Tribuna Expresso

Perfil

Grupo E

Ainda falta qualquer coisa a este Brasil, mas já não falta muito para o pentacampeão a encontrar

A canarinha venceu a Sérvia por 2-0, num jogo que nem sempre controlou e em que nem sempre o talento foi igual a produção. Mas nos momentos de maior aperto, o Brasil soube também ser pragmático e estancar o perigo. Segue para os 'oitavos' em primeiro lugar do grupo, ainda não sendo uma equipa perfeita, mas com condições para isso. Lídia Paralta Gomes é a enviada especial da Tribuna Expresso ao Mundial 2018, na Rússia

Lídia Paralta Gomes

Robbie Jay Barratt - AMA

Partilhar

Ôôôô, 58 foi o Pelé/
Em meia dois foi pró mané/
Em sete zero pró esquadrão/
Primeiro a ser tricampeão/
Ôôôô 94 Romariôôô/
2002 Fenomenôôô/
Primeiro pentacampeão/
Único pentacampeão


O Brasil quer ser hexa e ainda não se sabe como será a continuação desta música que os adeptos gritavam no metro a caminho do estádio do Spartak se tal acontecer. Será "2018 Coutinhôôô"? "2018 foi pró Neymar"?

Ainda não se sabe. Neymar é a estrela máxima, mas Coutinho até tem jogado melhor - porque tem um pouco menos talento, mas compensa isso com mais solidariedade, mais jogo sem bola, mais frieza. Mas bem, para este ser o Mundial de um dos dois o Brasil precisa de ser campeão e para isso acontecer parece faltar ainda aquele bocadinho assim, apesar da vitória desta quarta-feira frente à Sérvia por 2-0, que garantiu à canarinha o 1.º lugar do Grupo E.

Este Brasil de Tite tem a magia do trio da frente, nos pés de Neymar, Coutinho e Gabriel Jesus mas também o pragamatismo e objetividade de Casimiro e Paulinho, coisa que nem sempre vimos numa seleção brasileira. Parece a equipa perfeita mas, ainda assim, este Brasil ainda não o é.

Porque a magia nem sempre é consequente, como se viu nas várias jogadas em que Neymar e Coutinho combinavam bem, mas nunca conseguiam engatilhar aquele último passe. E o pragmatismo muitas vezes também deixa de ser mandão, o que foi óbvio na forma como, ali algures entre o minuto 60 e o segundo golo do Brasil, a canarinha perdeu repentinamente o controlo do jogo, deixou a Sérvia avançar no terreno, ser perigosa. E só não se deixou empatar porque Mitrovic desaproveitou um par de erros de Alisson e da defesa brasileira.

Se calhar falta um piquinho de pragmatismo na magia e um pouco mais de pozinhos de perlimpimpim naquela linha média. Fica a sensação que este Brasil pode ser uma máquina, mas ainda não sabe muito bem como fazê-lo. Mas vai a tempo.

Aliás, a forma como Thiago Silva matou o jogo aos 68 minutos, estancando da maneira mais cruel aquilo que era o ascendente da Sérvia, e um ascendente bem perigoso, diga-se, mostra que este Brasil também sabe o que é preciso para ganhar jogos, jogando bem, menos bem, marcando na primeira parte, como fez esta noite Paulinho aos 36', picando a bola por cima de Stojkovic após um passe fabuloso de Coutinho, ou marcando nos descontos, como fez no jogo frente à Costa Rica.

Agora, vem um encontro escaldante frente ao México nos oitavos de final. E diga-se que nesta altura do campeonato, o México é uma equipa mais entusiasmante, mas Brasil parece mais frio, apesar da enormidade de talento que tem. Fica a curiosidade para saber que Brasil teremos na fase a eliminar.

Quanto à Sérvia sai do Mundial simplesmente porque Brasil e Suíça são equipas mais experientes nestas andanças. Bateu-se bem a equipa de Matic, de Jovic e Zivkovic, chegou a deixar o Brasil assustado e antes disso já tinha criado dificuldades ao primeiro e único pentacampeão no início do jogo, com uma pressão alta que obrigou durante largos minutos Neymar e Coutinho a jogar muito longe da área.