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Mundial 2018

Aqui vai uma ajudinha para logo à noite, mister Fernando: os 23 convocados da Tribuna Expresso para o Mundial

Fernando Santos vai anunciar os 23 convocados de Portugal para o Mundial na quinta-feira, às 20h15, depois de já ter divulgado uma lista de 35 pré-convocados. A redação da Tribuna Expresso dá uma ajuda ao mister revelando as suas escolhas

Texto Redação da Tribuna Expresso, Ilustração Tiago Pereira Santos

Reunidas as listas dos jornalistas da Tribuna Expresso, estes foram os 23 mais votados: Rui Patrício, Anthony Lopes, Beto, Cédric, Mário Rui, Ricardo Pereira, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, Bruno Alves, Rolando, William, Bruno Fernandes, João Moutinho, Rúben Neves, João Mário, Bernardo Silva, Manuel Fernandes, Ronaldo, Quaresma, Guedes, Gelson e André Silva

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Quinta-feira, às 20h15, é provável que grande parte do país pare em frente à televisão. É a essa hora que Fernando Santos, a partir da Cidade do Futebol, vai anunciar os 23 convocados da seleção campeã europeia para o Mundial na Rússia.

E é a essa hora, também, que vai começar a discussão: ai vai esse e não aquele? Então e o herói nacional Eder (não) vai? Etc, etc, etc.

Só que, verdade seja dita, há muita qualidade entre os 35 pré-convocados por Fernando Santos (e não só), pelo que escolher apenas 23 é uma tarefa bem mais difícil do que parece. Ora (re)veja.

A lista de 35 pré-convocados

Guarda-redes: Anthony Lopes (Lyon), Beto (Goztepe) e Rui Patrício (Sporting);
Defesas: Antunes (Getafe), Bruno Alves (Rangers), Cédric Soares (Southampton), João Cancelo (Inter), José Fonte (Dalian Yifang), Luís Neto (Fenerbahçe), Mário Rui (Nápoles), Nélson Semedo (Barcelona), Pepe (Besiktas), Raphael Guerreiro (Dortmund), Ricardo Pereira (FC Porto), Rolando (Marselha) e Rúben Dias (Benfica);
Médios: Adrien Silva (Leicester), André Gomes (Barcelona), Bruno Fernandes (Sporting), João Mário (West Ham), João Moutinho (Mónaco), Manuel Fernandes (Lokomotiv), Rúben Neves (Wolverhampton), Sérgio Oliveira (FC Porto) e William Carvalho (Sporting);
Avançados: André Silva (Milan), Bernardo Silva (Manchester City), Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Éder (Lokomotiv), Gelson Martins (Sporting), Gonçalo Guedes (Valência), Nani (Lazio), Paulinho (SC Braga), Ricardo Quaresma (Besiktas) e Ronny Lopes (Mónaco).

Mas, como diz o outro, se fosse difícil não era para nós: aqui ficam as escolhas da redação da Tribuna Expresso, depois de muita reflexão.

Fernando Santos lidera a seleção portuguesa desde 2014

Fernando Santos lidera a seleção portuguesa desde 2014

FRANCISCO LEONG/GETTY

Os 23 escolhidos pela Tribuna Expresso

Guarda-redes: Rui Patrício, Anthony Lopes, Beto;
Defesas: Cédric, Mário Rui, Ricardo Pereira, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, Bruno Alves, Rolando;
Médios: William, Bruno Fernandes, João Moutinho, Rúben Neves, Manuel Fernandes, João Mário;
Avançados: Bernardo Silva, Ronaldo, Quaresma, Guedes, Gelson e André Silva.

Recorde-se que, devido a lesão, o médio Danilo, do FC Porto, é baixa certa, assim como Renato Sanches, que fez uma temporada para esquecer no Swansea City e nem aparece na lista de pré-convocados. Fábio Coentrão (que inicialmente figurava em algumas listas da Tribuna Expresso...) renunciou ao Campeonato do Mundo devido a cansaço físico.

A 15 de junho, Portugal estreia-se no Mundial 2018 contra a Espanha, a seleção favorita do grupo B, que também é composto por Irão (de Carlos Queiroz) e Marrocos. A prova termina a 15 de julho.

Raphaël Guerreiro é internacional português e joga no Borussia de Dortmund

Raphaël Guerreiro é internacional português e joga no Borussia de Dortmund

KENZO TRIBOUILLARD/GETTY

Os 23 de Alexandra Simões de Abreu

Se há lugares nesta seleção que parecem indiscutíveis, como os de Cristiano Ronaldo, Rui Patrício, Quaresma, Pepe, João Moutinho ou William Carvalho, outros foram uma dor de cabeça, pelo menos para nós/mim. E quem sabe também para o próprio selecionador nacional.

A minha/nossa escolha neste caso foi apoiada no nucleo duro que conquistou o Euro 2016, nas últimas convocatórias do selecionador nacional, aliada à performance individual dos jogadores esta época.

De fora fica Coentrão, por opção do próprio, embora inicialmente fizesse parte do lote dos meus “indiscutíveis”. O que só prova que, afinal, nenhum lugar está garantido. No seu lugar, e apesar de não ter feito muitos jogos na temporada, a escolha vai para Raphaël Guerreiro, que parece merecer a empatia e confiança de Fernando Santos, e a nossa/minha também.

Guarda-redes: Rui Patrício, Anthony Lopes e Beto
Defesas: Nélson Semedo, Ricardo Pereira, Mário Rui, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, Bruno Alves e Rolando
Médios: William, Rúben Neves, João Mário, Moutinho, Bruno Fernandes e Manuel Fernandes
Avançados: Ronaldo, Bernardo, André Silva, Quaresma, Guedes e Gelson.

O lateral esquerdo do Nápoles estreu-se recentemente por Portugal

O lateral esquerdo do Nápoles estreu-se recentemente por Portugal

Getty Images

Os 23 de Diogo Pombo

Mais do que se basear no palpite, brincar à futurologia é ilógico, mesmo que seja obrigado a confiar na lógica de Fernando Santos para tentar pensar como ele pensará e, para a baliza, deduzir que haverá Beto a acompanhar Rui Patrício e Anthony Lopes: os dois primeiros são titulares em equipas boas e uefeiras, e foram campeões europeus há dois anos. Coisa que o terceiro também foi e, como de um terceiro guarda-redes no Mundial se quer boa companhia, bom balneário e bom ambiente, faz sentido convocar quem se conhece.

Na defesa que será trintona, pesada e a dar para o lenta nos movimentos e reações, onde a salvação em pessoa de Pepe está a recuperar de uma lesão, ter a rapidez e intensidade de Rúben Dias será mais do que uma alternativa - poderá ser uma solução. Com a renúncia do físico de Fábio Coentrão haverá, portanto, um Mário Rui habituado a outro estilo de jogo (de muito passe, posse de bola e tabelas), que a seleção desconhece, e um Raphaël Guerreiro que seria o cabeça de cartaz na posição não tivesse apenas 215 minutos de jogo em 2018.

Um adaptado Danilo poderia ter sido a melhor alternativa para o central problema na defesa, e seria, certamente, o melhor estímulo para o cronicamente pachorrento William Carvalho, pelo que é necessário arranjar outro, o mais do que elogiado passador de bola da segunda divisão inglesa, Rúben Neves. A lógica possível para os restantes foi respeitar o quão fulcrais foram há dois anos e têm sido desde o feliz dia em Paris: os Joãos Moutinho e Mário sempre jogaram muito na seleção e melhor do que nos clubes.

André Gomes teve uma época escassa, desmoralizada e com pouco ritmo, em quem será sempre arriscado apostar um revivalismo, muito mais quando há Bruno Fernandes, o médio que em melhor forma (embora carregado de jogos), para convocar. Adrien Silva arrancou a sua temporada em janeiro e só no último par de semanas teve a rotação do tipo que anulava adversários em específico, durante o Europeu. Qualidade que não partilha com qualquer outro centrocampista convocável e, confesso, me faz alguma comichão por o preterir a Manuel Fernandes.

Na frente, por muito que o segundo mais internacional no ativo tenha feito, e por mais que seja a enormidade da alegria que o maior merecedor de estátuas do atual futebol português nos deu, Nani e Eder já não têm lugar pelas épocas que fizeram. E pelas que Gonçalo Guedes e Gelson Martins conseguiram, tornando-os nos melhores e mais versáteis acompanhantes de Ronaldo e de quem mais correr para ele correr menos, André Silva; de Ricardo Quaresma, o maior perito em cruzar bolas para um certo alguém; e de Bernardo Silva, dono do almofadado e protetor pé esquerdo que muito jeito dará quando for preciso ter a bola o máximo de tempo possível.

Guarda-redes: Rui Patrício, Anthony Lopes e Beto
Defesas: Nélson Semedo, Cédric, Mário Rui, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, Bruno Alves e Rolando
Médios: William, Rúben Neves, João Mário, Moutinho, Bruno Fernandes e Manuel Fernandes
Avançados: Ronaldo, Bernardo, André Silva, Quaresma, Guedes e Gelson.

Pepe deverá fazer na Rússia a sua última competição internacional 
pela Seleção de Portugal

Pepe deverá fazer na Rússia a sua última competição internacional 
pela Seleção de Portugal

FOTO PEDRO NUNES/REUTERS

Os 23 de Isabel Paulo

Num grupo de 23 jogadores, 11 caras novas será refrescar demais a seleção que vai ao Mundial da Rússia defender os pergaminhos de campeã da Europa? Talvez seja pouco prudente, mas ser alérgico à mudança é definhar cada vez mais a curto prazo.

E o conservador Fernando Santos já deu o primeiro sinal da revolução em curso ao convocar para a lista alargada de 35 pré-selecionados uma equipa inteira de novatos.

Após o fim de linha de Ricardo Carvalho, ainda sobra a veterania de Bruno Alves e Pepe, e a experiência de João Moutinho, Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo manter a casa comum da seleção na ordem, até porque Cédric, Raphaël Guerreiro, André Gomes, Adrien, William Carvalho, João Mário ou Rui Patrício estão longe de serem estreantes nas andanças da equipa nacional.

Guarda-redes: Rui Patrício, Anthony Lopes e Beto
Defesas: Pepe, Bruno Alves, Raphaël Guerreiro, Nélson Semedo, Ricardo Pereira, Mário Rui e Cédric
Médios: Adrien Silva, André Gomes, Bruno Fernandes, João Mário, Moutinho, Sérgio Oliveira, William e Rúben Neves
Avançados: Paulinho, Ronaldo, André Silva, Quaresma e Gelson.

Cláudio Ramos, guarda-redes do Tondela

Cláudio Ramos, guarda-redes do Tondela

NurPhoto

Os 23 de Lídia Paralta Gomes

A lista de 35 pré-convocados entretanto anunciada frustrou desde logo uma das minhas apostas para a lista final de Fernando Santos: Cláudio Ramos, guarda-redes do Tondela e um dos candidatos àquilo que os norte-americanos gostam de chamar MVP, ou jogador mais valioso do campeonato - que não quer necessariamente dizer melhor jogador do campeonato, note-se. Seria redutor olhar para uma chamada ao cargo honorário de 3.º guarda-redes da Seleção como um prémio, mas Cláudio Ramos merecia.

Entre os defesas há muita gente nova face ao Euro 2016: Rolando, não sendo uma escolha óbvia, entra porque está no eixo da defesa o nosso maior problema em termos de profundidade; Rúben Dias, apesar da pouca experiência (e dos muitos ímpetos…) é o futuro. Na lateral-direta fica de fora Nélson Semedo, com uma época demasiado intermitente no Barcelona e, à esquerda, com a auto-exclusão de Coentrão, não restam muito mais opções que não Guerreiro e Mário Rui.

É possível que aqueles 14 segundos que impediram a sua inscrição no início da época tenham tirado a Adrien um lugar neste Mundial e a Fernando Santos um operário exemplar naquela linha média que tanto trabalhou em França. Não há outro Adrien, nem sequer outro Danilo, vamos lá encarar isso, mas Manuel Fernandes fez uma belíssima época precisamente na Rússia e Rúben Neves esteve um ano a ganhar tarimba em Inglaterra. Dir-me-ão que foi na 2.ª divisão. Certo. Mas vão lá dar um olhinho na competitividade do Championship.

No ataque não há muito a dizer. A velocidade de Gonçalo Guedes dá um jeitaço frente a equipas que jogam com linhas mais avançadas e mesmo após uma época muito abaixo das expectativas, André Silva continua a ser peça importante na Seleção, essencialmente pela forma como coabita com Cristiano Ronaldo na frente de ataque.

E agora é bola para a frente (ou para o lado quando for necessário, sejamos pragmáticos).

Guarda-redes: Rui Patrício, Beto e Cláudio Ramos
Defesas: Ricardo Pereira, Cédric, Mário Rui, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, Bruno Alves e Rolando
Médios: William, Rúben Neves, João Mário, Moutinho, Bruno Fernandes e Manuel Fernandes
Avançados: Ronaldo, Bernardo, André Silva, Quaresma, Guedes e Gelson.

Christian Hartmann

Os 23 de Mariana Cabral

Os meus colegas de Tribuna que me perdoem, mas esta é uma das poucas ocasiões em que vou puxar dos galões: i.e., dos galões que fazem de mim uma treinadora certificada com o nível UEFA B. É precisamente por isso que posso dizer, com segurança, que o exercício que se segue é engraçado, sim, mas totalmente descontextualizado daquilo que é o trabalho de um treinador.

Um treinador pensa, planeia treinos, volta a pensar, volta a planear, vê jogos, define estratégias, revê jogos, lê, reflete, concebe um modelo de jogo, faz ajustes, debate com o staff, volta a pensar, treina, avalia o treino, treina novamente, avalia novamente - e assim sucessivamente, num ciclo interminável num época desportiva, ainda que mais “leve”, digamos assim, para um selecionador, por não ter a equipa à sua disposição durante todo o ano.

Ou seja, por mais descabida que nos possa parecer esta ou aquela escolha do engenheiro (e é claro que todos mandamos este ou aquele bitaite às escolhas), a verdade é que ele e apenas ele sabe o que dá cada um destes jogadores à seleção - no campo, no modelo de jogo preferido, no balneário, na ligação com colegas, com o staff, etc, etc, etc.

Esta escolha só pode ser, portanto, um exercício altamente teórico e descontextualizado, baseado apenas no que vemos nos jogos destes jogadores, nos clubes e na seleção, e no que, em termos ideais, gostaríamos de ver Portugal jogar: a mim, por exemplo, importa-me se jogamos bem ou mal, mas compreendo quem pensa e defende o oposto.

E, posto isto, aqui ficam os meus 23 e o desejo de que sejamos campeões mundiais, seja lá quais forem os 23.

(Um longo) PS que valida tudo o que acabei de escrever: Provavelmente, nos meus 23 para o Euro 2016, não haveria Eder. Mas houve nos 23 do engenheiro. E foi (também) assim que conquistámos o Europeu. Hoje, no lugar de Fernando Santos, não sei se teria coragem de deixar Eder de fora. Aqui, sentada na minha secretária, é claro que a tenho. Mas... desculpa, Eder.

Guarda-redes: Rui Patrício, Beto e Cláudio Ramos
Defesas: Nélson Semedo, Cédric, Mário Rui, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, Bruno Alves e Rolando
Médios: William, Rúben Neves, João Mário, Moutinho, Bruno Fernandes e Manuel Fernandes
Avançados: Ronaldo, Bernardo, André Silva, Quaresma, Guedes e Gelson.

Carlos Rodrigues

Os 23 de Pedro Candeias

Por mais estranho que pareça, escolher 23 jogadores para irem ao Mundial é uma tarefa relativamente fácil para um jornalista - porque o jornalista não lida com as deceções e as eventuais azias de quem achava que devia ir e não vai; e porque o jornalista não tem de explicar ao peso-pesado que ele implica um lastro desnecessário na equipa. Posto isto, Portugal também não é o Brasil, o lugar onde proverbialmente se dá um pontapé numa pedra da calçada e de lá sai um Pelé proveta.

Assim, de cabeça, qualquer um consegue escolher rapidamente vários jogadores pelos méritos, pelas qualidades e pela habituação ao mundo particular da seleção e também porque Danilo se lesionou e Fábio Coentrão renunciou - e assim se justifica já a entrada de Mário Rui. Ora bem, os senhores seguintes são indiscutíveis: Cristiano Ronaldo, Rui Patrício, Anthony Lopes, Cédric, Quaresma, Pepe, João Mário, Bruno Alves, William Carvalho, Raphaël Guerreiro, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Gelson e André Silva.

Depois, nesta lista de 23 que aqui se traz à colação, aparecem Rúben Dias, Rolando e Manuel Fernandes, um por exclusão de partes, outro porque toda a gente precisa de uma história de ressureição, e o último porque redimir (e marcar 14 golos na Rússia) é melhor do que ressuscitar.

Gonçalo Guedes será útil em jogos de contra-ataque e de músculo e Rúben Neves foi o melhor jogador da segunda liga inglesa, que é mais competitiva do que a nossa primeira, e tem um passe longo e um remate de meia distância inusitados cá no burgo. Ricardo Pereira, do FC Porto, é o novo Bosingwa, pois joga em todo o lado e praticamente sempre bem. E, no final, Cláudio Ramos como terceiro guarda-redes, aquela figura que tende a ser decorativa, porque só joga se houver uma dupla hecatombe, cruzes credo. Acontece que o surpreendente Tondela ficou em 11.º e algum desse mérito cabe a Cláudio Ramos.

Guarda-redes: Rui Patrício, Beto e Cláudio Ramos
Defesas: Ricardo Pereira, Cédric, Mário Rui, Raphaël Guerreiro, Pepe, Rúben Dias, Bruno Alves e Rolando
Médios: William, Rúben Neves, João Mário, Moutinho, Bruno Fernandes e Manuel Fernandes
Avançados: Ronaldo, Bernardo, André Silva, Quaresma, Guedes e Gelson.