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Mundial 2018

Olá, o meu nome é Cubillas. Esta é a trivela

A estrela peruana (que passou pelo FC Porto) marcou um dos livres mais famosos da história do Mundial em 1978, com um gesto técnico pouco habitual nas bolas paradas. A Tribuna Expresso inaugura, aqui, a primeira história de histórias de todos os Mundiais

Tiago Oliveira

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"Ainda me arrepio quando ouço o nome de Cubillas. Era um jogador fantástico e colocou-nos entre a espada e a parede, nesse dia", lembra o então capitão escocês, Bruce Rioch. O então é 1978 e o palco é o Mundial da Argentina, onde "El Nene" (o menino), Teófilo Cubillas, inscreveu firmemente o seu nome no panteão das grandes estrelas de sempre da prova rainha da FIFA.

Para uma certa geração de adeptos portugueses, aquele que é considerado o melhor jogador da história do Perú é um nome muito familiar, sobretudo pelas três épocas que passou no FC Porto, em meados dos anos 70. Ao serviço dos dragões, apontou 65 golos em 108 jogos oficiais e, apesar de não ter conquistado nenhum título, é recordado como uma das primeiras estrelas mundiais a passar pelo futebol português, o que só foi possível com uma subscrição pública junto dos portistas.

Não falamos de um talento qualquer: juntamente com os alemães Miroslav Klose e Thomas Muller, é único que se pode orgulhar de marcar pelo menos cinco golos em mais que uma edição do Mundial (fê-lo em duas) e nenhum golo será mais icónico que o que apontou a 3 de junho de 1978 na cidade argentina de Córdoba frente à Escócia.

A equipa do Perú já tinha algum pedigree, chegando à competição após só terem caído aos pés do Brasil de Pelé e comparsas nos quartos de final do Mundial 1970 e como vencedores da Copa América 1975. Sempre com Cubillas no centro das atenções e com um estilo de futebol atacante que recolheu muitos adeptos.

Créditos que se confirmaram logo no primeiro jogo, quando o craque sul-americano mostrou ao que vinha com um golpe que o mundo nunca tinha visto tão in loco. O adversário inaugural era a Escócia, que chegava à Argentina convicta que tinha tudo para ser campeã do mundo. O que parecia confirmado com o primeiro golo da partida, logo aos 14 minutos por Joe Jordan. O Perú só empataria perto do final da primeira parte e, já após os escoceses terem falhado um penálti, teríamos que esperar até aos 20 minutos finais de jogo para o "Eu Show Cubillas."

E que espetáculo. Aos 71 minutos, numa espécie de aquecimento para o livre que correu mundo, deu vantagem ao Perú com um remate de longe com a parte exterior do pé. Seis minutos mais tarde, faria história. Uns metros mais à frente de onde tinha rematado para o golo anterior, beneficiou de um livre direto do lado esquerdo do ataque. Juan Munante enganou a equipa adversária ao passar por cima da bola que ficou à mercê de novo remate com a parte exterior do pé direito de Cubillas. 3-1 e "pesadelos para o resto da vida" como afirmou o guardião Alan Rough.

O gesto ainda não se chamava trivela, mas pode encontrar a sua popularidade no livre inesperado de "El Nene." Que ficou para sempre com o seu nome gravado na história.