Tribuna Expresso

Perfil

NBA

Alley-oops, afundanços, astrofísica, recordes e um gigante letão com destreza: assim foi o All-Star Weekend

A crème de la crème da melhor liga de basquetebol do planeta juntou-se este fim de semana em New Orleans com um único objetivo: entreter-nos. No duelo entre conferências, venceu o Oeste, mas o espectáculo não ficou por aí

Lídia Paralta Gomes

Anthony Davis, poste dos New Orleans Pelicans, marcou 51 pontos, um novo recorde do All-Star Game

Gerald Herbert - Pool/Getty

Partilhar

“A Terra é plana. A Terra é plana… Está mesmo em frente aos nossos olhos. Estou a dizer-vos, está mesmo à frente dos nossos olhos! Eles mentem-nos”

Estamos em 2017, há estações do ano, há dia e noite, e Kyrie Irving, jogador dos Cleveland Cavaliers, acredita que a Terra não é redonda. A afirmação, feita num podcast dos colegas de equipa Richard Jefferson e Channing Frye, deu para muito e bom falatório no All-Star Weekend, que este ano desceu até New Orleans, que antes do Carnaval, lá mais para o final do mês, recebeu a maior festa do basquetebol, aqueles três dias em que os maiores craques da NBA se juntam e não interessa ganhar (bem, interessa sempre), mas sim dar muito espectáculo.

Vá lá, vamos fazer um esforço para compreender Kyrie Irving. Afinal de contas, é normal vermos muitas leis da astrofísica serem quebradas no All-Star Weekend, nomeadamente a lei da gravidade. É que só no fim de semana das estrelas da NBA podemos ver bonitos alley-oops, afundanços sobre quatro pessoas ou rapazes de 2,21 metros a vencer concursos de destreza.

E é por causa disso que muitos de nós ficam acordados noite fora. Porque gostamos de ver regras a serem quebradas. Mas bem, para os que hoje precisavam de se levantar cedo, fica o resumo do que se passou este fim de semana em New Orleans.

ALL-STAR GAME, MONOCELHA AO PODER

Comecemos pelo All-Star Game porque é o prato forte do fim-de-semana. Na última madrugada, o jogo que reúne os melhores do Este e do Oeste foi, para não variar, um festival de pontos, onde não há cá lugar para defesa ou para jogadas que não sejam, no mínimo, vistosas.

A equipa do Oeste, com Stephen Curry, James Harden, Kevin Durant, Kawhi Leonard e Anthony Davis como titulares, venceu a seleção da Conferência Este (que também não era nada má, ora vejamos: Kyrie Irving, DeMar DeRozan, LeBron James, Jimmy Butler e Giannis ‘The Freak Greek’ Antetokounmpo nos titulares), por 192-182, pontuação até ontem nunca alcançada num All-Star Game, que começa a flertar seriamente com a barreira dos 200 pontos.

Que arranque a brincadei... ah, desculpem, o jogo

Que arranque a brincadei... ah, desculpem, o jogo

Jonathan Bachman/Getty

Mas há mais recordes. O mais impressionante até caiu para Anthony Davis, poste da seleção do Oeste, que no seu pavilhão - é jogador dos New Orleans Pelicans - marcou 52 pontos, novo máximo num All-Star Game e, sem surpresas, foi considerado o MVP do encontro. O jovem de 23 anos, conhecido por Monocelha (a explicação está aqui), ultrapassou um tal de Wilt Chamberlain, que em 1962 tinha marcado 42 pontos no jogo que reúne a crème de la crème da maior liga de basquetebol do planeta.

Em grande estiveram também os ex-colegas de equipa-agora-desavindos Russell Westbrook e Kevin Durant. O primeiro, que procurava o terceiro título de MVP consecutivo, terminou o jogo com 41 pontos, 7 assistências e 5 ressaltos. Já Durant, no seu primeiro All-Star enquanto membro dos Golden State Warriors, fez um triplo-duplo de 22 pontos, 10 ressaltos e 10 assistências. Foi apenas o 4.º triplo-duplo da história do All-Star Game, com o extremo a juntar-se a LeBron James, Dwyane Wade e a um outro rapaz chamado Michael Jordan.

E por falar na guerra Westbrook/Durant: muito se especulou sobre as faíscas, raios e coriscos que iria causar o reencontro dos dois na mesma equipa. Mas tudo acabou em bem. Aliás, a recordar os bons velhos tempos nos Oklahoma City Thunder, a sociedade Westbrook/Durant deixou um dos highlights do jogo.

Não consta que as pazes tenham sido feitas, mas pelo menos a química ainda ali está.

Do lado do Este, LeBron James deixou o protagonismo para os mais novos: mais preocupado em poupar-se para ajudar os Cavs na luta pelo título, jogou apenas 19 minutos e marcou 23 pontos. Brilhou Giannis Antetokounmpo, rapaz de nome difícil mas afundanço fácil, que no seu primeiro All-Star (e logo a titular), marcou 30 pontos, grande parte deles capazes de deixar a tabela um tanto quanto mal tratada.

Mas como nisto do All-Star, mais do que ler importa ver, fica um vídeo com os melhores momentos, onde não faltam triplos de Stephen Curry, roubos de bola de Kawhi Leonard, lançamentos todos malucos de Russell Westbrook que, como por magia, entram, assistências estratosféricas de Kyrie Irving ou afundanços de levantar da cadeira de LeBron James. O que já seria de esperar, portanto.

AFUNDANÇOS COM DRONES? SIM

Antes do All-Star Game de domingo, no sábado houve os habituais concursos. Destreza, triplos e, o mais esperado, o de afundanços.

O Skills Challenge este ano surgiu com novas regras: de um lado os bases (biologicamente mais dotados para este tipo de brincadeiras) e do outro os bigs (que normalmente mais parecem elefantes em lojas de porcelana neste concurso). E como há sempre espaço para desfechos curiosos no All-Star Weekend, no final ganhou um moço com meros 2,21 metros de altura, o letão Kristaps Porzingis, dos New York Knicks. Mais um que desafiou as mais elementares leis da física.

Nos triplos, a vitória foi para Eric Gordon, dos Houston Rockets e no concurso de afundanços também houve surpresa. Aaron Gordon, extremo dos Orlando Magic, tentava a desforra depois de no ano passado ter perdido por pouco para Zach LaVine, num dos melhores concursos dos últimos anos.

Os drones já chegaram ao basquetebol. True story

Os drones já chegaram ao basquetebol. True story

Gerald Herbert - Pool/Getty

E cenicamente, entrou a matar, pedindo a ajuda de um drone para o primeiro afundanço. O certo é que o seguinte não correu bem e a final acabou por ser disputada entre dois ilustres desconhecidos: Glenn Robinson III, dos Pacers, e Derrick Jones Jr., dos Phoenix Suns. Venceu o primeiro, com um afundanço em que voou sobre Paul George (estrela da sua equipa), Boomer the Panther (a mascote dos Indiana Pacers) e uma das cheerleaders da equipa - convinha mesmo não falhar o tempo de salto, que não há seguro que pague tanto estrago.

Na sexta-feira, a festa do All-Star havia começado com o jogo das celebridades, de onde queremos apenas destacar as meias de Win Butler, vocalista dos Arcade Fire.

No jogo que junta os melhores rookies e sophomores da liga, que serve para a garotada se divertir e que agora se disputa no formato USA vs. World (é o que dá a globalização da NBA), venceu a equipa dos miúdos estrangeiros por 150-141. Toma Trump!

Partilhar