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Grupo C

Deixem lá, nem a vitória servia

Num jogo que já contava pouco, a única seleção das que estavam em campo no Estádio de Fisht que ainda sonhava em passar aos oitavos-de-final, a Austrália, foi derrotada pelo Peru (2-0)

Mariana Cabral

Paolo Guerrero a festejar o segundo golo do Peru frente à Austrália

Stu Forster/Getty

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Estes são tempos difíceis para quem ama verdadeiramente o futebol, como diria Luís Freitas Lobo. É que, segunda-feira, começou a disputar-se a 3ª e última jornada da fase de grupos do Mundial 2018.

Esta informação tem o seu quê de dramático, por duas razões:

- já lá vão mais de metade dos jogos do Mundial;

- os últimos jogos de cada grupo são disputados exatamente à mesma hora, para evitar "jeitinhos".

Ora, a redação da Tribuna Expresso, felizmente, tem duas televisões lado a lado, o que me permitiu não só ver o Austrália-Peru como ir tendo um olho no Dinamarca-França, que ia sendo seguido mais atentamente pela enviada da Tribuna Expresso ao Mundial 2018, Lídia Paralta Gomes.

E a nossa enviada, ao intervalo, dizia o seguinte sobre o Dinamarca-França: "Ia adormecendo" (a crónica está AQUI).

Se lhe parece que isto tem pouco ou nada a ver com o Austrália-Peru, desengane-se: é que o que aconteceria no Dinamarca-França era o que iria definir as duas primeiras posições do grupo C.

Sim, a Austrália ainda tinha hipóteses que se qualificar para os oitavos-de-final, mas tinha obrigatoriamente de vencer o Peru e, depois disso, esperar que a Dinamarca perdesse com a França.

O problema é que a França já estava apurada e a Dinamarca só precisava do empate - e foi assim que, ao fim de 37 jogos no Mundial, aconteceu o primeiro 0-0, com "jeitinho".

E, por muito que a Austrália fizesse frente ao Peru, isso queria dizer que já não se iria apurar.

E a Austrália fez muito frente ao Peru? Muito... pouco. Estranhamente, os papéis até pareciam estar revertidos: o Peru parecia a seleção que ainda podia apurar-se e a Austrália parecia já ter as malas feitas para ir para casa.

O Peru - possivelmente a seleção mais azarada deste Mundial, que jogou muito mas perdeu sempre: 0-1 contra a França e 0-1 contra a Dinamarca - esteve quase sempre por cima no jogo, ainda que a Austrália tenha tido, aqui e ali, as suas oportunidades.

Mas os australianos não tinham, na frente de ataque, a habilidade dos dois peruanos que criaram o primeiro (grande) golo do jogo. Aos 18 minutos, o capitão Paolo Guerrero dominou uma bola longa lançada na profundidade e cruzou para o segundo poste, onde apareceu, de primeira, no ar, André Carrillo a fazer o 1-0.

Os (muitos) peruanos na bancada fizeram uma festa tão bonita quanto a camisola da sua seleção, 36 anos depois do último golo do Peru em Mundiais, e galvanizaram a sua equipa, que quase marcava o segundo, através do capitão.

A Austrália ainda tentou responder, quase sempre através do criativo Tom Rogic, mas a falta de eficácia no ataque mantinha-se - Leckie falhou o empate por pouco e Sainsbury também.

Tim Cahill a preparar-se para entrar

Tim Cahill a preparar-se para entrar

Robert Cianflone/Getty

Logo no início da 2ª parte, fim do jogo: os australianos já deviam saber que os dinamarqueses estavam empatados e, aos 50 minutos, sofreram o 2-0.

Cueva, dentro da área, assistiu Guerrero e o capitão do Peru fez o que nenhum australiano conseguiu: aproveitou uma bola na área para rematar para golo - um golo que pareceu bem improvável nos últimos meses, quando Guerrero esteve suspenso e praticamente fora do Mundial.

Era um belo final de Mundial para o Peru e foi um belo final de Mundial pelo menos para um australiano: o veterano Tim Cahill, de 38 anos, que finalmente entrou em campo - e até ia marcando. Não marcou, mas ao menos disse adeus aos Mundiais dentro do campo. E ficará para sempre na história como o primeiro australiano a marcar na prova, em 2006. E pronto. Deixem lá o resto. Daqui a quatro anos há mais.