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Roberto Ayala à Tribuna Expresso: "A Espanha mostrou melhores processos, mas do outro lado está o jogador que decide jogos - Ronaldo"

Antigo central argentino, com 115 internacionalizações e 63 jogos como capitão (um recorde), está na Rússia como comentador e ainda antes do Argentina-Islândia avisou-nos que falta um processo de jogo à equipa de Messi. Sobre o Portugal-Espanha, viu os espanhóis melhor. Só que a Seleção Nacional tem um jogador que de um momento para o outro "decide jogos". Cristiano, pois claro

Lídia Paralta Gomes

Icon Sport/Getty

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O cabelo continua grande, mas agora em vez do equipamento azul e branco da Argentina, Roberto Ayala veste um impecável fato à medida. Depois de viver por dentro o Mundial enquanto jogador, em 1998, 2002 (em que acabou por não jogar devido a uma lesão antes da estreia) e 2006 (onde fez parte da equipa ideal), o antigo central de 45 anos está na Rússia como comentador televisivo.

As 115 internacionalizações pela alviceleste (mais que ele só Zanetti), 63 delas como capitão, um recorde absoluto, dão-lhe crédito para isso e muito mais. Minutos antes da estreia da Argentina no Mundial, em Moscovo frente à Islândia, falámos com ele. E ainda antes dos argentinos não conseguirem dar a volta à defesa da Islândia e ainda antes de Messi falhar aquele penálti, já Ayala avisava: a Argentina tem grandes jogadores, mas falta ser uma equipa. Houve ainda tempo para falar de Portugal, de Cristiano Ronaldo e de Guedes, que esta época foi o jogador-talismã do Valencia, equipa onde Ayala jogou sete temporadas.

Foste um dos grandes defesas argentinos a jogar em Mundiais e inclusivamente estiveste na melhor equipa do torneio na Alemanha, em 2006. Agora como é ver tudo isto de fora?
[Risos] É diferente, vives de outra maneira. Dás-te conta de como os adeptos vivem o Mundial, a necessidade que os adeptos têm de saber como estão os futebolistas antes dos jogos. E bem, eu vou trazendo para cá um poucochinho daquilo que vivi nos Mundiais que joguei. Agora posso partilhar o meu conhecimento, tudo aquilo que se passava comigo nesses momentos.

E que tipo de coisas partilhas, por exemplo, com os jogadores argentinos que estão convocados para este Mundial? As dificuldades? Aquilo que era bom?
Sim, falo sobre as dificuldades que podes encontrar. Sabes que num Mundial, antes da estreia, há uma ansiedade enorme, nunca sabes ao certo como vais estar, o que vais encontrar. E sabes que às vezes pequenos detalhes te podem deixar fora de um Mundial. É preciso cuidar ao máximo todos os detalhes. Espero mesmo que este Mundial corra bem à Argentina, porque temos bons jogadores, mas ainda nos falta construir uma boa equipa.

O que é que falta especificamente a esta Argentina?
Tenho confiança nos futebolistas porque são bons futebolistas, mas precisamos de encontrar um processo que nos dê garantias, nos dê solidez e que a partir daí a Argentina possa crescer.

Viste o Espanha-Portugal?
Sim, sim. Que grande jogo!

E que te pareceu a exibição do Cristiano Ronaldo?
Cristiano foi a diferença. Acho que a Espanha mostrou melhores processos, mas do outro lado está este jogador que decide jogos. Quando apareceu lá à frente, fez aquilo que toda a gente viu.

És um ídolo no Valência e no último ano houve um português que lá brilhou.
Sim, o Guedes. Fez uma temporada muito boa. Acho que no jogo frente a Espanha esteve mais parado, até porque tinha de estar atento ao Busquets, tinha de fazer esse trabalho. Talvez não tenha sido o Guedes que se viu esta temporada, mas acho que jogou bem e no final de contas foi um resultado positivo para Portugal.

Imagino que gostavas que ele ficasse por Valência no próximo ano.
Óbvio, óbvio! E acredito que o Marcelino também gostasse. Eu gostava que ele ficasse, mas o Marcelino ainda mais!