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Fernando Pimenta, o canoísta que chegou “para apimentar o Benfica”

O campeão mundial de 5.000 metros em K1 trocou o Clube Náutico de Ponte de Lima, único clube que representara, pelo Benfica, a meio caminho do ciclo olímpico até Tóquio, em 2020. O clube da Luz também contratou Hélio Lucas, treinador de Fernando Pimenta há 18 anos

Diogo Pombo

AFP

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Tem 28 anos, a pagaiar até aos 29, é forte e corpulento na musculatura que o cobre e na força de vontade que sempre o vimos ter a ir atrás do que pretende para a vida dele. Uma pretensão, com o tempo, que fez do seu nome e apelido sinónimos de medalhas para Portugal, o país cuja noção do que ele já conseguiu andará, por vezes, desatualizada - porque Fernando Pimenta é alguém que não cessa de ganhar. E, mesmo assim, de surpreender.

Ele tem 109 medalhas guardadas e encavalitadas lá em casa, um terço vindas de Mundiais, Campeonatos da Europa ou Taças do Mundo, e agora terá o Benfica a apoiá-lo em tudo e mais alguma coisa.

Fernando Pimenta, o canoísta que é campeão mundial a remar sozinho (K1) durante 5.000 metros, foi esta segunda-feira apresentado no Benfica. Findos 17 anos de ligação ao Clube Náutico de Ponte de Lima, terra onde nasceu, um dos mais titulados e medalhados atletas portugueses troca de clube pela primeira vez na carreira.

O canoísta foi medalha de prata em Londres, nos Jogos Olímpicos de 2012, na categoria de K2, com Emanuel Silva. Em agosto do ano passado conseguiu, pela primeira vez, o ouro no Campeonato do Mundo, em K1.

Durante a apresentação do atleta, esta segunda-feira, na Luz, Fernando Tavares, o vice-presidente do Benfica para as modalidades, revelou que os encarnados chegaram "a um acordo" com o Clube Náutico de Ponte de Lima, pressupondo que ficou estabelecido algum tipo de parceria. O dirigente acrescentou que Hélio Lucas, treinador que acompanha Pimenta há 18 anos, também vai passar a trabalhar no clube da Luz.

Facto que alegrou, e muito, o campeão do mundo. E isto foi o que teve a dizer sobre a mudança e tudo o que ela implicará para a sua vida:

Sobre a decisão de trocar de clube

“É um momento nostálgico. É um passe importante enquanto atleta e pessoa, espero contribuir com vitórias e continuar na senda dos bons resultados que tenho tido nos últimos anos. Continuar o trabalho agora, claro, com o acrescento que é representar uma estrutura enorme no desporto português.

O projeto olímpico do Benfica, fiquei agora mais a par, terei outras condições que muitas vezes me faltavam, desde conseguir fazer alguns estágios e preparação, que é muito importante em alta competição, para resultados que se definem por milésimas de segundo.”

O ciclo olímpico em que terá mais condições

“Já temos os olhos postos em 2020, em Tóquio, mas temos sempre etapas até lá. A curto e a médio-prazo temos o Campeonato da Europa, em junho, e depois há o Campeonato do Mundo cá. Temos que trabalhar até lá e ainda haverá os Jogos Europeus e os Jogos do Mediterrâneo.

Neste momento, estou focado nas provas individuais. Foi uma aposta da federação, com os resultados que todos temos conhecimentos.”

Porquê só agora?

“Essa parceria foi, provavelmente, uma das coisas mais importante. Fico muito grato ao Benfica por dar essa oportunidade ao Clube Náutico de Ponte de Lima. Foram 18 anos a competir por outro emblema e não os deixo de apoiar, merecem e vão sempre merecer o meu apoio. Não vou deixar de ser limiano. Agora, estou num outro clube, acho que as pessoas vão perceber isso. Há possibilidades que temos de agarrar, comboios que só passam uma vez, e esta foi a altura em que conseguimos chegar a acordo. Deixar o namoro e passar a outra fase.

A mala agora vai mais pesada: a bandeira de Portugal, a de Ponte de Lima e a do Benfica.”

Hélio Lucas, o treinador de sempre

“Era impossível o atleta desvirtuar-se do treinador depois de 18 anos. Era impensável, depois do sucesso que temos vindo a ter, não continuar com ele. Ainda bem que a estrutura assim o percebeu e aprovou. Era importante para mim, em termos psicológicos e motivacionais vou ter outra força.

Estou aqui para apimentar um pouco mais o Benfica. Estou aqui para conquistar resultados internacionais, que é o que o Benfica mais ambiciona. Não posso redefinir nada, sempre queremos o máximo, o melhor possível. É impossível redefinir os objetivos, são os mesmos.”