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Aleksandar, o grande. Mais ou menos (crónica do jogo Costa Rica-Sérvia)

Aleksandar Kolarov marcou um dos golos do torneio e foi assim que a ciclotímica Sérvia derrotou a organizada Costa Rica. Tudo nos sérvios parece uma questão de vontade, e durante alguns minutos, eles tiveram-na

Pedro Candeias

MANAN VATSYAYANA

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A Sérvia, e aqui também incluo a Jugoslávia, é historicamente uma seleção curiosa: cheia de talento e com múltiplas gerações consecutivas de jogadores colocados nos melhores clubes do mundo, zero resultados. Nos últimos mundiais e europeus, os sérvios tiveram prestações profundamente desoladoras – quando lá estiveram.

Vejamos: ficaram-se pela fase de grupos no Alemanha2006 e no África do Sul2010 e não se qualificaram para o Coreia/Japão2002 nem para o Brasil2014; na competição continental, ficaram fora do Portugal2004, do Suíça/Áustria2008, do Polónia/Ucrânia20012 e do França2016.

É como se dentro da Sérvia vivessem duas Sérvias, não uma boa e uma má, mas uma competitiva e outra nem por isso. Basicamente, ciclotímica e o jogo de hoje contra a intrigante Costa Rica, bem organizada por um senhor de respeitável bigode caribenho, é um bom exemplo.

Na primeira-parte, a equipa que tem Ivanovic, Kolarov, Matíc, Tadíc, Milinkovic-Savíc, Mitrovíc (aquele que esteve um milhão de vezes para ir para o Benfica, não o que realmente passou pelo Benfica) jogou quebrada ao meio: laterais que não subiam, dois médios que não subiam, e os avançados que tentavam desorganizar os costa-riquenhos lá à frente, sozinhos.

Poucas ideias, ainda que, uma vez por outra, Keylor Navas tenha mostrado porque é o guarda-redes do tricampeão europeu e não aquilo que o seu look discreto faz supor: um empregado de uma taberna costrariqueña a quem só falta a rede no cabelo devidamente penteado. De resto, nada, apenas uns fogachos e correrias e fintas que davam lugar à indolência no lance seguinte.

Na segunda-parte, a Sérvia entrou a todo o gás, pelo que tudo nesta seleção parece resumir-se a uma questão de vontade. Logo que Kolarov e Matíc começaram a subir mais no terreno, a equipa destes começou a causar mais perigo. No instante em que conduzia a bola, o robusto Mitrovíc foi travado em falta e Kolarov bateu espectacularmente o livre que resultou no únco golo (56') do jogo.

Porque a Costa Rica, obrigada a abandonar o único plano que parece saber de cor, não conseguiu absolutamente nada. O jogo aristocrata de Bryan Ruiz é cada vez menos eficaz e as explosões de Joel Campbell revelaram-se implosões.

Houve ali dois momentos, no entanto, em que os instáveis sérvios poderiam ter deitado tudo a perder: Matíc embrulhou-se com o banco de suplentes costa-riquenho e Prjovic pôs a mão na cara de um adversário; felizmente para eles, o árbitro nada viu no lance do primeiro e deu apenas um cartão amarelo ao segundo, em ambos os casos com recurso ao VAR.

Coerente.