Tribuna Expresso

Perfil

O meu clássico na Tribuna

Vítor Paneira: "O árbitro foi para a televisão falar do jogo, desculpou-se no Domingo Desportivo nesse mesmo dia"

Em semana de Benfica-FC Porto, a Tribuna Expresso tem uma história por dia sobre o clássico, contada por quem a viveu, na primeira pessoa. É a vez de Vítor Paneira e do jogo que perdeu na Luz por 3-2 em 91/92, marcado por uma grande penalidade que não existiu e que valeu a expulsão de Rui Bento. E também do jogo que marca a sua estreia em Clássicos em Lisboa, perante 140 mil pessoas

Vítor Paneira (depoimento recolhido por Lídia Paralta Gomes)

Partilhar

Há um Clássico que me recordo de forma negativa, um que perdemos 3-2 [em 1991/92], um jogo muito polémico no Estádio da Luz. Há uma expulsão, penso que do Rui Bento, por causa de uma grande penalidade que foi fora da área mas foi assinalada dentro. O árbitro depois veio para a televisão falar sobre o jogo, desculpou-se no Domingo Desportivo desse mesmo dia.

Fizemos um jogo extraordinário, com menos um, mas claramente houve ali influência muito direta naquilo que foi o resultado final.

Recordo também o Clássico que ganhámos 2-0 [em 1990/91], um jogo que era importante vencer para chegar ao título. E há o meu primeiro, que recordo sempre com grande memória. Empatámos 0-0 [1988/89], num jogo na Luz em que estavam 140 mil pessoas no estádio. O Quinito era o treinador do FC Porto nessa altura e o falecido Zé Beto estava na baliza. Foi um jogo incrível, com tudo aquilo que é viver o primeiro Clássico. Em Lisboa vivia-se muito mais os Benfica-Sporting do que os Benfica-FC Porto, mas esse jogo, como eu sou do norte e tinha vindo para Lisboa há pouco tempo...foi incrível.

Entrar em campo e ver 140 mil pessoas... sentes respeito. Há a sensação de– que estamos a entrar em qualquer coisa fora do normal. O impacto que é entrar e ver o 3.º anel acho que abanava qualquer equipa que fosse lá jogar.

Há outro jogo que me marcou muito, mas já como adepto. Há três anos, o Clássico que aconteceu dois ou três dias depois da morte do Eusébio. Foi um Clássico que vivi de forma diferente, não por ter participado diretamente nele, mas pela emoção que teve, por tudo o que envolveu. Acho que todos os benfiquistas que estavam naquele estádio percebiam a importância de vencer aquele jogo para dedicar ao Eusébio. Ganhámos por 2-0.

JACQUES DEMARTHON/Getty

O FC Porto tinha sempre grandes equipas e grandes jogadores, portanto houve sempre grande respeito. O Branco era um grande lateral - eram os laterais que me apareciam pela frente -, internacional brasileiro, um jogador de grande regularidade. Era um dos jogadores que me dava mais adrenalina defrontar.

Eles eram os nossos grandes rivais. Nós dividimos os campeonatos com o FC Porto, não dividimos com o Sporting, que na altura era quase um outsider. Era com eles que disputávamos os títulos até ao fim. E os Clássicos eram sempre jogos muito emotivos, jogos de grande intensidade, havia sempre muita polémica à volta: 15 dias antes havia já aquela envolvência, a especulação, as palavras. Era tudo sobre aquele jogo, porque a maior parte das vezes quem ganhasse, era campeão.

Partilhar