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Uma conferência que valeu um café e onde já se falou abertamente de ganhar (ou como Fernando Santos adora isto de matar ou morrer)

Esqueçam o selecional nacional hipercauteloso da fase de grupos: Fernando Santos já voltou a falar de "grande confiança" e até já pediu aos portugueses para darem as mãos e formarem uma "corrente forte durante o hino". Porque ele gosta é disto, dos jogos cheios de pressão. Sábado (às 21h locais, 19h em Lisboa), a Seleção Nacional joga com o Uruguai a passagem aos quartos de final do Mundial. Lídia Paralta Gomes é a enviada especial da Tribuna Expresso ao Mundial 2018, na Rússia

Lídia Paralta Gomes

JONATHAN NACKSTRAND/Getty

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Há um Fernando Santos antes e depois do jogo com o Irão. Como se a passagem à fase a eliminar abrisse um novo campo de possibilidades, como se tudo começasse, na verdade, agora. Agora ou daqui a 24 horas, quando Portugal enfrentar o Uruguai no Estádio Fisht de Sochi, o mesmo que recebeu a estreia da Seleção Nacional neste Mundial frente a Espanha.

Porque até aqui, Fernando Santos era o treinador cauteloso, que fechava o jogo, que mostrava pouco. Agora é outra coisa. O neto vem cá ver o jogo e Fernando Santos vai aproveitar para matar saudades, até porque conta ficar cá “muito tempo”. O selecionador está mais leve e finalmente deu-nos uma conferência de confiança total. Nas suas palavras: “Vamos com grande confiança, mas com respeito pelo adversário”. No final do jogo até poderei ter de engolir isto que escrevo, mas parece França outra vez.

Porque Fernando Santos adora estes jogos de matar ou morrer.

“Antes, na fase de grupos, ainda tínhamos a questão dos pontos, mas sábado isso não vale nada: ou ganhas ou não ganhas. E eu quero ganhar”, sublinhou o selecionador campeão europeu. Ele sabe que chegou a hora de Portugal, aconteça o que acontecer, e até pede apoio lá em casa, pelo Mundo fora.

“Temos sentido o apoio e amanhã vai ser mais um momento de união. Seria interessante que todos os portugueses por esse Mundo fora dessem as mãos e fizessem uma corrente forte enquanto cantamos o hino, que bem precisamos”. Aí está o mestre a saber como motivar as tropas.

Mas voltando atrás. Confiança mas com respeito pelo adversário. Porque o Uruguai não é um adversário qualquer. “A maior virtude do Uruguai é o Uruguai. Tem o mesmo treinador há 12 anos, uma equipa fortíssima em todos os sectores. Estamos a falar de um Uruguai que em 2018 não sofreu um golo, mas que é forte em todos os outros sectores. É difícil encontrar fragilidades: é uma equipa homogénea, total nos vários momentos do jogo. E nós preparamo-nos para para isso, porque dentro dessa fortaleza há sempre algo que encontramos que podemos explorar”, diz sobre a seleção de Óscar Tabárez.

Ao contrário de outras conferências, nesta Fernando Santos riu-se a bom rir. Isto apesar de até ter perdido uma aposta que fez com Onofre Costa, press officer da FPF. “Ganhaste um café”, disse ao responsável depois de ouvir uma pergunta sobre a preponderância de Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional, feita por um jornalista do Qatar.

“O Onofre ganha o café porque apostámos se esta pergunta ia sair ou não. Ele disse que sim, eu disse que não. Onofre, agradece ao senhor”, começou por dizer entre sorrisos. “É repetir, repetir, repetir. Eu percebo a pergunta e respeito mas qualquer equipa depende dos melhores jogadores. E se temos o melhor jogador do Mundo - porque para mim ele é o melhor do Mundo - claro que dependemos. Mas vão lá perguntar ao treinador do Uruguai se ele não depende do Suárez e do Cavani”, continuou antes de mais uma dissertação sobre o coletivo e de como nem Cristiano Ronaldo pode sozinho ganhar um jogo.

“Estamos a falar de um confronto entre duas grandes equipas. No limite, quando as equipas se anulam, a individualidade faz a diferença. Que a minha equipa seja tão forte como o Uruguai e que aí Cristiano Ronaldo possa fazer a diferença”, rematou.

E por falar em Cristiano, Donald Trump acha que CR7 dava um bom Presidente da República. E Fernando Santos? Não saberemos, para já, mas mais uma vez o selecionador nacional desatou a rir. Estamos mais descontraídos.

Fernando Santos só abriu um bocadinho as garras quando um jornalista russo lhe perguntou, tal como já tinha feito a Óscar Tabárez, se o jogo de sábado vai ser aborrecido, tal são as semelhanças entre Portugal e Uruguai. “Não acredito em nada disso”. Antes, a resposta de Tabárez também não tinha sido particularmente simpática.