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Grupo E

A prova dos nove foi tirada por um extremo

A Sérvia começou a ganhar e já tinha um pé nos oitavos de final, mas a Suíça conseguiu a reviravolta (1-2) e partilha agora a liderança do grupo E com o Brasil

Mariana Cabral

O extremo Xherdan Shaqiri marcou o golo decisivo da Suíça frente à Sérvia

Clive Rose/Getty

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Terminados os primeiros 45 minutos entre Sérvia e Suíça, os números dos dois homens mais avançados das duas seleções em campo eram estes:

- Mitrovic, número 9 da Sérvia: cinco remates, seis duelos aéreos conquistados, um passe para finalização de um colega, um golo;

- Seferovic, número 9 da Suíça: zero remates, zero duelos aéreos conquistados, zero passes para finalização de um colega, um fora de jogo.

Ao intervalo, Seferovic era substituído por Gavranovic e Mitrovic era louvado por ter marcado o único golo de um jogo em que a produção ofensiva foi intensa por parte de ambas as seleções, mas os golos, esses, aconteceram apenas para um lado.

Porque a história começou melhor para a equipa que já trazia três pontos no bolso, depois de ter derrotado a Costa Rica (1-0) na 1ª jornada do grupo. A Sérvia sabia que podia garantir já a presença nos oitavos de final da prova, caso vencesse, e entrou com o ímpeto necessário para que isso acontecesse: logo aos quatro minutos, Ivanovic cruzou para a área e Mitrovic ganhou o primeiro de vários duelos de cabeça com o central Fabian Schar. Aí, Yann Sommer conseguiu defender, mas, na jogada imediatamente seguinte, após cruzamento de Tadic e nova cabeçada de Mitrovic, já não conseguiu fazer o mesmo.

O primeiro golo da Sérvia frente à Suíça, marcado por Mitrovic

O primeiro golo da Sérvia frente à Suíça, marcado por Mitrovic

Clive Rose

Seguiu-se um festival de ataques de ambos os lados, já que estas eram seleções mais preocupadas em atacar a baliza contrária do que defender a própria - e, por falar nisso, o Mundial já leva 26 jogos com golos, igualando um recorde que se mantém desde o Mundial de 1954.

Mitrovic voltou a ganhar de cabeça na área, mas falhou o alvo; Mitrovic voltou a ganhar de cabeça e amorteceu a bola para Tadic, mas o médio falhou o alvo; Mitrovic voltou a ganhar, agora de peito, na área e rematou de pontapé de bicicleta (!), mas falhou o alvo.

Mitrovic, Mitrovic, Mitrovic. O nove da Sérvia foi sempre o homem mais perigoso em campo, mas a sua seleção não conseguiu ampliar a vantagem e foi vendo a Suíça crescer no jogo. Dzemaili, já dentro da área, falhou a baliza com um remate de primeira, e, depois, permitiu a defesa de Vladimir Stojkovic (esse mesmo, o guarda-redes ex-Sporting que tem um sobrinho de 21 anos com o mesmo nome, que joga, precisamente, no Sporting).

A Suíça ia tendo bem mais bola do que os sérvios, mas, chegada à área, pouco conseguia criar, muito menos marcar (até a fazer lembrar a falta de goleador(es) de seleções como o Peru ou Marrocos...) - tendência que se mantinha no início da 2ª parte.

Depois de um primeiro alerta com um cabeceamento de Mitrovic, para variar, os suíços finalmente conseguiram chegar ao golo. E, se não conseguimos criar oportunidades de golo na área, qual a solução para chegar ao golo? Granit Xhaka, o líder da construção suíça, respondeu: bola a pingar à entrada da área, depois de um remate falhado de Shaqiri que embateu em Kolarov, e o jogador do Arsenal lançou uma bomba para dentro da baliza de Stojkovic.

Já com a Suíça bem mais dominante, num jogo que foi sempre muito aberto para ambos os lados, Shaqiri ia tirando outro golo do bolso, quando, praticamente sem ângulo, no corredor lateral direito, enviou a bola à trave.

A resposta sérvia esteve (quase) nos pés no homem do costume e o problema foi mesmo esse: os pés. Kolarov encontrou Mitrovic sozinho no segundo poste, mas a bola foi rasteira e os 189 centímetros do nove sérvio não permitiram que ele se atrevesse a lançar-se para ela. Se fosse pelo ar...

Xherdan Shaqiri no momento em marca o segundo golo da Suíça frente à Sérvia

Xherdan Shaqiri no momento em marca o segundo golo da Suíça frente à Sérvia

Dan Mullan/Getty

Bem mais perto do chão estavam os 169 centímetros de Shaqiri que, num contra ataque rápido da Suíça, beneficiou do disparate de Tosic, que queria colocar o adversário em fora de jogo ainda no próprio meio-campo da Suíça e perdeu metros preciosos na perseguição ao extremo suíço.

Shaqiri foi por ali fora e, em frente a Stojkovic, desviou a bola e fez o 2-1, já nos descontos. Afinal, quem precisa de um nove?