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O jalapeño é mais picante que o kimchi

O México bateu este sábado em Rostov-on-Don a Coreia do Sul por 2-1 e está a um passo dos oitavos de final de um Mundial em que tem sido uma das equipas mais empolgantes de se ver, no seu futebol rasga-linhas e rock and roll

Lídia Paralta Gomes

Clive Mason/Getty

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Num Mundial que não está a ser particularmente bem jogado, em que há mais equipas cautelosas do que loucas, mais gente fria do que com o coração na boca (ou nos pés), esta equipa do México é uma espécie de oásis no Deserto de Sonora.

Que o conjunto treinado por Juan Carlos Osorio tem talento parece evidente. Ou pelo menos jogadores em estado de graça como Hector Herrera (que Mundial está a fazer Herrera, amigos), Hirving Lozano e o próprio Chicharito, que parece outro com a tricolor vestida. Mas faltava saber se seriam uma equipa.

Os dois primeiros jogos do Mundial dizem-nos que sim. Duas vitórias, a primeira contra a campeã do Mundo Alemanha por 1-0 e a segunda este sábado frente à Coreia do Sul por 2-1 e, mais que isso, futebol empolgante, futebol rock and roll, o futebol dos contra-ataques supersónicos, do rasgar de linhas, da intensidade. Não é rendas de bilros, é calça de cabedal e uma Ibanez nas mãos.

Curioso que este México, na rapidez com que transforma recuperações em ataques perigosos, nas trocas incisivas e até, porque não, nos erros que por vezes comete tal é a vontade, se parece por vezes ao Liverpool de Jurgen Klopp. Liverpool, a cidade onde Osorio estudou, onde arrendou um quarto com vista para o complexo desportivo dos reds só para lhes espreitar o trabalho.

É um futebol por vezes sôfrego e é por isso que o México falhou tantos golos frente à Alemanha. E é por isso que este sábado, contra a Coreia do Sul, foi uma equipa mais trapalhona, mas ainda assim, não menos picante. A vitória chegou de forma natural, com um golo em cada parte, o primeiro de grande penalidade, por Carlos Vela, e o segundo aos 66 minutos, numa jogada em tudo semelhante àquela que lhes deu o golo frente à Alemanha. A saber: recuperação de bola de Herrera ainda dentro do meio campo mexicano (aqui, talvez em falta), bola lançada rapidamente para o ataque onde Lozano e Chicharito combinaram para o golo. Se no primeiro jogo havia sido o avançado do PSV a marcar, desta vez foi o jogador do West Ham.

À Coreia do Sul falta o talento de outras gerações: eles são rápidos, até sabem trocar a bola, mas o único fora de série ali é Son Heung-min, que ainda reduziu nos descontos com um espectacular remate cruzado e em arco fora da grande área. Mas falta um bocadinho de sabor a este kimchi.

Já o jalapeño mexicano tem sabor forte e capaz de fazer vir as lágrimas aos olhos de muito boa seleção favorita. Para já, a qualificação está aí à porta.