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Isto é como no 4 em linha: os Warriors estão a uma peça do título

Na quarta-feira, a formação de Oakland foi feliz pela terceira vez nas finais da NBA 2017. Embora sejam, ao todo, 7 as partidas que colocam frente a frente os clãs representantes do Este e do Oeste (Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors), o número pode ser reduzido para 4 - caso os guerreiros repitam a peripécia e se sagrem campeões já na próxima madrugada

Sónia Santos Costa

Ronald Martinez

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O dia 1 de Junho marcou o início das finais da NBA. Ainda não tinham começado a ser disputadas e já traziam algo inédito à história da Liga: é pelo terceiro ano consecutivo que se decidem entre as mesmas equipas, ambas acabadas de chegar de playoffs onde mostraram clara vantagem face aos oponentes.

Do Oeste, os Guerreiros de Oakland

Com o desaire do vice-campeonato de 2016 lançado para trás das costas, este ano os Golden State Warriors chegam seguros de si e cada vez mais fortes. Na temporada, tiveram a melhor campanha da liga (somaram 67 vitórias e apenas 15 derrotas). Podiam ter enfraquecido com a lesão de Kevin Durant, mas a liderança de Stephen Curry não o permitiu e varreram os rivais nos playoffs, sem um único jogo perdido (4-0 a Portland, 4-0 a Utah, e 4-0 a San Antonio).

Do Leste, os Cavaleiros do Ohio

Lideravam nos seus playoffs, até ao fim de semana do All-Star. Passaram por algumas dificuldades e acabaram por perder a liderança para os Boston Celtics, que não podiam contar com o lesionado Isaiah Thomas. No entanto, a equipa de LeBron James fechou as meias-finais da conferência em 4 a 1 - nas eliminatórias anteriores, 4-0 a Indiana, e 4-0 a Toronto.

Depois, vieram as finais.

1.º round: os “olhinhos” de Rihanna não amansaram estrela do Oklahoma

O primeiro jogo da final teve lugar na casa dos Warriors, a 1 de junho, e arrancou com nervosismo de ambos os lados. Os Cavaliers atreveram-se a inaugurar uma pequena vantagem, mas foram rapidamente intercetados pelos Warriors, que lhes impuseram um ritmo forte de marcação - forçando os hóspedes a cometer alguns erros (no primeiro tempo, os Cavs fizeram 12 passes errados, 7 deles de LeBron James, enquanto os Warriors só erraram um).

Destaque para duas estrelas: Durant, que fez 38 pontos (e diz que nem se lembra dos olhares que os fotógrafos o apanharam a cruzar com a cantora, fã número 1 de LeBron), e Stephen Curry, que somou 28. Lebron James também fez 28 pontos e uma fantástica exibição, mas não conseguiu evitar a infelicidade da sua equipa neste primeiro encontro - que acabou numa vitória dos Warriors por 113 a 91.

Segundo round: antes, Durant e depois

A Oracle Arena recebeu, a 4 de junho, uns Cavs mais agressivos, que começaram com ambição e a obrigar os adversários a cair em algumas rasteiras. Essa postura permitiu-lhes arrancar com uma ligeira vantagem, mas os Warriors assumiram as rédeas do jogo e rapidamente começaram a fazer aquilo no qual são melhores - pressionar, encestar… E controlar.

Nos curtos 10 minutos que LeBron James tirou para se sentar e descansar as pernas, os rivais aproveitaram para engordar a vantagem em mais 10 pontos. O gigante da camisola 23 ainda se levantou a tempo de conseguir que os seus Cavs fossem para o intervalo a ganhar.

“King James” lá jogou sozinho pela equipa durante o terceiro período, mas o reinado isolado do MVP das finais de 2016 não chegou para superar o terramoto provocado pelos suspeitos do costume: o brilhante Kevin Durant e o inspirado Stephen Curry voltaram a ser dupla imbatível e o jogo fechou com nova vitória para Oeste, com 132 a 113.

Os Warriors ampliaram, assim, a sua vantagem na série para 2 a 0. Mas ficavam a faltar dois jogos fora de casa e uma claque a puxar pelos adversários.

Terceiro round: quando “dar tudo” não chega

As audiências das finais da NBA já não atingiam níveis tão altos nos Estados Unidos desde que Michael Jordan conquistou o último dos seus seis títulos pelos Chicago Bulls, corria então o ano 1998. E se os dois primeiros duelos de titãs mantiveram os espectadores de olhos postos no ecrã, o terceiro não foi exceção.

Desta vez, os amantes de basquetebol puderam deliciar-se com um jogo daqueles dignos de se ver: os Cavs mostraram de que fibra são feitos e levantaram-se para fazer frente aos homens de Oakland.

Mas os guerreiros querem vingar a saída cabisbaixa do ano passado - e, para isso, vieram armados com o melhor arsenal (sim, novamente a dupla endiabrada Curry-Durant que não tem deixado Tyronn Lue dormir).

Numa Quicken Loans Arena cheia e a puxar pela equipa da casa, os Cavaliers dominaram e mostraram a vontade de reverter a situação e de vencer 4 partidas das próximas 5.

Ainda assim, os visitantes não permitiram que a sua superioridade fosse colocada em causa - a escassos segundos do final, Durant apareceu para acabar com a brincadeira e tirar as teimas, encerrando o jogo numa vitória por 118 a 113 para a sua equipa.

Em declarações à imprensa após o encontro, LeBron afirmou “Dei tudo o que tinha”.

Parece que nem o melhor do melhor foi suficiente.

Serão precisos os cinco dedos da mão para se decidir o campeão?

Ponto da situação: os Golden State Warriors lideram a grande final por 3-0. Quer isto dizer que a formação de Oakland pode abandonar a Quicken Loans Arena em Cleveland, esta sexta, ao som dos cânticos de vitória. Isto, claro, caso voltem a sair por cima - mas a concorrência também não é pêra doce e a esperança ainda mora pelos lados do Ohio.

Miguel Minhava, ex-basquetebolista português e comentador da modalidade na SPORT TV, acredita de que tudo pode ficar em pratos limpos neste quarto jogo. “Com o 3-0 e da forma como as coisas estão a correr, acredito mesmo que possa já terminar o campeonato.”, referiu, não deixando de salientar um protagonista inquestionável e com culpa no cartório por esta temporada de domínio dos Warriors. “E temos de falar do Durant. Ele veio para os Golden State para isto. Chegado o momento da verdade, não vacilou. Tem sido uma grande mais-valia para a equipa. Foi um bocado criticado no verão por ter feito esta mudança [de Oklahoma para Golden State] e acho que ninguém lhe perdoava se não fosse campeão.”