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Grupo A

No final, mesmo no final, o mais forte bateu o mais fraco

O Uruguai bateu o Egito no limite, num jogo em que foi bastante superior a partir do momento em que o selecionador mexeu na equipa na segunda-parte. Os egípcios, sem Salah, defenderam o empate e procuraram o contra-ataque

Pedro Candeias

Dan Mullan

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O Uruguai tem dois dos melhores avançados do mundo que estão em duas das melhores equipas do mundo.

O Uruguai também tem dois dos melhores defesas centrais que andam por aí e jogam ambos na equipa que provavelmente melhor defende entre as que por aí andam.

E, finalmente, o Uruguai tem dois médios-centro bons de bola que alinham em dois clubes tradicionalmente competitivos.

São eles, aos pares e pela ordem atrás disposta, Suárez (Barcelona) e Cavani (PSG), Godín e Giménez (Atlético de Madrid), Betancur (Juventus) e Vecino (Inter).

Convenhamos: os uruguaios são valentes.

Já os egípcios têm Salah e Salah não está – ou melhor, Salah estava no banco de suplentes quando o segundo jogo do Mundial2018 arrancou teoricamente desnivelado pela abundância de craques de um lado e pela ausência do talento faraónico do outro.

Só que o aconteceu não foi bem o que se pensava que podia acontecer. O choque entre a ilusão e a realidade é madrasto.

O Egito, treinado por Hector Cúper, um velho e esperto lobo com muitos anos de futebol europeu no CV, preencheu os espaços e controlou os formidáveis avançados do Uruguai na maior parte das vezes – depois, claro, contra-ataque tipo-Valencia-de-início de-século, mas sem o Cláudio López egípcio.

Obviamente, sem Salah é muito mais difícil aproveitar as nesgas, e não era com o tipo que roubou o nome a Trezeguet que a coisa iria lá. Assim como assim, um empate sem Salah era melhor do que um empate com Salah.

Por outro lado, ao Uruguai das três poderosas duplas, falta duas coisas: alguém que leve a bola no pé e outro alguém que consiga desequilibrar no 1x1. Porque de outra forma, contra equipas bem organizadas no meio-campo e na defesa – e, em última análise, contra um guarda-redes inspirado como El-Shenawy – é possível que tudo fique a zeros.

Por isso, quando Óscar Tabarez mexeu na equipa na segunda-parte, trocando os extremos (Nández e Arrascaeta por Torreira e Rodríguez) e um dos centro-campistas (Vecino por Sánchez), o Uruguai sacudiu o jogo.

Sobretudo – e isto é estranho – através do envelhecido e respeitavelmente mais pesado Rodríguez que é, nem mais nem menos, o Cebola Rodríguez que jogou no Benfica e no FC Porto.

O Uruguai cresceu um bocado, Suárez falhou onde não costuma, Cavani chutou uma bola à trave e, mesmo no fim, Giménez marcou de cabeça após um livre apontado por Sánchez.

Ficou 1-0 e o Grupo A fica mais definido, com os mais fortes à frente dos mais fracos.