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Quem com Kroos morre, com Kroos mata

Médio alemão deixou a equipa mal quando fez o passe errado que deu o golo à Suécia, golo esse que colocava a Alemanha fora do Mundial. Mas já depois do empate germânico, foi dos pés dele que na compensação saiu o tiro que deu os primeiros três pontos à atual campeã do Mundo, que agora já respira, após a vitória por 2-1

Lídia Paralta Gomes

Stuart Franklin - FIFA/Getty

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Num dia és besta, noutro és bestial, num dia és herói, noutro vilão ou, se o teu nome for Toni Kroos, isso pode acontecer no espaço temporal de um jogo de futebol.

Até ao minuto 90’+5 do jogo entre a Alemanha e a Suécia, o médio do Real Madrid estava a ter uma tarde de desastre em Sochi. Com os campeões do Mundo a precisar de vencer para evitarem aprochegar-se perigosamente da infame lista de campeões em título que caíram na fase de grupos do Mundial seguinte, Kroos era o responsável máximo pelo falhanço da estratégia quase kamikaze de Joachim Low.

Porque quando se tem uma estratégia suicida, de ataque em barda, sem olhar para trás, é essencial não falhar, é essencial não errar um passe. Porque espaço vai haver e o adversário vai sempre procurar o contra-ataque.

Pois bem, depois de um início fulgurante em que asfixiou completamente a Suécia na sua área, mas sem resultados em termos de golos, a Alemanha começou a abrandar o ritmo. E começou a errar. Aos 13 minutos apareceu o primeiro contra-ataque, com Berg a ser desarmado por Boateng mesmo na hora da verdade. O avançado sueco pediu grande penalidade e talvez tivesse razão.

Não marcou aqui a Suécia marcou à passagem da meia-hora. E tudo teve origem num erro garrafal de Toni Kroos, o médio certinho, que vemos há anos e anos no Real Madrid sem cometer qualquer falha que seja durante jogos a fio. Na saída para o ataque, Kroos entregou a bola a um adversário que disse “obrigado” e rapidamente a lançou para Claesson. Este cruzou para Toivonen que disse Ola ao golo com uma bela receção de peito e um ainda mais bonito remate em chapéu, que passou por cima do gigante Neuer para se aninhar nas redes alemãs.

E de repente, ao intervalo, a Alemanha kamikaze não tinha marcado, tinha sofrido e estava virtualmente fora do Mundial. E a desvantagem só não era maior porque mesmo antes do árbitro apitar para o intervalo, Manuel Neuer fez uma defesa à Manuel Neuer num remate de cabeça de Marcus Berg.

Era natural que uma reação surgisse na segunda parte ou pelo menos uma nova estratégia. Esta passou por colocar mais um homem na área, Mario Gomez, o que abriu os espaços necessários para logo aos 48 minutos Timo Werner cruzar na esquerda e surgir ao segundo poste Marco Reus para fazer o empate.

Ola Toivonen fez o golo que por momentos tirou a Alemanha do Mundial

Ola Toivonen fez o golo que por momentos tirou a Alemanha do Mundial

Dean Mouhtaropoulos/Getty

Mais que o empate, era a autorização necessária para a campeã do Mundo carregar novamente. E o filme da 1.ª parte quase se repetia. A Alemanha atacava, atacava, e a cada mau passe de Kroos a Suécia corria desenfreada para a baliza de Neuer. Ainda assim, sem criar o perigo dos primeiros 45 minutos. Já a Alemanha, apesar do caudal que criava, só mesmo nos últimos minutos criou oportunidades flagrantes. Primeiro por Gomez, depois por Brandt, que enviou um míssil ao poste, e quando já ninguém acreditava, quando já toda a gente fazia contas e ia buscar os dados históricos da última eliminação da Alemanha numa fase tão precoce, aconteceu a redenção.

Faltava um minuto para terminarem os cinco de compensação dados pelo árbitro quando num livre bem encostado à esquerda, na entrada da área, Toni Kroos, o homem que tinha tido um jogo para esquecer, que tinha dado o ouro ao bandido e que tinha deixado a equipa mal mais um par de vezes, foi para a bola e com a medida certa de jeito e força colocou-a no canto direito da baliza de Olsen.

Ele ia matando a Alemanha, mas quem acabou no chão foi a Suécia. A vida dá muitas voltas e às vezes só em 90 minutos.