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Tiger: o homem e o eterno retorno

Desde cedo mostrou o jeito que tinha para o golfe, teve uma carreira brilhante como estudante e mesmo ainda como amador. Aos 20 anos tornou-se jogador de golfe profissional e menos de um ano depois já tinha vencido três PGA; pouco depois atingiu o nº1 do ranking mundial. O mundo do golfe apostava tudo em Tiger Woods, jogador, marido e pai, até rebentar a bomba em 2009

Cátia Leitão

Mike Ehrmann/Getty

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A vida do adorado Tiger Woods foi derrubada por várias mulheres em todo o mundo que vierem a público contar as suas histórias com o profissional do golfe. Daí até ao fim do casamento foi um piscar de olhos. Woods era casado com Elin Nordegren desde 2004 e com ela tinha dois filhos, Sam e Charlie. O escândalo tomou proporções tão grandes que Woods teve de fazer uma pausa na carreira.

Depois, a forma física de Woods foi descendo e em novembro de 2011, a promessa do golfe caía para nº 58 do ranking mundial e via assim a sua carreira entrar num buraco negro e muitos acreditavam que ele não iria recuperar.

E quando o mundo achava que Tiger Woods já tinha ultrapassado todos os limites em matéria de escândalos, este deu mais uma tacada e foi apanhado pela polícia na cidade de Jupiter, no sul da Flórida, por conduzir alegadamente sob influência de substâncias tóxicas, álcool e marijuana. Mais tarde, a estrela do golfe foi submetida a testes que vieram a revelar que não estava sob o efeito de nenhuma substância ilegal.

Woods veio então explicar que a desorientação que tinha quando foi apanhado pela polícia estava relacionada com medicação. "Estou a receber ajuda profissional para gerir a medicação que tomo para as dores nas costas e distúrbios de sono", garantiu.

Passados os escândalos, a preocupação do golfista passou a ser a nível físico.

Nos últimos três anos, Tiger Woods foi operado quatro vezes às costas e em julho de 2017 caiu para nº 1005 no ranking mundial de golfe. Pela primeira vez na carreira, Woods ficava abaixo da posição 1000 e tinha nesta altura, 14 títulos do Grand Slam, o último ganho na edição 2008 do Open dos Estados Unidos.

Mas Tiger quis mostrar que ainda não estava acabado.

Depois de nove meses de ausência, parecia que o golfista podia mesmo estar de volta e pronto a reconquistar o lugar como melhor no mundo do golfe.

O primeiro sinal foi dado em dezembro, quando participou no Hero World Challenge que juntou os 18 melhores do mundo. A prova foi ganha por Rickie Fowler, mas Woods arrecadou um confortável nono lugar, com 280 pancadas (oito abaixo do par) e a 10 do vencedor. “Estou muito satisfeito, de um ponto de vista geral. Dei sinais positivos e espero um futuro radioso”. Num torneio de exibição, que pouco ou nada contava, Tiger mostrou os dentes. Outra vez.

Veio o ano novo e Woods voltou também ao circuito profissional norte-americano de golfe (PGA). Agora no Farmers Insurance Open, em San Diego (EUA), Tiger Woods anda pelos 30 primeiros. Diz que ama a vida, que está feliz, que está melhor das costas e a adormecer muito melhor também.

Depois de vários escândalos e de muitas críticas, Woods tenta agora dar outra tacada, provavelmente a derradeira, a favor da sua carreira para voltar às bocas do mundo, desta vez pelas melhores razões.

E os fãs, incondicionais, continuam a apoiá-lo. E os adversários também. “Fico sempre impressionado quando jogo com ele. Mesmo quando faz tacadas fracas, consegue sempre dar a volta à situação e pontuar. Foi muito bom vê-lo lutar pela seu lugar”, disse Patrick Reed.

Falta agora a prova final de que Woods está definitivamente de volta - a consistência. Se o norte-americano andar consecutivamente entre os melhores e nas melhores provas, é possível que o voltemos a ver fazer das suas. A lenda continua.