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Esta semana terá um berbicacho de Champions, o ténis de seleções e um surfista no sítio onde já foi feliz

A semana que agora começa vai ser para os três clubes portugueses decidirem a sua vida (ou morte) na Liga dos Campeões, para a França e a Bélgica fecharem o ano no ténis com a Taça Davis e para vermos se Frederico Morais, um ano depois, volta a sorrir no Havai

Diogo Pombo

Se fizer o que lhe compete, Rui Vitória bem terá que pedir um favor a José Mourinho e ao seu Manchester United para o Benfica seguir vivo na Liga dos Campeões.

Michael Regan

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Uma coleção de imbróglios na Liga dos Campeões

Um sarilho. Um quebra-cabeças, um berbicacho e uma carga de trabalhos. Podia-se escolher uma destas expressões, e outras tantas, para se aplicar ao que, pelo menos, duas equipas cá do burgo terão de fazer para continuarem vivas na competição que mais prestígio, dinheiro e vontade dá aos clubes e a quem joga. A Liga dos Campeões não está nada fácil para o Sporting e, sobretudo, para o Benfica.

O caminho da equipa de Rui Vitória é o mais complicado porque a trapalhada encarnada não é auto-suficiente - eles não dependem só deles. O Benfica joga em Moscovo, contra o CSKA (quarta-feira, 17h, Sport TV1), o primeiro do par de jogos que lhe faltam na prova. Tem de vencer para ficar com três pontos e manter a esperança de chegar à derradeira jornada com seis, caso ganhe, depois, ao Basileia em casa.

O maior berbicacho é a pobreza do que o Benfica já fez nesta Champions: marcou um golo, sofreu sete e por isso tem de vencer as duas partidas por muitas golos de diferença (3-0 na Rússia e 5-0 na Luz, por exemplo) e esperar que o Manchester United não deixe os russos e os suíços fazerem mais pontos.

Menos problemático, mas ainda à mercê da prestação de terceiros, está o cenário para o Sporting. Os leões, a fazerem pela vida num grupo com Barcelona e Juventus, estão com quatro pontos e a um dos italianos, mas têm mais três que o Olympiakos, com quem jogam na quarta-feira (19h45, Sport TV1), em Alvalade. Basta-lhes empatar para garantirem o contentamento da Liga Europa. Para se agarrarem à prova que toda a gente almeja, terão de vencer as duas partidas que restam e fazer figas para que a Juventus some, apenas, um ponto. É mais simpático, mas não deixa de ser um imbróglio.

Resta o FC Porto, que joga primeiro que os dois rivais (terça-feira, 17h, RTP1), em Istambul, contra o adversário mais difícil e forte do grupo. O Besiktas surpreendeu os dragões na primeira jornada com a intensidade, a posse de bola e o controlo que a equipa de Sérgio Conceição terá a segunda oportunidade de contrariar. Está no segundo lugar, com seis pontos, e se vencer e o Leipzig não ganhar no Mónaco até pode garantir já o apuramento para os oitavos-de-final.

O onze do Benfica que perdeu o quarto jogo na Liga dos Campeões, há semanas, em Manchester

O onze do Benfica que perdeu o quarto jogo na Liga dos Campeões, há semanas, em Manchester

OLI SCARFF

A altura do ano em que os países torcem pelo ténis

O calendário do ténis é dos mais tramados que há. Resumindo, é um mundo em que centenas de tenistas lutam para subir no ranking, escalada que implica amealhar pontos que se obtêm com vitórias, que se conseguem em torneios, que se jogam todas as semanas. Ora, quanto mais se jogar e ganhar, mais pontos se reúnem e isto é uma vida de ir a todas e a todo o lado que mastiga corpos, gasta energia e come a paciência. É por isso que, entre o fim da época e o arranque da seguinte, às vezes nem duas semanas de descanso eles têm.

E quem, por fim, nasceu nos dois países que avançam até à final da Davis Cup, ainda fica com menos tempo dirigido ao lazer. É o que vai acontecer aos franceses Jo-Wilfried Tsonga, Lucas Pouille, Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut, e aos belgas David Goffin, Steve Darcis, Ruben Bemelmans e Arthur de Greef. Eles são os convocados da França e Bélgica, países que não se defrontam desde 2001, para a decisão da Davis Cup, prova de seleções organizada pela ITF nos intervalos da chuva do calendário da ATP.

A final joga-se entre 24 e 26 de novembro (Sport TV), em Lille, cidade gaulesa que favoreceria quem joga em casa, não fosse o facto de estar a menos de 30 quilómetros da fronteira com a Bélgica. Pode-se esperar um ambiente dos bons, como é costume nesta prova.

Yannick Noah, o capitão da seleção francesa, a posar com estilo para a fotografia

Yannick Noah, o capitão da seleção francesa, a posar com estilo para a fotografia

PATRICK KOVARIK

Voltar a surfar onde se foi feliz

Há um ano, mais ou menos, estávamos em Portugal com o frio, os casacos, a chuva, com mais frio e roupa e água a cair do céu do que agora (o que é mau), a receber notícias vindas de dois oceanos de distância, a dizerem-nos que um português de fato de banho, rodeado por calor e dentro de água quente, estava a brilhar. Era Frederico Morais e ele tinha acabado de chegar à final de uma prova, no Havai, onde apenas perdeu para John John Florence, que mora nessa ilha, em Oahu, e já era campeão mundial de surf.

Esta semana o português está de volta à praia de Haleiwa para uma das últimas etapas do circuito de qualificação do qual, no fundo, já não precisa. Há quase 365 sóis, Kikas estava a remar na pressão de querer chegar ao Championship Tour onde agora está e vai ficar. Ele é o 13º melhor surfista do ranking, garantiu pontos suficientes para lá permanecer e não necessita de um qualquer resultado em Haleiwa, onde já está na quarta ronda - coincidência, vai surfar contra Miguel Pupo, Victor Bernardo e, outra vez, John John.

As ondas havaianas fazem-lhe bem porque, sendo grande, verticais, pesadas e com paredes retas que quebram, sobretudo para a direita, ele encara-as de frente e desenha linhas rasgadas com força. Estar no Hawaiian Pro (12 a 24 de novembro) adequa-se ao estilo de Frederico Morais e acaba por ser um ótimo treino - ainda há outra prova na praia de Sunset, o Vans World Cup of Surfing, de 25 de novembro a 6 de dezembro - para a derradeira etapa do circuito mundial, o Billabong Masters em Pipeline, que arranca a 8 de dezembro e completa a Triple Crown havaiana.

Sendo dos sítios onde o português mais gosta de surfar e mais sucesso teve, podem-se esperar coisas boas.

O ano passado, Frederico Morais chegou à final do Haleiwa Pro, onde só foi batido por John John Florence, que já era campeão mundial

O ano passado, Frederico Morais chegou à final do Haleiwa Pro, onde só foi batido por John John Florence, que já era campeão mundial

FOTO Morgan Hancock/Action Plus / Getty Images