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Mundial 2018

Um trava-línguas de futebol: quanto é que Portugal ganha se a seleção ganhar o Mundial?

Estudo do IPAM estima um retorno potencial de cerca de € 700 milhões, se a equipa de Fernando Santos bisar na mãe Rússia o feito arrancado em terras gaulesas. Caso a seleção não passe da fase de grupos, o impacto económico previsível baixa para € 333 milhões. Portugal aguarda a profecia do seleccionador que, em 2016, vaticinou que só voltava a casa no final da prova

Expresso

Kai Pfaffenbach

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O Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) estima a vitória de Portugal no Mundial em € 678 milhões, quase o dobro do que arrecadará (€333 milhões) se a seleção do 'profeta' Fernando Santos não for além da fase de grupos, na prova russa. A análise da mais antiga e maior escola de Marketing portuguesa sobre o impacto económico para Portugal da participação da Seleção no Campeonato Mundial de Futebol FIFA 2018 , divulgada esta terça-feira, estima o pior e o melhor desempenho desportivo possíveis da equipa nacional, sendo certo que o país ficará a ganhar em qualquer cenário.

A investigação do IPAM observou o potencial deste impacto em dois cenários: vitória no Mundial e regresso a casa de CR7 e companhia após os jogos com Espanha, Marrocos e Irão. Se ao título Europeu somar o de campeão do Mundo, o retorno andará muito próximo € 700 milhões, correspondendo a € 65 por cada português e a 50 dias desde o estágio à comemoração; no cenário 2, o mais pessimista, o impacto económico ultrapassará mesmo assim os € 300 milhões, o que equivale a € 32 euros por cada português e a 34 dias desde o início do estágio ao terceiro jogo da fase de grupos.

No quadro ótimo, a seleção realizará os três jogos de estágio mais os sete jogos, sendo a previsão de € 678 milhões um valor distribuído pelas diversas fases, nas quais à medida que a competição avança diminuem o número de jogos mas aumenta a espiral de atenção dos adeptos até à final. Os impactos de receita decorrem de várias áreas que vão do consumo em casa (35%) ao consumo na restauração (15%), da publicidade (22%) às apostas online (6%) e prize Money (6%).

No cenário mais negro para Portugal, e considerando a presença nacional apenas na fase de grupos, o estudo do IPAM revela que a equipa das Quinas obterá os tais € 333 milhões de impacto económico, equivalente a € 33 por português. Apesar desta hipótese se traduzir num insucesso desportivo da presença de Portugal na competição, a simples participação neste evento já resulta num impacto económico muito forte, nomeadamente de cerca de € 127 milhões durante a fase de estágio e € 198 milhões pela participação nos três jogos da fase de grupos.

De realçar que, neste contexto, os portugueses continuarão a acompanhar a competição, mesmo sem a participação da equipa de Fernando Santos, o que somará um impacto económico de mais € 10 milhões. A análise do IPAM nesta situação decorre de várias áreas: o consumo em casa (43%), o consumo na restauração (18%), a publicidade (18%), as apostas online (6%) e as viagens de avião (6%).

As receitas do potencial impacto da participação de Portugal nesta competição irão contribuir, em qualquer dos cenários analisados, para beneficiar diferentes setores de atividade como a Federação Portuguesa de Futebol, agências de publicidade, agências de meios, empresas de catering, transportes, hotelaria, cafés, restaurantes, segurança, limpeza, polícia, empresas de apostas, meios de comunicação social, gasolineiras, marcas desportivas, cervejeiras, hipermercados, entregas de comida ao domicílio, tabaqueiras, agências de viagens e hotelaria, entre muito outros.

No Brasil, em 2014, no Mundial do poucochinho em que Portugal se ficou pela fase de grupos, o valor estimado de impacto económico foi de € 277 milhões, enquanto no Euro do nosso contentamento a previsão de retorno situou-se nos € 609 milhões, menos € 69 milhões do que o potencial retorno avaliado para a prova na casa da Rússia.

O IPAM estuda o impacto económico para Portugal da Seleção Nacional desde o Europeu de 2012 e realiza estudos de impacto económico em desde 2009, tendo analisado mais de 20 competições nacionais e internacionais como jogos da liga portuguesa, finais da Liga Europa e Champions League, bem como as fases finais de europeus e mundiais de futebol.

Ficha Técnica do Estudo

A “Análise do Impacto Económico do Mundial 2018” foi desenvolvida pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM e coordenada pelo Professor Daniel Sá, Diretor Executivo do IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing.

O estudo “Análise do Impacto Económico do Mundial 2018” teve por base o “Modelo de Previsão Económica”, desenvolvido pelo UKSport e que permite prever o impacto económico de eventos desportivos antes destes se realizarem. A fiabilidade das previsões originadas com este modelo tem variado entre os 64 e os 79% dos valores reais “a posteriori”.

O modelo científico utilizado pelo IPAM neste estudo acrescentou ainda os seguintes elementos: definição de quatro momentos distintos de impacto, caracterização e quantificação dos indicadores económicos; relação com a realidade social e económica do país e introdução do fator de relação associado ao poder de compra.