Tribuna Expresso

Perfil

Grupo A

Olá, Rússia. O Mundial 2018 só começou hoje

À 3ª e última jornada do grupo A, a Rússia finalmente teve um adversário à altura - e perdeu. O Uruguai, uns furos acima dos jogos anteriores, derrotou o anfitrião (2-0) e garantiu o 1º lugar do grupo, sabendo agora que vai defrontar, sábado, o 2º classificado do grupo B, que pode ser Espanha, Irão ou Portugal

Mariana Cabral

O primeiro golo do Uruguai frente à Rússia, marcado por Luis Suárez

Simon Hofmann - FIFA

Partilhar

Quando se anda no futebol, seja ele internacional, nacional ou distrital, de crianças ou seniores, homens ou mulheres, há muita sabedoria popular que se vai apanhando entre os pingos da chuva. Como a seguinte, ouvida da boca de um treinador de guarda-redes com umas quantas décadas em cada uma das pernas: quando há um livre direto frontal, o guarda-redes tem sempre de tomar conta do seu poste, mesmo tendo um olho no poste oposto e mesmo sabendo que a bola provavelmente vai para lá.

É que, se a bola entra por cima da barreira, tudo certo: o livre é bem batido, é um bom golo, o guarda-redes bem tentou, etc, etc. Mas, se a bola entra ao lado da barreira, para o poste que era suposto estar a ser fechado pelo dito guarda-redes, tudo errado: ele é que estava mal posicionado, ele é que foi mal batido, etc, etc - em suma, a culpa é toda do guarda-redes.

Lembrei-me disto quando, aos 10 minutos, num livre frontal à beira da área da Rússia, Luis Suárez se preparava para rematar. É capaz de ter pensado no que fez Quintero frente ao Japão e fez algo parecido: bateu rasteiro, mas não bateu por baixo da barreira; bateu para o poste onde estava o guarda-redes (aproveitando também uma ajudinha de Cavani, que tirou ali da pontinha da barreira o russo Ignashevich), apanhando o veterano Akinfeev meio desprevenido e fazendo o 1-0.

Um belo livre de Luis Suárez

Um belo livre de Luis Suárez

Stu Forster

Começava então, verdadeiramente, o Mundial 2018 para os russos, que tinham entrado na prova sem grandes expetativas - depois de uma prestação deplorável na Taça das Confederações - mas que já tinham enchido o peito depois de derrotarem Arábia Saudita (5-0) e Egito (3-1).

Só que os dois adversários anteriores não tinham, nem de perto nem de longe, a qualidade da seleção uruguaia que, ainda para mais, aumentou claramente o rendimento em relação aos dois primeiros jogos, com Óscar Tabárez agora a colocar a equipa num 4-4-2 que lhe assenta muito melhor.

Além da mudança no sistema tático, os uruguaios começaram hoje com muitas mudanças no onze: entraram Sebastian Coates, Diego Laxalt, Lucas Torreira e Nahitan Nandez, por troca com Guillermo Varela, Jose Gimenez, Carlos Sanchez e Cristian Rodriguez.

E a verdade é que as mudanças funcionaram na perfeição.

O Uruguai esteve quase sempre por cima no jogo, com Laxalt a dar profundidade pelo corredor esquerdo e Torreira a ser uma importante linha de passe no corredor central, para depois ambos - e todos - servirem os dois goleadores que compõem uma frente de ataque de luxo: Luis Suárez e Edinson Cavani.

Do lado russo, houve três mudanças em relação ao jogo contra o Egito - Igor Smolnikov entrou para o lugar de Mario Fernandes, Fedor Kudriashov para o de Yuri Zhirkov, e Aleksey Miranchuk para o de Aleksandr Golovin.

Mas nada funcionou. Especialmente, porque, aos 23 minutos, na sequência de um canto, a bola sobrou para Diego Laxalt, à entrada da área, e o lateral rematou para dentro da baliza, contando com um precioso desvio de Denis Cheryshev - que até estava a ser um dos melhores russos em campo - que traiu Akinfeev.

As dificuldades russas iam-se evidenciando - Bentancur aparece isolado em frente a Akinfeev, mas o guarda-redes russo defendeu - e pior ainda ficaram aos 35 minutos. Depois de uma falta dura sobre Laxalt, Smolnikov vê o segundo amarelo e é expulso.

EMMANUEL DUNAND

Aí, Stanislav Cherchesov deve ter pensado o que todos pensámos: fiquem lá com a liderança do grupo A, então. O selecionador tirou de campo Cheryshev e mandou entrar Mario Fernandes, para voltar a compor a defesa e guardar o trunfo para os oitavos-de-final.

Na 2ª parte, mais do mesmo: muito mais Uruguai, ainda que com alguma réplica russa, aqui e ali, mas com o resultado sempre claramente garantido.

E, no último minuto, ainda houve tempo para o 3-0: canto de Torreira, Godin cabeceia, Akinfeev defende, mas Cavani marca na recarga, concretizando o quinto golo uruguaio no Mundial 2018. Todos eles marcados na sequência de bolas paradas. Cuidado, Portugal (caso a seleção fique em 2º lugar do grupo B...).

P. S.: No outro jogo do grupo, que já não contava para nada, Salah ainda pôs o Egito em vantagem (mesmo limitado fisicamente), mas a Arábia Saudita deu a volta e venceu (2-1), acabando a prova com três pontos.