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Além de parar penáltis a Messi, o guarda-redes da Islândia também realiza anúncios destes

No sábado, o internacional islandês Hannes Halldórsson defendeu um penálti de Lionel Messi - o mesmo Hannes Halldórsson que é realizador de cinema e televisão nos tempos livres, ou não necessariamente por esta ordem, porque já houve uma altura em que o hobby estava no futebol. E dá para entender, porque Halldórsson tem jeito para a coisa

Diogo Pombo

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A frase é curta e simples e até chegaria para, sozinha, resumir a essência do que a Coca-Cola quis transmitir com o minuto e os 42 segundos de vídeo dedicados à Islândia, o nórdico conto de fadas deste Campeonato do Mundo, como já o foi há dois anos: "Um anúncio que recordasse toda a gente que estamos juntos nesta viagem. Podem estar apenas 11 jogadores no campo, mas nunca estamos sozinhos - sentimos que todos os islandeses por connosco".

E a frase bastaria, pois entende-se que ela é a justificação para o que se vê neste anúncio: cenários típicos da paisagem islandesa, entre mar e terra; figuras do desporto do país a aparecerem intercaladamente, como um lutador de artes marciais ou um halterofilista, atletas que o país produzia com mais fartura do que futebolistas; e tudo a acontecer perante os nossos olhos ao ritmo do que nos entra pelos ouvidos, ritmado pelo cântico que os islandeses deram a conhecer, no último Europeu.

O anúncio, saído a dias do arranque do Campeonato do Mundo, será bonito e cativante para os islandeses, em grande parte, talvez, por saberem que foi realizado pelo tipo que costuma tentar impedir que as bolas entrem na baliza da seleção.

Assim como Hannes Halldórsson é guarda-redes na Islândia, também é um realizador de cinema e televisão.

É-o da mesma forma que Heimir Hallgrímsson ainda é dentista, apesar de ser o selecionador nacional - como fez questão de relembrar aos jornalistas, sorridente e num inglês mais do que fluente, na primeira conferência de imprensa que deu na Rússia. Tal como Birkir Saevarsson trabalhou como empacotador de sal numa fábrica, em Reiquiavique, durante esta época e as anteriores. Porque "isto é normal para um islandês, muito mais normal do que ir a Mundial", disse ele, à "Associated Press".

Por associação de ideias, também será normal, portanto, que Hannes Halldórsson seja o escolhido para realizar um anúncio que acabou com este resultado final. Aos 34 anos, o guarda-redes tem tanto jeito para se atirar à relva e parar bolas, como estar atrás da câmara e a realizar os ângulos.

No dia seguinte à Islândia garantiu a qualificação para o Campeonato do Mundo, contou, Halldórsson recebeu um e-mail da Coca-Cola. "Convidaram-me a dirigir um projeto. A oferta era demasiado boa para recusar, adequava-se ao meu estilo, cabia na agenda e vinda de uma das maiores marcas do mundo. Era uma decisão óbvia. Há muito tempo que estava tentado a dirigir um grande projeto, desde que tive de colocar em pausa a minha carreira de realizador por me tornar um futebolista profissional", explicou, ao "Iceland Monitor".

Antes de se dedicar mais a sério ao futebol - e de parar bolas batidas por Lionel Messi a 11 metros de distância, na marca de penálti - que é como quem diz, até ao dia em que foi jogar para fora da Islândia, o guarda-redes já tinha realizado o videoclipe musical do tema com que o país concorreu ao Festival da Eurovisão, em 2012.

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    Grupo D

    Depois de Portugal e Inglaterra no Euro 2016, a Islândia voltou a surpreender um favorito numa grande competição. Nada mais, nada menos que a Argentina de Lionel Messi, que na estreia na Rússia não conseguiu mais que um empate (1-1) frente a uma muito bem organizada equipa nórdica. Foi uma surpresa, é certo, mas será cada vez menos