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O meu dérbi

Bruno Aguiar: “Eu tentava evitar falar contra quem ia jogar”

Em semana de Sporting-Benfica, a Tribuna Expresso tem uma história por dia sobre o dérbi, contada por quem a viveu, na primeira pessoa. Esta é a de Bruno Aguiar, o médio que fez 30 jogos pelo Benfica em 2004/05 e esteve nas duas partidas contra os leões

Bruno Aguiar (depoimento recolhido por Diogo Pombo)

MIGUEL RIOPA

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Felizmente, tenho boas memórias dos dérbis.

Em 2004/05, apesar de estar no banco de suplentes, vi o Luisão a fazer o 1-0. Lembro-me perfeitamente. E do 3-3 na Luz, em que conseguimos passar à final [da Taça de Portugal] depois da vitória sobre o Sporting. É um jogo especial, como toda a gente o encara. Os jogadores também o sentem, apesar de, quando se entra em campo, se esquecer de tudo. Falo por mim - eu esquecia tudo.

Só nos lembramos de jogar futebol, sabendo que temos muitos adeptos atrás, a torcer por nós, com muita vontade que a gente ganhe. Era um miúdo, tinha 22 anos e já tinha sido emprestado. Não tinha a maturidade suficiente, mas, felizmente, não senti esse peso. As coisas até correram bem.

O Trapattoni encarava quase todos os jogos da mesma maneira. Para ele, cada jogo tinha uma história e não ia mudar a maneira de jogar, e de ser, só por ser contra o Sporting. É óbvio que há sempre um tratamento especial, na forma como se cuida dos jogos em termos táticos. Há sempre mais equilíbrio por tudo o que está a acontecer à nossa volta. Os jornais abrem páginas todos os dias com o dérbi. Mas não penso que o Trapattoni mudasse muito por ser o Sporting ou outra equipa qualquer.

Todos os jogos são importantes. Repare-se agora, com o Benfica - se tivesse ganhado ao Setúbal, este dérbi se calhar não tinha esta importância toda. É a vida.

Pedro Monteiro

O Petit era o jogador que jogava mais perto de mim, e que puxava mais por mim. Dava-me indicações numa maneira muito própria dele, mas que sempre entendi como uma maneira de me ajudar. Era duro. Comecei a perceber que era assim e foi-me ajudando. Acabei muito bem a época nesse ano. Lembro-me de um jogo no Estoril, em que ganhámos 2-1 e joguei ao lado dele. As coisas correram bem. Mas o Nuno Gomes e o Luisão também ajudavam muito.

Não passei por quaisquer picardias naqueles dérbis. Conhecia muitos jogadores que jogavam no Sporting. O Carlos Martins jogava nessa altura, também o Hugo Viana, tínhamo-nos encontrado na seleção e respeitávamo-nos. Durante o jogo pode acontecer uma coisa ou outra, mas sempre com lealdade e respeito.

Havia poucas mensagens durante a semana. Os jogadores tentam evitar essas brincadeiras, porque, às vezes, pode surgir a pergunta do “sabes quem vai jogar?”. Eu tentava evitar falar contra quem ia jogar. Depois do jogo, claro, brincava e ficava tudo normal. Com o Carlos Martins brincava de certeza, porque sou amigo pessoal dele.

Quando jogávamos um contra o outro até nos ríamos, sem que ninguém se apercebesse. Tìnhamos uma grande cumplicidade. Depois de os jogos terminarem, claro que fazíamos sempre brincadeira um com o outro. Mas nada de especial.

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