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Fernando Santos: “Perdemos discernimento e confiança. Não consigo perceber, mas vou ter de perceber”

Com um ar chateado e enfadado, o selecionador nacional, ainda em pleno relvado, reconheceu que Portugal “perdeu o controlo do jogo e que os jogadores, com o tempo, foram perdendo a confiança com a quantidade de passes que falharam

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Stuart Franklin - FIFA

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"Era importante ganhar obviamente, mas temos que ver e falar. Entramos bem no jogo, depois Portugal perde o controlo do jogo, muitos passes errados, má circulação de bola. Isto é uma bola de neve: uma equipa quando não tem a bola, tem de correr."

"Ao intervalo falei disso aos jogadores, mas depois erraram o primeiro passe, erraram o segundo e foram perdendo confiança."

Os marroquinos

"Eram muito fortes em termos atléticos e tinhamos de sair do espaço, jogar a um ou dois toques, tirar o adversário do sítio. Mas perdemos discernimento. Não consigo perceber, mas vou ter que perceber, obviamente, e falar com os jogadores. Eles não conseguiram circular a bola. Estávamos a jogar pouco com a bola, não a tínhamos. Olhas para o semblante dos jogadores e notas que eles estão incomodados.

"Foram muito solidários e souberam sofrer, mas, com bola, estivemos muito longe daquilo que conseguimos fazer. Agora há que pensar com muita cabecinha no jogo com Irão. Ainda nada está decidido."

As coisas que a seleção "praticamente não fez"

"Não estou aqui para dar notas, não sou comentador. Foi uma vitoria importante, um passo muito grande em frente, mas nada está decidido. Agora é descansar para prepararmos bem o jogo com o Irão. Em relação ao jogo, uma boa entrada para Portugal, foi pressionante e teve bola, depois, muito rápido, deixámos de ter bola e só corríamos atrás dela. Obrigou-me a fazer uma alteração tática, não me lembro de fazer uma tão cedo com esta equipa, para limitar os estragos e tentar ter posse de bola.

"Na segunda parte voltámos a entrar razoavelmente bem, a pressionar e a subir bem no espaço. Depois, voltámos ao mesmo registo. Vamos ter de conversar todos. As vitórias às vezes ajudam a melhorar as coisas. Há muita coisa que temos que melhorar, esta é uma equipa que sabe defender bem, e sempre o fez, mas tem que fazer coisas que, nestes dois jogos, praticamente não fez."

Uma explicação mais tática

"A partir dos 15 minutos, a equipa não conseguiu ter bola. É verdade que os adversários pressionam, mas temos que criar dinâmicas em posse para ter espaço e a contornar. Não é muito normal ter de tomar uma opção estratégica aos 20, 25 minutos, sacrificando um pouco o Ronaldo a jogar numa posição que não é a dela [Guedes passou para a esquerda e João Mário para trás de Cristiano, na frente].

Tivemos muitas perdas de bola e muitos passes errados. Houve muita ansiedade e perda de confiança. Marrocos foi uma equipa forte, é verdade. Estivemos bem defensivamente, mas é preciso um pouco mais do que isso. É preciso elevar a nossa fasquia em relação à capacidade de ter a bola e atacar."

Vem aí o Irão

"Agora o mais importante é o jogo com o Irão, o apuramento ainda não está garantido. A fase de grupos é sempre muito complicada. A partir daí, é o tudo ou nada, cada jogo é para sair e aí as coisas, normalmente, mudam de figurino."

A explicação para Ronaldo?

"Tem um grande treinador [ri-se]. Costumamos dizer que é um pouco como o vinho do Porto. É um jogador em constante evolução porque conhece-se muito bem e sabe o que pode fazer."