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Mundial 2018

O penálti de Baggio que deu o tetra ao Brasil

No último pontapé do Mundial 1994, Roberto Baggio mandou a bola por cima da baliza e lançou o delírio canarinho nos EUA. O momento que marcou a carreira do melhor jogador da competição. A Tribuna Expresso publica aqui a terceira história de pequenas histórias de todos os Mundiais

Tiago Oliveira

O momento em que Roberto Baggio falha a grande penalidade que dá a vitória ao Brasil no Mundial 1994

Getty Images

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Após 120 minutos sem grande história e em que as defesas de Brasil e Itália se sobrepuseram aos ataques, a final do Mundial 1994 arrastou-se sem surpresas para o desempate por grandes penalidades. Se aí havia aposta segura para marcar seria, seguramente, Roberto Baggio, melhor jogador do mundo, batedor exímio de penáltis e o homem que tinha carregado os transalpinos até ao jogo decisivo.

Pense outra vez.

Apesar do talento ofensivo que abundava tanto numa equipa, como noutra, do já mencionado Baggio a Romário, Bebeto ou Signori, Brasil e Itália adoptaram uma tática de segurança primeiro, ataque depois, para a competição nos EUA. O que as levou a um percurso pouco espetacular ao longo da prova, com ênfase na espinha defensiva das duas equipas.

Se no Brasil, Romário e Bebeto partilharam mais as despesas do jogo ofensivo (com destaque para o primeiro), o enigmático Baggio foi a grande estrela do parco jogo italiano. Budista e com um rabo de cavalo que fez moda, o número 10 vinha de uma época de grande nível e nele recaíam todas as esperanças. Isto, claro está, se se conseguisse libertar do espartilho tático preparado pelo mítico treinador Arrigo Sachi. Inicialmente, não foi fácil.

À derrota inaugural com a Irlanda, seguiu-se uma vitória por 1-0 frente à Noruega em que Baggio foi retirado antes do golo da vitória para dar lugar a um guarda-redes (após a expulsão de Pagliuca). Saída pouco pacífica e que só a fé budista terá levado a ultrapassar, numa relação com o técnico que nunca terá recuperado completamente. Mas não teve hipótese quando, a partir dos oitavos, só deu Baggio.

Em três jogos, marcou cinco golos que, aliados à defesa de pedra e cal da Itália, levaram os transalpinos à final frente ao Brasil. Aí, o trequartista foi o único destaque de uma partida com poucos momentos de realce e quem mais procurou agitar as hostes de parte a parte. Daí que ninguém previsse o que aconteceu com o último pontapé do jogo.

No desempate por grandes penalidades, Baggio precisava de marcar para que a Itália não fosse eliminada e, no seu habitual estilo circunspecto, de quem nada deixa perceber, o número 10 avançou para enfrentar o guardião Taffarel. Corrida habitual, pé direito habitual e guarda-redes enganado, como habitual. Tudo parecia certo, menos a altura da bola. Que voou por cima da barra e deu o quarto título de campeão mundial ao Brasil.

Apesar de bastar aos canarinhos marcar o penálti seguinte, mesmo que Baggio acertasse, os danos estavam feitos. "Senti-me a morrer por dentro", contou anos mais tarde, ao "Corriere dello Sport". Ainda hoje, o atacante "não aceita que isso aconteceu" até porque, apesar da carreira que teve até então e que continuou a ter, passou a ser o lance pelo qual é sempre recordado. Nada mais que a sina do futebol.

  • Olá, o meu nome é Cubillas. Esta é a trivela

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