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A Casa às Costas - Mundial

Danny: “Na Rússia, ia no carro com o Bruno Alves e a polícia manda-nos parar. Pensava que éramos traficantes. Até luz negra utilizaram”

À beira dos 35 anos, Danny está a ponderar pendurar as chuteiras. A decisão será tomada depois das férias que ainda está a gozar em família. Os 14 anos que passou na Rússia deram-lhe dinheiro suficiente para ajudar até os bisnetos, se for preciso, mas ficar parado não está nos planos do luso-venezuelano que, confessa, gostava de ser treinador. Conhecido por refilar com os árbitros, diz-se arrependido de ter cuspido num deles, e teme que os seus gémeos, de 14 anos, tenham herdado o seu sangue quente

Alexandra Simões de Abreu

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Nasceu na Venezuela, é filho de emigrantes madeirenses. O que foram fazer os seus pais para Caracas?
O meu pai teve hipótese de ir trabalhar num restaurante, com um amigo dele da Madeira. Foram e correu tudo bem. Na altura falavam muito bem da Venezuela, um país que estava a crescer e a dar muito apoio aos portugueses e eles aproveitaram. A minha irmã já tinha 6 anos quando eles saíram da Madeira. Eu nasci em Caracas, Santa Fé.

Qual é a primeira recordação que tem de futebol?
É de ter uma bola pequenina, lá, na Venezuela. Desde pequenino que gostava de futebol e queria ser jogador. Com o passar do tempo e com a ajuda dos meus pais que me apoiaram bastante, graças a Deus cheguei aonde cheguei.

Tinha algum clube de eleição quando era pequeno?
O meu pai que é sportinguista, eu torcia pelo Benfica, mas era miúdo e se calhar era para contrariar o meu pai (risos). Mas gostava muito do Marítimo porque nós seguíamos a RTP Internacional e os canais portugueses. Acompanhava muito o campeonato português e o Marítimo sempre foi a primeira equipa, depois o meu pai tinha o Sporting, mas fui sempre acompanhando o futebol português.

Danny em bebé

Danny em bebé

D.R.

É na Venezuela que começa a jogar futebol.
Sim, começo na rua, no bairro onde vivia. Depois quando fui para a escola estudar, eles tinham uma equipa de futebol, eu entrei e a partir desse momento comecei sempre a jogar. Depois emigrei para Portugal para vir jogar no Marítimo. Estava decorrer o Mundialito na Venezuela e eles gostaram de mim e levaram-me para a Madeira.

Com quantos anos é que vem para a Madeira?
Com 14, fiz 15 anos em agosto.

Os seus pais não colocaram nenhum entrave? Afinal, vinha sozinho, com apenas 14 anos.
Não. Na Madeira estavam muito familiares, avós, tios, primos. Para o meu pai foi fácil, para a minha mãe foi mais complicado. Deixar o filho ainda pequeno sair de casa, não foi fácil, mas era uma coisa que eu queria, com que sempre tinha sonhado, era uma oportunidade que tinha de experimentar. Se corresse mal no primeiro ano, voltava para casa e não havia problema nenhum. Mas graças a Deus correu tudo bem.

Continuou a ir à escola?
Quando cheguei a Portugal deixei a escola porque pensei que conseguia ser jogador e as coisas correram bem.

Veio viver para onde?
Para casa da minha avó.

Danny com o pai, Carlos Jorge

Danny com o pai, Carlos Jorge

D.R.

Adaptou-se bem à Madeira?
Muito bem. Tinha lá muitos familiares, muitos tios e primos da parte do pai e da mãe, foi muito fácil.

Já tinha vindo a Portugal antes?
Quando tinha 6, 7 meses os meus pais trouxeram-me para mostrar aos familiares.

Tendo em conta aquilo que ouvia em casa, a Madeira era aquilo que estava à espera?
Era. Uma ilha muito bonita, onde fui muito bem recebido.

Sentiu muitas saudades dos seus pais e da sua irmã?
Sim, sempre. Durante os 3 primeiros meses não foi fácil, chorava muito. A Madeira é muito longe da Venezuela, era um país diferente, uma língua diferente. Mas era um sonho que eu queria muito e tinha que ser forte.

Danny, à esquerda, com a mãe, Ana Gorete e a irmã, Cátia

Danny, à esquerda, com a mãe, Ana Gorete e a irmã, Cátia

D. R.

Quando chegou ao Marítimo quem era o seu treinador?
O Chico Fernandes, foi ele que naquele Mundialito me viu e quis trazer. Fiz um jogo amigável na Venezuela com eles. Correu bem, fiz golos e assistências e eles gostaram de mim. Depois do jogo fomos para o hotel onde estavam hospedados e ele pediu para chamar o meu pai. Queriam que em agosto eu já fosse para a Madeira. Ele ajudou-me bastante, foi um pai para mim na Madeira e agradeço-lhe muito sempre que o vejo.

Com quantos anos é que se estreia na equipa principal?
Com 17 anos, com o Nelo Vingada. E no ano em que me estreei, fui logo para o Sporting. Foi tudo muito rápido.

Como é que surge o Sporting? Tinha empresário?
Era o Jorge Mendes. Fiz 6 meses muito bons na segunda volta do Marítimo, eles também tinham oportunidade de vender o Hugo Viana e o Jorge Mendes como era empresário do Hugo Viana também, aproveitou. Sabendo que ele ia sair meteu mais um jogador. O Sporting escolheu-me e fui, em 2002, se não me engano.

Danny na festa do seu 6º aniversário

Danny na festa do seu 6º aniversário

D.R.

A vinda para o continente e a adaptação a Lisboa, foi fácil?
Foi. Fui viver para o Montijo, comprei um apartamento perto do Custódio. Éramos vizinhos. Levei a minha namorada, que é atualmente a minha esposa.

Como é que ela se chama e onde a conheceu?
Petra Gomes. Conhecia-a na Madeira, ela tinha 14 anos e eu 17. Na altura, ainda continuou os estudos em Alcochete. Depois, como tivemos os nossos filhos muito cedo, ela deixou de estudar por opção nossa.

Os gémeos Bernardo e Francisco nasceram quando?
Em 2004.

Quando vem do Marítimo para o Sporting, nota uma grande diferença?
Não é uma diferença muito grande porque na altura o Marítimo até fez uma boa época, mas é claro que a qualidade e o orçamento das duas equipas é diferente. Uma equipa está a lutar para ir à Liga Europa e a outra para ser campeã. Mas em termos de qualidade o Marítimo tinha bons jogadores que foram vendidos por um bom valor e para boas equipas.

Danny com 7 anos e o cão Pitufo

Danny com 7 anos e o cão Pitufo

D.R.

Fica no Sporting quanto tempo, antes de ser emprestado ao Marítimo?
Nos primeiros meses. o Bölöni não apostou muito em mim e tive a oportunidade de voltar ao Marítimo e ficar 6 meses emprestado. Foi uma opção que eu quis logo, porque conhecia a equipa, o treinador e estava em casa.

Entretanto os seus pais vieram embora da Venezuela?
Sim, nesse ano vieram definitivamente para a Madeira.

O que é que aconteceu para o Bölöni não o pôr a jogar mais vezes?
Não sei, nunca falei com ele sobre isso. Não fui o jogador que ele queria, como queria, ele teve as suas opções, mas aprendi muito com os jogadores da altura, o Pedro Barbosa, o Rui Jorge, o Paulo Bento e fui para o Marítimo tentar fazer 6 meses bons para estar mais bem preparado e regressar no ano seguinte como um jogador mais forte, para voltar em grande.

Foi isso que aconteceu?
No segundo ano não, porque veio o Fernando Santos. Ele tinha a sua equipa feita e disse que era melhor eu continuar emprestado. Na altura havia o Alverca, mas eu não queria ir. Disse que para ser emprestado, escolhia eu a equipa, e voltei ao Marítimo, porque na altura o treinador era o Cajuda que me disse: “Danny comigo jogas sempre, vais ser o meu número 10”. E foi a melhor época que fiz em Portugal, no Marítimo.

Danny com 6 anos

Danny com 6 anos

D.R.

Quando é chamado à seleção? Foi depois dessa época?
Já tinha feito alguns torneios com a seleção. O de Toulon em 2003, fiz a qualificação do Europeu de sub-21, classificámo-nos, fiz o Europeu e os Jogos Olímpicos de 2004.

Nunca teve dúvidas sobre a seleção que gostava de representar?
Não. Desde o momento em que comecei a representar a seleção de Portugal nas camadas jovens, o meu pensamento foi sempre chegar à seleção A. Nunca tinha representado a Venezuela e mesmo quando cheguei à Madeira nunca fui chamado. Comecei em Portugal nos sub 18 e sub 20 por isso sempre pensei em chegar à seleção A.

Estava a dizer que no Marítimo com o Cajuda faz a sua melhor época. Regressa depois ao Sporting.
Sim, regresso com o José Peseiro. Na altura fazemos o Europeu sub 21 e os Jogos Olímpicos. Nos primeiros 6 meses jogo bastante a titular e como suplente, se calhar em 12 jogos fiz os 12 mas, em dezembro aparece a oportunidade de ir para a Rússia, para o Dínamo de Moscovo, e como não era um jogador muito importante no Sporting, não jogava a 100%, aproveitei essa oportunidade. Faltava só mais um 1 ou 2 anos de contrato e não queria arriscar a ser emprestado outra vez, ou estar mais 6 meses jogando pouco.

Ir para fora sempre foi um objetivo?
Não era um objetivo, já que estava no Sporting gostava de ter ficado mais no Sporting e se calhar uns anos depois jogar num campeonato diferente, europeu. Mas nessa altura a opção melhor foi a do Dínamo de Moscovo e graças a Deus consegui. Essa porta foi muito importante para mim.

Danny comum trofeu que conquistou no futebol, com 6 anos

Danny comum trofeu que conquistou no futebol, com 6 anos

D.R.

Vai para Moscovo com a sua mulher e já com os gémeos?
Sim, tinham 11 meses.

Como é que foi o embate na Rússia?
Difícil. Uma mentalidade diferente da nossa. As pessoas eram frias, não eram tão simpáticas como nós somos, se calhar também por aquilo que passaram no passado. Mas com os anos as coisas foram melhorando, fomos conhecendo as pessoas e foi muito bom.

Quando chegou ao Dínamo já lá estavam outros portugueses?
Três dias antes de mim tinha assinado o Frechaut, o Jorge Ribeiro, o Cícero e o Thiago Silva, que está agora no PSG.

Foi importante ter lá esses portugueses?
Sim. Antes de assinar já sabia que o Derlei também ia ser contratado. Ele assinou 2 dias depois de mim. Mas mesmo que não estivesse nenhum português, ia aceitar a oferta, porque financeiramente era muito boa e sabia que era uma porta que se abria. Graças a Deus correu sempre muito bem.

E a adaptação ao futebol russo? Calculo que seja diferente do português.
Muito diferente. Em Portugal era mais técnico, lá mais agressivo, mas fui-me adaptando e a equipa também foi contratando jogadores portugueses que vieram trazer mais qualidade.

A sua mulher adaptou-se bem à vida de Moscovo?
Adaptou-se e também foi com a ajuda deles que eu me adaptei, porque, se eles não se adaptassem, teria sido mais difícil. Tínhamos uma casa com bastantes condições. Depois de conhecer as pessoas russas e de conhecer outras famílias portuguesas, foi bom.

Danny já com a camisola do Marítimo, o primeiro clube que representou em Portugal

Danny já com a camisola do Marítimo, o primeiro clube que representou em Portugal

D.R.

Desse três anos e meio no Dínamo qual é a melhor recordação que tem?
Foi o último ano antes de ir embora. Nos primeiros 6 meses estávamos em 2º lugar, a equipa estava a lutar para ser campeã e foi difícil deixar o Dínamo, mas sabia que a minha ambição, de ser campeão russo, de jogar a Liga dos Campeões, a Liga Europa seria mais fácil se fosse para o Zenit. Foi difícil deixar o Dínamo na altura porque estava melhor posicionado do que o Zenit. O Dínamo estava em 2.º a pouco pontos do primeiro e a época estava a correr-me, estava a jogar bem. Em termos futebolísticos foi difícil, mas em termos familiares, juntávamo-nos muito com as famílias dos outros jogadores, russos e portugueses, e foi engraçado.

Como é que foi a adaptação à língua? Falava inglês?
Sim, comecei logo a aprender e nos primeiros 6 meses já falava e compreendia inglês. O russo não era fácil mas como tínhamos muito portugueses, espanhóis e argentinos, não foi complicado. No momento em que vou para o Zenit já comecei a aprender mais russo, porque as pessoas não falavam tão bem inglês. Consegui aprender russo e a minha mulher também.

Tem alguma história caricata de Moscovo que possa contar?
Uma vez vou com a família no carro e a polícia manda-me parar, não sei se ia em excesso de velocidade...O polícia começa a falar comigo e diz: “Tens que pagar uma multa” e começa a escrever um 5, um 0, outro 0... E eu: “Porra, 500 euros, este gajo quer-me roubar aqui”. E de repente ele diz com ar brincalhão. “Estou aqui para te roubar dinheiro”. E eu: “Fogo pagar 500 euros, estou lixado”. E ele “500 rublos”. 500 rublos na altura não era nada. “Estás a brincar. Estamos aqui à meia hora para me multares em 500 rublos? Se tivesses dito logo que eram 500 rublos, pagava-te na hora”. Foi engraçado porque pensei que ele queria roubar-me, 50 mil rublos ou coisa assim, e fiquei lá meia hora quando em menos de um minuto eu podia pagar-lhe.

Ele reconheceu-o?
Não. Se reconhecesse e se fosse da equipa adversária, lixava-me porque eles são muito fanáticos. No Zenit ainda era pior. Se me apanhassem e se fossem do Spartak, aí seria mais complicado (risos).

Quando o mandavam parar tentavam complicar-lhe a vida?
Ui, sim. Queriam ver se havia sempre alguma coisa errada, que não havia, mas eles procuravam sempre. Se não tinha passaporte traduzido, se não tinha a carta de condução num papel traduzido em russo...

Danny com Petra, a sua mulher

Danny com Petra, a sua mulher

D.R.

Sai de Moscovo para São Petersburgo. Foi um upgrade, gostou mais de São Petersburgo?
Sim, gostei mais, é mais pequeno. Já tinham passado três anos e meio, as pessoas estavam diferentes, o país cresceu bastante, começaram a abrir muitos restaurantes, muitos shoppings, foi ficando muito agradável.

E acabou por ficar no Zenit 9 anos. Nessa altura o que é que lhe custava mais? As viagens de avião, que eram longas?
Sim, no Zenit temos que viajar sempre. É a única equipa dali e portanto durante o campeonato de 15 em 15 dias tínhamos que viajar. Não estava tanto tempo com a mulher e os filhos. Em Moscovo, quando estava no Dínamo, havia 6 ou 7 equipas na cidade, era mais fácil.

A sua mulher ficava lá sozinha com os vosso filhos ou tinha a companhia de algum familiar?
A minha sogra estava connosco. Quando os meninos começaram a crescer, deixou-nos, mas agora que temos uma bebé, veio outra vez.

Os seus filhos começam a ir à escola em São Petersburgo?
Sim, na Escola Internacional. A primeira língua deles é o inglês, depois o russo, porque estiveram lá durante 12 anos, aprenderam bastante bem; e depois o português.

Danny, ao centro com a bola, jogar já pelo Dínamo de Moscovo

Danny, ao centro com a bola, jogar já pelo Dínamo de Moscovo

Dima Korotayev

Desses 9 anos no Zenit quais são as melhores e piores recordações?
As melhores ter sido campeão, ganhar títulos, ganhar a Supertaça Europeia contra o Manchester United. O pior foram as lesões, tive três lesões.

Qual a mais grave?
As três roturas de ligamentos cruzados, no mesmo joelho.

Que outros portugueses estiveram consigo no Zenit?
Fernando Meira, Bruno Alves e Luís Neto.

E quais foram as maiores amizades que fez na Rússia em 12 anos?
Tenho alguns amigos russos, italianos, o Criscito, que jogou comigo no Zenit, o Luís Neto, português...Tenho vários.

Por que é que sai para o Slavia de Praga?
Acabei o contrato com o Zenit que entretanto mudara de direção, de presidente, de director desportivo e de treinador. A direção disse que quando acabasse a época iríamos falar sobre o contrato, se calhar queriam fazer 1 mais 1 e não 2 anos de contrato, o treinador já tinha os jogadores que queria e eu disse que não havia problema nenhum. Já tinha feito ali uma carreira bonita e disse que me ia embora, sem problema. Depois, tive proposta para voltar ao Dínamo, uma proposta financeiramente muito boa e sabia que podia ser bom continuar a jogar na Rússia, podia estar agora a lutar para jogar no Mundial da Rússia. Mas optei por ficar mais perto de Portugal.

Gosta de Praga?
Adoro Praga. A família está a adorar, só que o futebol não é aquele futebol que esperava. Pensei que ia ser um futebol mais competitivo. Tinha mais um ano com eles mas cheguei a um acordo com eles e rescindi.

Danny com a mulher e os filhos

Danny com a mulher e os filhos

D.R.

Agora vai para a onde?
Agora estou livre, já tenho algumas opções mas disse: “Esperem mais um bocado que vou aproveitar férias com a minha família, que também preciso, e depois resolvo onde vou jogar”.

Ainda não sabe?
Não, ainda não sei. Não sei se vou parar.

Parar? Está a equacionar pendurar as botas?
Estou. Depois do ano no Slavia de Praga, da forma como o campeonato correu, da forma como as coisas correram, que não foi do meu agrado, se calhar é uma opção. Mas é 50/50. Tenho equipas importantes para jogar, vamos ver.

De que campeonatos?
Russos outra vez, tenho da Turquia, da Arábia Saudita, no Dubai, vamos ver. Os meus filhos já têm 14 anos, tenho que pensar neles também. Na minha vida sempre pensei no que fosse bom para eles e agora vai ser igual. Se continuar a jogar vou ver qual é a melhor opção para todos.

Em 2014 não esteve quase para sair do Zenit, precisamente para o Dubai?
Sim. Estava na seleção com o Fernando Santos, em estágio. Era para assinar num sábado, quando chegasse a Lisboa, pelo Al-Nasr, mas na sexta-feira recebo uma chamada do Zenit. Eu já tinha acabado a época e ainda não tinha renovado. Eles queriam renovar mas não queriam dar-me o que eu queria e merecia. Disse-lhes que não, que o contrato tinha acabado e que estava livre para assinar com a equipa que quisesse e que tinha o Al-Nasr interessado, estava tudo resolvido, contrato, casa, tudo. O Zenit liga-me outra vez e faz-me o contrato de dois anos que eu queria. Liguei para os árabes, pedi-lhes desculpa, e disse-lhes que ficava no Zenit, que ia assinar porque a minha família queria ficar na Rússia. E eles: “Mas íamos fechar amanhã, já reservamos uma sala no Hospital da Luz para fazeres os testes médicos...” “Eh pá, desculpem, foi mau, mas é a família, é mais importante que a minha carreira e vou ficar na Rússia”. E pronto.

Danny em ação pelo Zenit, para onde foi jogar em 2008

Danny em ação pelo Zenit, para onde foi jogar em 2008

Epsilon

Diz que há 50% de hipóteses de continuar a jogar e 50% de parar. Quando pensa no futuro, já tem uma ideia do que quer fazer?
Ainda não sei. Gostava de ser treinador de futebol, mas tudo pode acontecer. Agora é aproveitar as férias e ver o que vai acontecer. Se decidir acabar a carreira, primeiro vamos ver se fico em Lisboa ou se fico mais 1 ano, em Praga. Temos casa em Praga. Quando rescindi fiquei com a casa para mais 1 ano. Decidi ficar lá porque a escola é muito boa e para viver é espectacular. Outra opção é viver em Lisboa, que também tem boas escolas inglesas e os meus filhos podem jogar, há boas equipas em Portugal.

Jogam futebol os dois?
Jogam. Desde os 5 anos.

Também querem ser jogadores de futebol?
Querem. É o sonho deles e eu vou apoiá-los bastante, dar-lhes conselhos e estar sempre do lado deles.

Jogam ambos na mesma posição?
Sim, jogam os dois no meio campo, e têm os dois bastante qualidade, sabem ler o jogo, têm qualidade técnica. São bons, mas eu também sou pai, não é (risos).

Teve uma filha recentemente.
Tem 14 meses. Já estávamos à procura há muito tempo e não vinha. Não sei se era por querer tanto que se calhar a minha mulher ficava mais stressada e não vinha. Depois num momento em que decidimos não pensar mais no assunto e continuar a nossa vida, aconteceu logo. Só tinha que vir quando tinha que ser e está a ser espetacular. Precisávamos de uma menina para completar a família.

Danny festeja um golo marcado ao serviço do Zenit

Danny festeja um golo marcado ao serviço do Zenit

Christian Liewig - Corbis

Quem eram os seus ídolos?
Quando estava na Venezuela era o João Pinto, que estava no Benfica, e o Maradona, que sempre foi o meu ídolo mais forte. Tive a oportunidade de jogar com o João Pinto no Sporting e foi espectacular. Foi um orgulho.

Não se livra da fama de discutir muito com os árbitros...
...Os sul americanos são assim (risos). O sangue ferve muito rápido.

E isso já lhe passou mais ou continua o mesmo?
Não, com a idade vamos aprendendo.

Qual foi a situação mais complicada que teve com um árbitro?
Uma cuspidela. Em Moscovo no primeiro ano, com o Derlei. Estávamos a ser roubados, e houve um momento em que passei-me da cabeça porque fui ao pé do guarda redes para lhe dar a bola mais rápido e ele agarra a bola e joga-se no chão sem eu sequer lhe tocar. O árbitro vem ter comigo, discutimos e mostra-me o amarelo. Começámos a andar e, cuspi nele. É uma coisa de que me arrependo bastante, não deveria ter feito. Ele nem viu, foi o 4.º árbitro que vai ter com ele e lhe diz que eu tinha cuspido para ele. Ele tira o vermelho e pumba. Apanhei 6 jogos de suspensão. No jogo a seguir, eu estava na bancada e o Derlei também tem uma situação mais ou menos parecida, discutiu com o árbitro e foi expulso. Cinco jogos. Ficámos os dois a ver na bancada os 5 jogos a seguir. Não foram fáceis esses momentos.

Lembra-se quantas vezes é que foi expulso ao longo da sua carreira?
2 ou 3 vezes. Tudo por reclamar com o árbitro, nunca foi de dois amarelos, nunca dei falta.

Quando chegava a casa a sua mulher dava-lhe na cabeça?
Ui, era ela, eram os meus filhos, todos me davam na cabeça (risos).

Na família é o Danny quem tem o sangue mais quente?
Hum...Acho que os meus filhos vão pelo mesmo caminho que eu (risos), mas entre eles. Sou eu, acho que sim. Mas agora estou muito mais calmo, graças a Deus. Com a idade, com os filhos, não se pode dar má imagem.

Danny viu mais do que uma vez o cartão amarelo e overmelho, por discutir com os árbitros

Danny viu mais do que uma vez o cartão amarelo e overmelho, por discutir com os árbitros

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Há um festejo de golo seu que deu muito que falar. Quando vai até à bandeirola de canto, põe-se de quatro e imita um cão a urinar.
Foi uma vez e arrependo-me bastante porque não tive intenção nenhuma de fazer mal à instituição e ao presidente do FCP, que admiro e de quem gosto bastante. Mas aconteceu. Foi na semana em que um colega meu, do Zenit, nos tinha oferecido um cão e os meus filhos que na altura eram pequeninos disseram “Pai se fazes golo tens de...” Imagine que esse jogo não era contra o FCP, era contra a Juventus ou contra a Lazio, Real Madrid, qualquer equipa. Eu ia fazer a mesma coisa porque já tinha dito aos meus filhos que fazia. Mas foi uma equipa portuguesa e levaram-me a mal porque ser português. É normal e aceitei, não me preocupei mais. Nesse mesmo ano em dezembro, estive de férias no Dubai e encontrei o presidente Pinto da Costa, com que tive uma boa conversa. Estava de férias e estava lá também o Jorge Mendes, que era o meu empresário. Jantávamos muitas vezes juntos, ele com a sua esposa, a Fernanda e eu com a minha família toda e foi muito bom conhecê-lo e falar com ele. Disse-me que estava tudo tranquilo, que não havia problema nenhum, cada um festeja como quer.

É fã de basebol e basquetebol, certo?
Sim. Na Venezuela quem não gosta de basquetebol, nem de basebol não é venezuelano.

Praticou alguma vez?
Não, porque desde pequenino sempre gostei de futebol. Os meus pais eram portugueses, víamos muito futebol de Portugal, e então era com isso que sonhava. Mas adorava jogar basebol e basquetebol com os meus amigos no bairro. São desportos que eu gosto e que jogo bem.

É verdade que a sua mulher chegou a jogar basquetebol?
Sim, jogou no CAB que é a melhor equipa da Madeira, até aos 14, 15 anos. Depois foi para Lisboa morar comigo e deixou de jogar.

André Villas Boas foi seu treinador no Zenit. Com que opinião ficou dele?
Muito boa. Um jovem que gosta de aprender todos os dias, bons métodos de trabalho e como pessoa espetacular.

Danny foi 3 vezes campeão russo pelo Zenit

Danny foi 3 vezes campeão russo pelo Zenit

D.R.

Quando saiu do Zenit teve uma festa de todo o tamanho e teve direito a um busto e tudo.
É, foi lindo. Se calhar foi por tudo aquilo que eu dei, tudo aquilo que consegui e os títulos que ajudei a ganhar.

Estava à espera de uma despedida tão sentida?
Não vou ser mentiroso e dizer que não estava. Sabia que tinha feito muitas coisas boas e que as pessoas gostavam muito de mim. Claro que não esperava que me fizessem um busto, mas uma despedida daquelas se calhar esperava, não vou dizer que não.

Tem muitas tatuagens. Quando é que fez a primeira?O que é que tatuou?
A primeira tatuagem que fiz foi o nome da minha esposa. No dia dos namorados ela fez uma com o meu nome e passadas umas semanas fiz eu com o nome dela. Foi a minha primeira tatuagem. Ela tinha 16 e eu tinha 18 ou 19 anos.

A partir daí ficou com o bichinho e nunca mais parou?
Foi aos poucos e agora já vamos nas coxas todas, nos dois braços, na perna...

Tem ideia de quantas tatuagens já fez?
Tenho muitas, muitas, não sei quantas mas já me picaram muito (risos).

Uma delas é a vista da cidade de São Petersburgo.
É, sim. Tenho um monumento bastante bonito. No braço e antebraço tenho a ponte e umas luzes de fogo de onde eles conseguiram travar e ganhar a guerra. Essa é espetacular.

Que mais tatuagens tem que tenham um grande significado para si?
Os meus filhos, o nome da minha esposa, são as principais para mim.

Danny junto do seu busto, uma homenagem do Zenit ao jogador português que saiu do clube em 2017

Danny junto do seu busto, uma homenagem do Zenit ao jogador português que saiu do clube em 2017

Alexander Demianchuk

Vamos à seleção. Depois do Euro de sub 21 e de Atenas 2004, fez o Mundial de 2010, certo?
Sim.

Fez a qualificação toda?
Sim, com o Carlos Queiroz.

Do que é que se lembra dos jogos de qualificação?
Foi há muito tempo...Fizemos bons jogos, tínhamos uma seleção com jogadores de bastante qualidade, que admirava bastante, como o Deco.

Foi praxado?
Na A não, mas na de Sub 21 fui. Levei muita porrada (risos). Ser praxado para ser jogador da seleção de Portugal é muito bom.

Do mundial na África do Sul quais são as maiores recordações que tem?
Foi o meu primeiro mundial, jogar o primeiro jogo foi uma coisa que sonhei desde criança. Nunca pensei que iria conseguir. Nasci na Venezuela e espero que um dia a Venezuela chegue ao Mundial, porque o seu futebol está a melhorar bastante e vai crescer ainda mais com os jogadores que jogam na Europa. Mas jogar num mundial, a titular, logo no primeiro jogo, contra a Costa do Marfim, foi espectacular.

Depois foram os 7-0 com a Coreia do Norte.
Esse não joguei. A seguir jogámos contra o Brasil e joguei a titular, empatámos e ficámos em segundo e depois apanhamos a Espanha e entrei aos 60, 65 minutos. Estava 0-0 quando entro, mas a Espanha acaba por marcar. Faz parte. A Espanha foi campeã.

O ambiente ficou muito pesado quando fomos afastados?
Não, porque sabíamos que tínhamos feito tudo para chegar longe e tínhamos uma equipa bastante forte. Fizemos um bom jogo com a Espanha. Eles tiveram a sorte de fazer o golo e ganhar.

Danny foi chamado à seleção A por Carlos Queiroz

Danny foi chamado à seleção A por Carlos Queiroz

FRANCISCO LEONG

Liam as críticas ou não?
É normal lermos os jornais e as críticas sempre ajudam a crescer. Para quem for psicologicamente forte só ajudam a crescer.

Mas acha que, na altura, as críticas foram justas?
Para mim umas foram justas e outras injustas. Mas são opiniões e temos que aceitá-las, depois se são merecidas ou não...

E que opinião é que tem de Carlos Queiroz?
Como treinador, gostei bastante. Sempre me deu oportunidade. Foi o único que acreditou em mim. Muitos anos antes eu estava no Dínamo com o Costinha, o Maniche, o Frechaut, Jorge Ribeiro, Luís Loureiro, tantos portugueses que foram para a seleção de Portugal convocados pelo Scolari...Eu fui sempre escolhido como melhor jogador do Dínamo, ganhei vários campeonatos russos e não ser chamado… Para mim ficou um pouco...

Atravessado?
Sim, mas pronto. Depois de ele sair entrou o Carlos Queiroz e na primeira convocatória eu estou dentro.

Depois do Mundial de 2010, continua a ser chamado?
Sim. Depois do Carlos Queiroz, vem o Paulo Bento. Faço a qualificação mas depois perto do Europeu, faço a segunda operação ao ligamento cruzado. A primeira foi antes do Mundial mas consegui recuperar e fui. A segunda, foi duas semanas antes do Europeu e não consegui. E na terceira operação também podia ter ido ao Europeu 2016, que Portugal ganha, fiz a qualificação toda com o Fernando Santos, era titular, mas tive o azar de não ir. A lesão foi em março por isso não tive tempo de recuperar em 3 meses, ainda por cima uma terceira operação, tive que parar 10 meses.

E já não volta a ser chamado.
Não, depois de ter sido operado pela 3ª vez e de a equipa ter ganho o Europeu, é sempre mais difícil um jogador da minha idade voltar.

Percebeu logo que dificilmente voltava à seleção?
Sim. Mas acho que se tivesse ficado mais este ano no Zenit, em vez do Slavia de Praga, ou se tivesse ficado no Krasnodar, uma equipa que ia lutar para ser campeão na Rússia, que jogou na Liga Europa, podia dar mais nas vistas e se calhar podia continuar. Ainda por cima era o Mundial na Rússia, conhecia o país e os campos. Mas como não fiquei na Rússia e vim para o Slavia de Praga, sabia que ia ser muito difícil.

É verdade que se não tivesse sido chamado pelo Carlos Queiroz, ponderava jogar pela Rússia?
Sim, estive quase. Como já disse, estava tão atravessado que o Scolari não me chamava, sentia-me tão injustiçado de ser um dos melhores jogadores do campeonato russo e não ser chamado à seleção portuguesa, estando jogadores portugueses na mesma equipa e eles irem e eu não... Na altura já tinha tido algumas conversações com o presidente russo do Dínamo para conseguir o passaporte russo, que normalmente não dão a ninguém que não seja russo, a não ser que tenha a possibilidade de jogar na seleção russa. Ou isso ou casar com uma russa. Já tínhamos conversado bastante sobre isso e eu disse-lhe que se na próxima convocatória, do novo treinador, não me chamassem, poderia jogar optar pela Rússia.

Danny durante o jogo com a Espanha, no Mundial de 2010

Danny durante o jogo com a Espanha, no Mundial de 2010

KARIM JAAFAR

Quando é que ganha o primeiro ordenado?
Quando cheguei à Madeira, mas não foi dinheiro do Marítimo, que na altura não pagava, era um dos diretores, o Dr. Abreu, que me dava dinheiro. Ele não me dava um salário mensal mas cada vez que jogava, ele aparecia e dava-me 20, 50 ou 100 euros se fazia golos. Foi uma pessoa que me ajudou bastante. Depois quando assinei pelo Marítimo o contrato jovem, ainda não profissional, com 16 anos tive o meu primeiro salário.

Lembra-se de alguma coisa que quisesse muito ter?
Um telemóvel para poder ligar aos meus pais. Foi a minha primeira compra.

Onde é que ganhou mais dinheiro?
No Zenit. Mas quando fui para o Dínamo de Moscovo, no primeiro ano, fui ganhar 3 vezes mais do que ganhava no Sporting. Depois com os anos o salário foi subindo. Mas o primeiro ano foi muito bom para mim. O CSKA de Moscovo queria comprar-me por 10 milhões de euros e o Dínamo aumentou muito o meu salário. Aproveitei essa oportunidade e renovei o meu contrato para ganhar muito. Aí já foram 7 ou quase 10 vezes mais do que eu ganhava.

Foi investindo o seu dinheiro onde?
Tenho algumas casas na Madeira e em Lisboa, ajudei os meus pais, ajudei a família da minha mulher também. E tenho outros investimentos fora e que comprei com amigos. Agora posso parar e estar feliz porque consigo viver tranquilo e ajudar os meus filhos, os meus netos, os meus bisnetos, se não perder a cabeça.

Danny representou o Slavia de Praga na época 2017/18

Danny representou o Slavia de Praga na época 2017/18

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E carros, tem alguma paixão por carros?
Sempre adorei carros. Tenho dois Audi Q7. Tive o Porsche Cayenne, que comprei em Moscovo, um ano antes de ir para o Zenit. Mas já o vendi. Gostava de ter um Lamborghini, um Ferrari, mas quando estava na Rússia era muito frio para conduzir esses carros. Mas um dia vou comprar, é um sonho meu ter um carro desses. Mas vamos com calma, não é prioridade.

Qual é o seu maior sonho?
Já foi. Era ser pai, ter uma família linda como tenho. Esse foi o meu maior sonho. Agora o sonho é ver os meus filhos serem boas pessoas.

Danny tem tatuado nos braços o nome dos seus filhos gémeos

Danny tem tatuado nos braços o nome dos seus filhos gémeos

D.R.

Tem alguma história engraçada do Zenit que possa contar?
São quase todas com polícia (risos). Uma vez estava eu, a minha mulher, o Bruno Alves e a mulher dele. Fomos jantar e depois ficamos um bocadinho até mais tarde a beber um copo de vinho tranquilamente. No regresso eu ia com o meu carro, e a polícia mandou-nos parar. Deviam pensar que éramos traficantes de droga porque começaram a revistar o carro todo. Nós: “Epá amigo, nós somos do Zenit”. “Não quero saber do futebol”. Viram tudo, começaram a passar aquelas luzes negras para ver se havia vestígios de alguma coisa. E eu :“Amigo, não tenho droga, não tenho nada. Nunca na vida. Nem álcool tenho, podes experimentar”. Eu podia soprar à vontade, só tinha bebido um copo de vinho, porque nem gosto de beber álcool. Mas eles estiveram meia hora a procurar, a procurar, eu até disse à minha mulher que tinha medo que pusessem lá alguma coisa para nos incriminar. Tirando o medo, foi engraçado (risos).

Nunca viveu uma situação de assalto ou algo do género?
Não. Mas uma vez quando ia para o treino, por acaso ia com o meu pai e com o meu colega o Criscito, o italiano. Estávamos no meu carro parados num semáforo e o carro ao lado estava com a música muito alta, mas não dava para ver porque tinha os vidros todos pretos. E o Criscito, que é muito alegre, muito palhaço, gosta de se meter com as pessoas, ia abrir a janela e brincar, mas eu: “Está tão escuro que não sabemos quem vai lá dentro”. E ele “Ok. Não brinco, fica tranquilo”. Abre o sinal, arranco, o gajo vai ao meu lado tranquilo e de repente passa um carro muito rápido que quase batia nele. Ele acelera, abre o vidro, tira uma pistola e aponta como quem vai disparar no carro que passou. E eu disse para o Criscito: “Ainda bem que não falaste. Imagina que ele nos dava um tiro” (risos). Na Rússia há muitas pessoas com armas no carro. Não aconteceu nada, acho que foi mais para assustar, mas...

Danny com a sua família

Danny com a sua família

D.R.

Consegue explicar porque é que nunca perdeu o sotaque espanhol?
Não consigo. Sempre tentei mas foi sempre muito difícil. Como ao longo dos anos fui falando muito em espanhol e italiano, o sotaque foi ficando.

É crente.
Muito. Acredito em Deus, foi-me incutido desde pequeno. Tenho muita fé.

E é supersticioso?
Sou. Benzo-me antes de entrar em campo.

Estava à espera que Portugal chegasse mais longe neste mundial da Rússia? O que achou da prestação da seleção?
Estava, claro, muito confiante de que chegassem até à final. Mas acho que não correu nada mal, tivemos azar em encontrar um Uruguai forte, que em 2 momentos faz 2 golos, e nós tivemos mais situação de posse de bola, mais oportunidades, mas não conseguimos concretizar. Mas acho que fizeram um bom jogo para podermos continuar em frente.