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Carcela: “Sá Pinto? É louco como eu!”

O extremo marroquino nascido na Bélgica, jogou no Benfica na época 2015/16 e diz que "adorava ainda lá estar". Esta temporada alinhou no Standard Liége, onde foi treinado por Sá Pinto e não podia ter ficado mais impressionado com o técnico português: "Foi como um pai para mim", disse aos jornalistas portugueses. Lídia Paralta Gomes é a enviada especial da Tribuna Expresso ao Mundial 2018, na Rússia

Lídia Paralta Gomes

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A zona mista de um estádio é uma lotaria. Há quem não se importe de trocar dois dedos de conversa com os jornalistas, há quem não tenha vontade de o fazer, mas tem de ser. Há os que passam recto, sem sequer olhar, rezando para que ninguém os chame. E há também os que descarregam as suas irritações nos jornalistas.

Talvez seja esse o caso de Manuel da Costa. Ele que já foi português, ele que fez todo o estágio com a Seleção Nacional antes do Mundial 2010, prevenindo uma eventual não recuperação de Pepe, ele que nasceu em França e agora representa Marrocos, ele que foi o homem a quem Cristiano Ronaldo trocou as voltas para se desmarcar e marcar o golo da vitória portuguesa.

Por isso, mal se ouve alguém dizer “Aqui, para Portugal”, Manuel da Costa responde com um curto, seco e até um pouco brusco: “Não tenho nada para dizer”.

OK, Manuel, não é preciso aleijar.

Felizmente, nem todos estão tão mal-humorados quanto Manuel da Costa. Mehdi Carcela, que passou pelo Benfica em 2015/16, vem pelo longo corredor, artilhado com uns daqueles auscultadores que estamos habituados a ver nas cabeças das estrelas e quando vê os jornalistas portugueses, tira o adereço, lança um sorriso e ainda nos diz que podemos fazer perguntas em português.

“Podem fazer em português, ainda percebo, mas tenho de responder em inglês”.

Combinado, Mehdi.

Marrocos fez dois bons jogos, mas está fora do Mundial. Imaginamos que seja uma desilusão grande.
Sim. Fizemos um grande jogo hoje [quarta-feira], mostrámos que somos uma equipa muito boa. Acho que não tivemos sorte e o árbitro não esteve ao nosso lado… Mas num Campeonato do Mundo perdes por causa de pequenos detalhes e acho que Portugal também fez um bom trabalho.

Amrabat disse aqui que o árbitro tinha pedido a camisola ao Pepe. Vocês falaram disso no balneário?
O Amrabat disse-me isso, talvez tenha ouvido qualquer coisa, mas eu não sei.

Tens saudades do Benfica?
Foi uma experiência boa e bonita. Adorava ainda lá estar, gostei muito de jogar no Benfica.

E gostavas de voltar a Portugal? Ao Benfica ou a outro clube?
Como disse, foi muito bom estar no Benfica mas agora estou no Standard Liege. É claro que no futebol nunca sabes o futuro.

Como foi trabalhar esta época com o Sá Pinto?
Eu gostava muito de continuar com o Sá Pinto. Ele é um grande treinador e ele é louco como eu por isso foi bom!

Entenderam-se bem, tu e o Sá Pinto?
Sim, sim. Ele foi como um pai para mim. Falávamos todos os dias. Ele adora futebol, dava a sua vida pelo futebol.

O Standard fez um playoff fantástico, só faltou mesmo serem campeões.
Sim, fomos a melhor equipa do playoff. O Sá Pinto fez um grande trabalho porque não estávamos bem na classificação e passar disso para quase ser campeão foi muito bom.

Achas que o Sá Pinto tem capacidade para treinar um grande de Portugal?
Eu ouvi que ele esteve perto do Sporting, que se falou disso. Acho que ele teria feito um bom trabalho no Sporting. E no Benfica também faria.