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Coreia do Norte vai enviar delegação aos Olímpicos de Inverno no Sul

É a primeira aproximação entre as duas Coreias depois de um ano de crescente isolamento de Pyongyang por causa dos seus programas nuclear e de mísseis balísticos

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A Coreia do Norte vai enviar uma delegação de atletas, representantes do governo e apoiantes da equipa aos Jogos Olímpicos de Inverno 2018, que vão ter lugar em fevereiro na cidade sul-coreana de PyeongChang. A notícia foi avançada no rescaldo do primeiro encontro de alto nível entre os dois países em mais de dois anos, depois de um ano de crescentes tensões entre Pyongyang e o resto do mundo, em particular com os Estados Unidos e a administração de Donald Trump.

Durante o encontro, Seul propôs ainda que se aproveite o evento desportivo para se organizar um novo encontro entre famílias separadas pela guerra da Coreia, que terminou em 1953 com a assinatura de um armistício mas não de um acordo de paz. Desde essa altura que a Coreia do Sul tem exercido constantes pressões sobre o Norte para que aceite mais reuniões entre famílias desfeitas, encontros esses que deverão ter lugar na passagem de ano lunar, o chamado ano novo chinês, que este ano calha a meio dos Jogos Olímpicos de Inverno, a 16 de fevereiro.

Seul também aproveitou a reunião desta terça-feira para sugerir que atletas das duas Coreias marchem em conjunto na cerimónia de abertura do evento, uma rara demonstração de união da península em mais de uma década. A última vez que representantes dos dois países marcharam em conjunto sob o signo da bandeira da Península Coreana foi nos Olímpicos de Inverno de 2006, em Turim, Itália. Ainda não se sabe qual foi a resposta de Pyongyang a esta proposta.

As antecipadas conversações de alto nível entre os dois países tiveram lugar esta manhã na chamada "aldeia da trégua", Panmunjom, na fronteira desmilitarizada da península (DMZ). Logo a seguir, o vice-ministro sul-coreano para a Unificação, Chun Hae-Sung, disse aos jornalistas que "o lado do Norte propôs enviar uma delegação de alto nível, uma delegação do comité nacional olímpico, atletas, apoiantes, artistas, observadores, uma equipa de demonstração de taekwondo e jornalistas" para os Jogos do próximo mês. Também segundo Chun, Seul propôs ao Norte que se organizem conversações militares para breve.

No final do ano passado, o responsável de PyeongChang, onde os Olímpicos de Inverno terão lugar, tinha garantido que atletas norte-coreanos seriam autorizados a atravessar a DMZ para poderem competir na Coreia do Sul. "Todas as nações são bem-vindas, incluindo a Coreia do Norte", declarou na altura Lee Hee-beom à Reuters. Contudo, só no início deste ano, no seu discurso de ano novo, é que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, confirmou estar a considerar essa hipótese.

Aproveitando o estender de mão de Kim, o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, propôs que se organizasse o encontro que acabou por ter lugar esta terça-feira, com o intuito de discutir a participação de atletas norte-coreanos nos Jogos. O convite só foi aceite após Seul e os Estados Unidos terem concordado adiar os seus exercícios militares conjuntos para depois dos Olímpicos, exercícios esses que Pyongyang olha com desconfiança e que diz serem uma preparação para a invasão da Coreia do Norte.