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Grupo F

Olé, olé, o... adiós? Nein

O México entrou para a 3ª jornada enquanto líder do grupo F, mas foi goleado pela Suécia (3-0), que saltou para 1º lugar, e acabou o jogo a ver o que se passava no Coreia do Sul-Alemanha. Os sul-coreanos ganharam (2-0) e, assim, os mexicanos passaram em 2º lugar do grupo, com a Alemanha, campeã do mundo, a ficar em último

Mariana Cabral

Afinal, a festa foi sueca

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/GETTY

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Olé, olé, olé.

Ainda não tinham passado três minutos de jogo no México-Suécia e os adeptos mexicanos já faziam a fiesta: sempre que uma bola era passada pelos jogadores que vestiam de verde...

Olé, olé, olé.

Sim, eles tinham razões para estarem felizes. No primeiro jogo no Mundial 2018, o México venceu a Alemanha - campeã do mundo, recorde-se -, por 1-0; no segundo jogo no Mundial 2018, o México venceu a Coreia do Sul, por 2-1; e, mais do que isso, em ambos os jogos no Mundial 2018, o México tinha mostrado um futebol digno dos maiores elogios, guiado pelo selecionador Juan Carlos Osorio.

Só que, no futebol, como metaforizou um dia um homem que hoje devia estar a ver o Alemanha-Coreia do Sul, a música clássica vale tanto como o heavy metal. Recordemos as palavras de Jürgen Klopp:

"Gosto muito do Arsène Wenger. As equipas dele gostam de ter a bola, jogá-la, passá-la... é como se fosse uma orquestra a tocar. Mas é uma música silenciosa. Eu gosto mais de heavy metal. Quero a minha música sempre alta. Sou um tipo diferente. Durante o jogo festejo quando pressionamos a bola e ela vai para fora. Não gosto de ganhar com 80% de posse de bola. Gosto de futebol de luta".

Ou seja, a beleza, numa coisa ou noutra, está sempre na ótica do utilizador.

Vem isto, obviamente, a propósito do México-Suécia, um claro duelo de estilos de futebol. Os mexicanos, mais criativos, começaram o jogo como se esperava que começassem: a privilegiar a posse de bola e a tentar aproveitar os espaços na defesa sueca para chegar lá à frente. Os suecos, mais simplistas, exacerbaram aquilo que são as suas virtudes: um bloco defensivo coeso, saídas rápidas para o contra ataque e o poderio físico a aparecer no aproveitamento das bolas paradas.

Foi isto, resumindo a coisa, o México-Suécia.

A Suécia criou sempre perigo através das bolas paradas

A Suécia criou sempre perigo através das bolas paradas

Ryan Pierse/GETTY

O jogo ainda mal tinha começado e, na sequência de um livre batido para a área por Larsson, Toivonen e Granqvist quase marcavam.

Não houve golo e o jogo prosseguiu nos trâmites já enunciados: o México controlava a bola, os adeptos iam encetando os tais olés e a Suécia, sempre que tinha uma bola parada, criava perigo - num canto, depois de um desvio de Granqvist, Berg quase marcava, não de bicicleta mas de triciclo.

O México bem tentava ultrapassar a pressão intensa dos dois avançados suecos e fazer a bola entrar dentro do bloco adversário, mas a tarefa não se mostrava fácil, mesmo com a mobilidade de Chicharito e Vela, sempre a pedirem a bola pelo meio.

Teve de haver uma perda de bola sueca no próprio meio-campo para o México finalmente criar perigo: Chicharito recuperou, lançou Lozano e ele, por sua vez, virou para Vela, à entrada da área. O problema é que Vela, a jogar pela direita, é canhoto, e não conseguiu receber para o espaço vazio na área - orientou a bola para o espaço onde tinha adversários e acabou por rematar ao lado.

Foi essa única oportunidade do México que, do outro lado do campo, via os suecos criarem bem mais perigo. Novamente num canto, depois de vários ressaltos, a bola sobra para Berg e o avançado sueco, com a sola (!), remata para a baliza - teve de ser Ochoa a impedir a grande ocasião de golo da 1ª parte.

Ochoa evitou que a bola entrasse na primeira grande oportunidade da Suécia

Ochoa evitou que a bola entrasse na primeira grande oportunidade da Suécia

JORGE GUERRERO/GETTY

O México chegava-se mais vezes à frente, mas era a Suécia a ter mais oportunidades, o que, no fundo, dava um bom jogo de futebol para o adepto: aberto, rápido e disputado.

Na 2ª parte, contudo, a história mudou. É que, logo aos 50 minutos, houve golo da Suécia. Berg, pela direita, cruzou a bola para a área, onde surgiu Viktor Claesson a rematar de forma incrivelmente tosca - a bola enrolou-se e foi na direção oposta à da baliza... direitinha para os pés do lateral esquerdo Ludwig Augustinsson, que rematou de primeira e fez o 1-0.

O golo abalou os mexicanos, que ainda viram, logo depois, Emil Forsberg rematar por cima, em novo ataque rápido dos suecos. E, aos 60 minutos, em mais um contra ataque, 2-0: Berg foi derrubado por Moreno dentro da área e Granqvist marcou o penálti de forma exímia.

O México nunca tinha conseguido acalmar o jogo - e, consequentemente, as transições rápidas dos suecos - e, agora, até era a Suécia que procurava manter a posse da bola, para evitar que o resultado lhe fugisse.

Mas, aos 74 minutos, o jogo ficou resolvido: lançamento lateral para os suecos, obviamente com a bola a ser lançada para dentro da área mexicana, Kiese Thelin dá-lhe um pequeno toque e Edson Álvarez, a tentar cortá-la... mete-a dentro da baliza de Ochoa.

O México, que tinha começado a 3ª jornada como líder do grupo, via a Suécia lançar-se para o 1º lugar e tinha agora de esperar que os alemães não fizessem frente aos sul-coreanos aquilo que costumam fazer: ganhar.

Corona, que saltou do banco, deu mais alguma dinâmica ao ataque já algo caótico do México e tanto Chicharito como Vela estiveram perto do golo, mas a bola não entrou na baliza sueca.

A sorte é que, no outro jogo, a bola também não entrou na baliza sul coreana. E o México, afinal, lá passou. Mas, se calhar, é melhor não retomarem os olés de forma tão precoce.