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Mundial 2018

A 99 dias do Mundial, os 99 problemas do meio-campo de Portugal

Com o Mundial à porta, decisões têm de ser tomadas e o meio-campo português já não vai poder ser o mesmo do Euro 2016. Porque há médios (in)dispensáveis: uns jogam sempre, outros pouco têm jogado... Quem são, onde jogam e onde vão estar em junho

Hugo Miguel Ferreira

Adrien Silva e Renato Sanches no Euro-2016

Getty

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João Moutinho lutou pela bola, meteu-a em William Carvalho que, por sua vez, passou-a para Quaresma, este devolveu-a ao maestro Moutinho, que a colocou no pé do “patinho feio” que, pelo meio da defesa gaulesa, chutou para alegria de 11 milhões.

Sim, este é o golo de Eder na final do Euro 2016, que colocou Portugal no topo do futebol europeu.

E tudo começou onde? A meio-campo - e resultou da força, crença, técnica e garra dos médios portugueses. Fernando Santos levou sete médios consigo para França: André Gomes (Barcelona); Adrien (Leicester); Danilo (FC Porto); João Mário (West Ham); João Moutinho (AS Mónaco); William Carvalho (Sporting); e Renato Sanches (Swansea).

Nestes quase dois anos que passaram, alguns destes jogadores viveram épocas atribuladas, entre o pouco ritmo de jogo e as transferências que comprometeram o seu rendimento. Apenas Danilo, João Moutinho e William Carvalho se mantiveram no mesmo clube e a jogar regularmente (ainda que Moutinho com algumas lesões pelo meio...).

Foi também durante estes dois anos que surgiram alguns médios dignos de seleção - e ainda bem. A vida é feita de escolhas e Fernando Santos vai ter muitas pela frente: Manuel Fernandes (Lokomotiv Moscovo), Pizzi (Benfica); Bruno Fernandes (Sporting); Sérgio Oliveira (FC Porto); André Horta (SC Braga) e Rúben Neves (Wolverhampton) são alguns dos nomes mais apontados como possíveis entradas na seleção.

Todos em clubes diferentes mas todos com o mesmo destaque dentro das suas equipas, são médios ágeis, criativos, tecnicistas e a realizarem uma excelente época que os pode levar ao sonho de representar o país, naquela que é a maior competição futebolística do mundo.

O mais novo é Rúben Neves, internacional-sub21 que, com 20 anos, é um dos jogadores mais influentes do Wolverhampton e tem dado uma ajuda preciosa à sua equipa na subida ao principal escalão do futebol inglês. O mais velho é Manuel Fernandes, 32 anos, que recentemente já voltou a ser convocado para a seleção, depois de grandes exibições na Rússia - marcou 12 golos em 30 jogos e o Lokomotiv lidera a prova, à frente do Krasnodar, do CSKA e do Zenit.

Manuel Fernandes está de volta à seleção, aos 31 anos

Manuel Fernandes está de volta à seleção, aos 31 anos

Carlos Rodrigues/Getty

Pelo meio temos Bruno Fernandes, que chegou ao Sporting na atual temporada e agarrou de estaca a titularidade, e Pizzi que, com 28 anos, teve um início de época pouco inspirado, mas é sempre um dos escolhidos no meio-campo do Benfica. Sérgio Oliveira, 25 anos, foi formado no FC Porto e é na sua equipa do coração que tem vindo a ganhar cada vez mais espaço. Já André Horta encontrou no SC Braga - emprestado pelo Benfica - o seu espaço para brilhar.

Os campeões da Europa... que pouco jogam

Em sentido contrário estão alguns jogadores com a medalha de Campeão da Europa em casa. Falamos de Renato Sanches, que após uma excelente época no Benfica, em que conquista o campeonato, é chamado à seleção e desbloqueia um jogo em que estávamos a perder para a Polónia com uma “bomba” de fora da área.

Depois, com 20 anos, foi transferido para o Bayern de Munique, talvez um salto maior do que a perna, não que lhe falte qualidade para tal, mas sim por ficar “tapado” por grandes jogadores - não conseguiu encontrar o seu espaço quando jogou e acabou por ser emprestado ao Swansea, onde já jogou 15 vezes, mas continua sem conseguir afirmar-se - e, de momento, lesionado.

Quem também perdeu ritmo de jogo foi Adrien Silva, que neste caso ficou tapado mas pelo tempo: 14 segundos a mais do que o permitido, na transferência do Sporting para o Leicester, atiraram o médio para meia época sem ir a jogo. Voltou em janeiro, mas ainda só foi utilizado pelo clube inglês em oito jogos.

Para grandes clubes europeus foram também João Mário e André Gomes, nomeadamente Inter de Milão e Barcelona. No entanto, João Mário saiu para o West Ham, após ter sido muito contestado em Itália (e ainda só completou cinco jogos em Inglaterra...) - e igual contestação está a viver André Gomes na Catalunha. O ex-Benfica, 24 anos, até tem jogado - já esteve em 24 partidas -, mas as suas exibições não têm convencido os adeptos, que até o assobiaram no jogo mais recente da equipa, contra o Atlético de Madrid.

Sejam médios, defesas, avançados ou guarda-redes, os escolhidos para defender as cores de Portugal entram em campo dia 15 de junho, frente à Espanha. Só falta mesmo Fernando Santos escolhê-los. E o melhor de tudo seria mais uma vez ouvirmos o “senhor engenheiro” afirmar que só volta a Portugal a 16 de julho, para mais uma vez ser recebido em festa.