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Descansar pelo título ou continuar com o show? O novo dilema da NBA

Decisão das equipas de deixarem estrelas como suplentes motiva o debate sobre o calendário pesado da NBA e o quanto vale sacrificar os grandes jogadores pelo espetáculo

Evandro Furoni

Rob Carr/Getty

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Até que ponto o espetáculo é mais importante do que um título? Este é o debate mais recente na NBA. Para diminuir os efeitos da extenuante maratona da liga de basquetebol norte-americana, tanto os Cleveland Cavaliers como os Golden State Warriors decidiram deixar as suas estrelas no banco de suplentes nos últimos dias.

A decisão não agradou às televisões detentoras dos direitos de transmissão, aos adeptos e nem à própria liga.

O comissário Adam Silver, principal nome da organização da NBA, enviou na última segunda-feira um aviso para todas as equipas da liga de que a prática de descansar atletas sem aviso prévio será debatida na próxima reunião entre os gestores do basquetebol americano em abril. E a NBA ameaça multar quem avisar apenas momentos antes do jogo que as estrelas não serão titulares.

Silver também lembrou no comunicado que os gestores da liga precisam de ser avisados de tais práticas, porque eles sabem como não ter as estrelas em um jogo “pode afetar adeptos e parceiros” da NBA.

Tanto os Cavaliers quanto os Warriors decidiram colocar estrelas no banco durante um jogo de sábado à noite, horário nobre do basquete nas televisões norte-americanas. Os respetivos anúncios foram feitos apenas momentos antes de as equipas jogarem.

As detentoras dos direitos de transmissão não gostaram nada. Quem esperava ver Stephen Curry e Klay Thompson desafiarem os San Antonio Spurs, viu Patrick McCaw marcar apenas dois pontos no jogo. No último sábado, LeBron James e Kevin Love estavam entre os suplentes enquanto os Los Angeles Clippers batiam os Cavaliers por 108 a 78.

A "ESPN", por exemplo, pagou mais de €2,4 mil milhões para poder exibir a atual época.

Highway to hell

O problema é que as equipas têm os seus motivos para abrir mão de algumas vitórias. O calendário da NBA pode ser exaustivo. Não é incomum as equipas serem obrigadas a jogarem quatro jogos em cinco dias, todos disputados em cidades diferentes.

E isso tem um preço.

Os Warriors já não sabem quando poderão contar com a maior contratação desta época, porque Kevin Durant machucou-se durante uma maratona da equipa californiana de oito jogos em 13 dias, todos em cidades diferentes. Nos Cavaliers, Kevin Love recupera de uma cirurgia ao joelho.

Tanto os Warriors como os Cavaliers já estão classificados para os playoffs da NBA. A equipa de Curry lidera a Conferência Oeste com 56 vitórias, enquanto os Cavs estão à frente da Conferência Leste com 46 vitórias. As duas equipas são favoritas para reeditarem a final da última época.

A liga sabe o quanto a maratona de jogos fora de casa pode acabar com uma equipa e, por isso, próxima pré-época foi reduzida numa semana para dar mais flexibilidade para o calendário. Em abril discutir-se-á se a decisão de quem joga ou não cabe apenas ao técnico ou ao basquetebol norte-americano como um todo, levando-se em conta os milhões investidos para promover as grandes estrelas.

“É, e eles pagam-me para conquistar campeonatos", disse David Griffin, gerente geral dos Cavaliers, quando questionado sobre o dilema.