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Oito anos e uma semana depois, Tiger Woods voltou a sorrir: “Amo a vida”

Os últimos anos não foram fáceis para o mais mediático golfista da história: entre escândalos da vida pessoal, lesões graves, operações e longos hiatos competitivos, a carreira de Tiger Woods atingiu o fundo do poço em julho, quando saiu do top 1000 (sim, mil) do ranking mundial. Mas esta semana, no Hero World Challenge, torneio que juntou os 18 melhores golfistas do Mundo, voltámos a ver um pouco do Tiger de antigamente

Lídia Paralta Gomes

Mike Ehrmann/Getty

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Os americanos adoram efemérides e não deixam passar nem uma. Por exemplo, no início da última semana, foram muitas as publicações que se dedicam ao desporto que assinalaram o fatídico dia 27 de novembro de 2009. E o que é que se passou a 27 de novembro de 2009? Bem, foi o dia em que um jipe Cadillac Escalade avançou desgovernado pelas ruas de Isleworth, na Flórida, batendo em tudo o que lhe aparecia à frente, desde bocas de incêndio até carros vizinhos.

Isto à partida não seria notícia em lado nenhum. Mas dentro do carro estava Tiger Woods.

Não estaremos a exagerar nem um bocadinho se dissermos que a partir desse momento a vida de Woods, o homem que até há bem pouco tempo era o desportista que mais dinheiro tinha ganho em competição - foi recentemente ultrapassado por Roger Federer - nunca mais foi a mesma.

Porque a partir daí a comporta da roupa suja abriu. Ou melhor, escancarou: o que tinha começado como uma notícia num tablóide norte-americano de um suposto caso extra-conjugal do golfista, que levou a uma discussão com a mulher de tal forma grave que provocou o tal acidente nas ruas de Isleworth (rumores dizem que Elin Nordegren perseguiu Woods com um taco de golfe), tornou-se nas semanas seguintes numa montanha de revelações, com dezenas de mulheres a confessarem de escapadelas e aventuras sexuais com Tiger, numa proporção de fazer Hank Moody - e o próprio David Duchovny, já agora - corar de vergonha.

Seguiram-se os trambolhões do costume em casos como este, mesmo estando nós falando do desportista mais rentável do planeta: os patrocinadores começaram a fugir, os amigos a desaparecer e uns quantos meses de reabilitação para a adição sexual.

Aquele final de 2009 foi demasiado para a carreira de Tiger, que nunca mais se recompôs.

Entre uma imagem pública manchada e lesões graves no joelho esquerdo e costas, o golfista nunca mais ganhou um major - o último dos 14 que tem foi o US Open de 2008 - e em julho deste ano saiu do top 1000 do ranking, dois meses depois daquele que parecia o fundo do poço para Tiger Woods: em maio foi detido, acusado de conduzir sob influência de álcool e drogas. O golfista negou, mas o cocktail não era menos forte: uma mistura de analgésicos fortíssimos, medicamentos para dormir, para o sono e para a ansiedade, que tomava para acalmar as dores nas costas, que operou quatro vezes nos últimos anos.

Mas finalmente, oito anos e uma semana após aquele 27 de novembro de 2009, uma boa notícia para Tiger Woods, que no final do ano completará 42 anos. Após 301 dias afastado da competição, num dos inúmeros hiatos competitivos que viveu na última década, o antigo n.º 1 mundial voltou aos dias de glória, ao ser 9.º no Hero World Challenge, torneio organizado pela sua fundação e que juntou nas Bahamas os 18 melhores jogadores do Mundo.

Mike Ehrmann/Getty

Um 9.º lugar não é uma vitória, é certo, mas foi o nível de jogo que Tiger Woods conseguiu manter ao longo dos quatro dias de competição que fez crescer o brilho nos olhos dos adeptos de golfe, há muito órfãos a maior figura da modalidade do início do século. O próprio Woods, que chegou mesmo a liderar a certa altura o torneio, admitiu que há muito não se sentia assim, não só a nível desportivo como emocional.

“Amo a vida e estou feliz. As minhas costas melhoraram, voltei a conseguir dormir e não tenho dores”, sublinhou ainda antes do regresso à competição. Quem esteve nas Bahamas, assegura que Tiger está mais relaxado e humilde que nunca - passou por tanto nos últimos anos que só o facto de estar a jogar a um nível semelhante ao dos melhores do mundo é uma vitória e tanto.

Já depois do final do torneio, Woods deu por si por si feliz por estar... inteiro. "O importante é que o corpo não se queixou. Sabia que podia jogar, caso contrário nem cá tinha vindo", disse o golfista, satisfeito pelos "sinais positivos". Tão positivos que a vitória de Rickie Fowler passou para segundo plano.

O bom regresso de Tiger Woods não significa que o golfista, ainda hoje o recordista de semanas no topo do ranking (683), saiba exatamente o que vai acontecer daqui para a frente. “Não sei como será o meu calendário. As minhas expectativas são jogar no próximo ano”, disse. “Quantos torneios? Onde? Ainda não sei, mas vou analisar a situação”.

Para já, nada como uma boa subida no ranking para animar Tiger, que esta semana subiu do 531 lugares na hierarquia mundial, para o 668.º posto.