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Pena de prisão de 40 a 175 anos para médico da seleção dos EUA que abusou de ginastas

Um total de 156 atletas, entre as quais as ginastas medalhadas Aly Raisman e McKayla Maroney, foram ouvidas em tribunal durante os últimos sete dias. Larry Nassar admitiu os crimes: “As vossas palavras tiveram um grande efeito sobre mim e abalaram-me muito. Vou carregá-las comigo até ao fim dos meus dias”

Helena Bento

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Larry Nassar, antigo médico da seleção dos EUA, foi condenado a uma pena de prisão entre os 40 e os 175 anos por ter abusado sexualmente de atletas que teve durante anos a seu cuidado.

Um total de 156 atletas, entre as quais as ginastas medalhadas Aly Raisman e McKayla Maroney, foram ouvidas em tribunal durante os últimos sete dias. Larry Nassar, que também treinou atletas na Universidade Estadual do Michigan, já tinha admitido em novembro ter abusado sexualmente de sete atletas suas. O antigo médico fora recentemente condenado a 60 anos de prisão por crimes federais ligados a pornografia infantil.

Segundo Angela Povilaitis, advogada das vítimas, Larry Nassar “usou o seu prestígio para conquistar a confiança das suas atletas e explorá-las, deixando muitas delas emocionalmente destruídas por um homem em quem confiavam e de quem gostavam”. “Larry encontrou na ginástica competitiva o lugar perfeito para a sua manipulação.”

Antes de ser lida a sentença pela juíza Rosemarie Aquilina, o médico norte-americano leu uma curta declaração em que afirmou estar arrependido pelo que fez. “As vossas palavras ao longo destes sete dias tiveram um grande efeito sobre mim e abalaram-me muito. Vou carregá-las comigo até ao fim dos meus dias.” Em resposta a isso, a juíza disse: “Espero bem que sim, espero bem que sim”.

Rachael Denhollander, uma das três vítimas ouvidas esta quarta-feira em tribunal - e a primeira de todas as atletas abusadas a apresentar queixa contra o antigo médico da seleção americana de ginástica, na sequência da investigação tornada pública pelo jornal “IndyStar”, com sede em Indianapolis, em agosto de 2016 - afirmou estar “absolutamente satisfeita” com a sentença. “Para mim, era claro que havia muito mais vítimas além de mim. A dúvida era se elas iriam ou não admitir isso.”

A primeira mulher a ser ouvida em tribunal, na semana passada, foi Kyle Stephens, que não é atleta e disse ter sido abusada sexualmente por Larry Nassar, “um amigo de família”, entre os seis e os 12 anos. “Talvez só agora tenhas percebido, mas as meninas não ficam meninas para sempre. Elas crescem e transformam-se em mulheres fortes capazes de destruir o teu mundo”, afirmou em tribunal. Outra das vítimas do antigo médico foi a campeã olímpica Simone Biles, que numa mensagem publicada no seu Twitter admitiu este mês ter sido abusada sexualmente por Larry Nassar. “A maior parte de vocês conhece-me como uma jovem mulher feliz, sorridente e cheia de vitalidade. Mas recentemente senti-me esmagada e quanto mais procurava calar a voz na minha cabeça, mais a ouvia. Já perdi o medo de contar a minha história”, disse então a jovem norte-americana.

O caso levou à demissão, na segunda-feira, de três membros da Federação de Ginástica dos EUA. Um diretor executivo da federação já se havia demitido em março do ano passado. Também a presidente da Universidade Estadual do Michigan, Lou Anna Simon, está em vias de perder o cargo face aos vários apelos feitos entretanto para que se demita. Larry Nassar foi ali médico desportivo entre 1997 e 2016.