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Grupo C

Um empate que vale três pontos

A Dinamarca começou melhor e marcou, a Austrália acabou melhor e empatou - dinamarqueses e australianos ficaram-se pelo 1-1 mas protagonizaram um bom espetáculo de futebol no jogo que iniciou a 2ª jornada do Grupo C do Mundial 2018. Às vezes há jogos assim, em que um ponto vale por três porque são uma vitória para quem gosta de bola

Mariana Cabral

Stu Forster/REMOTE

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- Alô, Duarte. Preciso que me esclareças aqui uma dúvida: o árbitro Mateu Lahoz interrompeu o Dinamarca-Austrália, aos 36 minutos, alertado pelo videoárbitro para um possível penálti, e foi ver as imagens. Isto pode fazer-se?

- Boas, Mariana. Não se vê muito por cá, mas é algo que está previsto. A ideia é evitar anular penáltis ou golos do outro lado, ou, pior ainda, vermelhos por agressão, por exemplo, que já não poderiam ser retirados. Por isso, as recomendações são para que o VAR alerte o árbitro quando a bola estiver numa "zona neutra" do campo (meio-campo).

É a primeira vez que o VAR existe num Mundial e a verdade é que, na Rússia, tem sido protagonista (às vezes bem, às vezes mal...): já ajudou a marcar uma mão cheia dos 11 penáltis assinalados até agora, número de penáltis que já um recorde por esta altura (2ª jornada ainda a disputar-se) e que é capaz de ainda superar o recorde absoluto de 18 assinalados num Mundial (em 1998 e em 2002).

EMMANUEL DUNAND

Isto tudo para dizer que, se no primeiro jogo a Austrália tinha sofrido com o VAR, que ajudou a marcar um penálti para a França (os franceses acabaram por vencer 2-1) - o que até levou o (excelente) central australiano Trent Sainsbury dizer que não era fã da tecnologia -, desta vez acabou por beneficiar com ele.

Aos 36 minutos, num canto - what else? - Leckie cabeceou a bola em direção ao braço de Poulsen, que estava levantado, ainda que estivesse muito próximo do adversário. Lahoz entendeu que era penálti e o capitão australiano Mile Jedinák, tal como já tinha feito perante a França, concretizou o penálti - interrompendo os 571 minutos que Kasper Schmeichel já levava sem sofrer golos.

EMMANUEL DUNAND

A Austrália empatava então o jogo, naquele que era o melhor período dos socceroos. É que, antes, o jogo tinha sido todo dos dinamarqueses: com Eriksen (aquele que Peter Schmeichel diz que é melhor do que Neymar) a comandar, Sisto a aparecer solto por todo o lado e Jorgensen a servir de apoio frontal, a Dinamarca esteve sempre melhor na primeira metade da 1ª parte.

Ajudou, também, ter marcado logo aos sete minutos, numa recuperação de bola perto da área australiana - os dinamarqueses iniciaram o jogo a pressionar fortemente os australianos e a impedi-los de sair com critério para o ataque. Jorgensen, já na área, amorteceu a bola e Eriksen, de primeira, marcou um golaço na baliza de Ryan.

Enquanto Eriksen - o homem diretamente envolvido em 18 golos nos seus últimos 15 jogos pela Dinamarca (com 13 golos e cinco assistências) - foi tendo bola, a Dinamarca foi mandando no jogo, procurando de forma paciente ultrapassar o bloco baixo dos australianos, e tanto Sisto como Jorgensen quase chegaram ao 2-0.

Mas, depois, foi a Austrália a subir no campo - e de rendimento -, acabando melhor a 1ª parte e começando melhor a 2ª. Os australianos, sempre (bem) guiados por Kruse e Mooy, lançaram-se ao ataque e beneficiaram da boa entrada do criativo Arzani, que esteve perto do golo por mais de uma vez.

Ainda assim, mesmo no final, foi Leckie a ter a melhor oportunidade de golo, mas, aí, Schmeichel segurou o empate.

Empate que, ao contrário de muitos dos jogos deste Mundial, deu gosto de ver, com duas equipas corajosas, pensando primeiro no ataque e só depois na defesa.