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Boris Becker exige “consequências” para o deputado que chamou “pequeno meio-negro” ao seu filho

O parlamentar em causa, juiz de profissão, já antes tinha gerado polémica com afirmações na mesma linha

Luis M. Faria

Andreas Rentz

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O deputado alemão Jens Maier, do partido de extrema-direita AfD, não sabia no que se estava a meter quando chamou “pequeno meio-negro” ao filho mais velho de Boris Becker num tweet – ou então sabia demasiado bem.

Noah Becker, um DJ de 23 anos que é filho de Becker e da sua ex-esposa Barbara, uma modelo com ascendência negra, reagiu calmamente. Mas o pai dele ficou furioso.

“Um membro da AfD como Maier não diz estas coisas por estupidez”, explicou o tenista. Apelando ao fim da impunidade - a lei alemã pune afirmações abertamente racistas - Becker está a considerar a possibilidade de processar Maier. Pela sua parte, Noah já apresentou uma queixa-crime.

Maier não é estranho a este género de polémica. Na sua anterior profissão, de juiz, já tinha censurado por “prejudicar a reputação dos tribunais” devido a observações feitas numa conferência onde atacou a “criação de raças mistas” e a “cultura de culpa” alemã (i.e. expressões de remorso em relação ao Holocausto).

Becker acha que, tal como nesses casos, a provocação agora foi intencional. “É o que a AfD faz sempre. É o truque deles. Dizem uma coisa publicamente e a seguir distanciam-se”. Notou que o seu filho tem mais paciência do que ele: ”Noah usou uma bela formulação. Disse que aqueles que não conhecem o mundo, que não viram pessoas com cores de pele diferentes e que pensam de forma diferente, ficam com medo quando essas pessoas aparecem na Alemanha”

“Noah quer combater o ódio com o amor”, concluiu Becker. “Mas tenho de admitir que ele está um passo a minha frente. Eu quero que primeiro haja consequências”.