estará o Benfica, que entra em campo mais tarde (21h30, Sport TV1), contra o Marítimo, com a certeza de que poderá ganhar pontos a qualquer um dos rivais, ou até a ambos.

MIGUEL RIOPA