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O meu dérbi

João Tomás: “O meu melhor dérbi tem a marca do pesadelo do Benfica”

O “Jardel de Coimbra” já ia nos 39 anos quando pendurou as chuteiras, com mais de 100 golos nas pernas. O agora diretor desportivo do Famalicão não hesita em eleger o Benfica-Sporting de 2000/2001 como o dérbi da sua vida, ainda que também se lembre bem daquele golo de Sabry na época anterior... Com Mourinho como treinador, marcou dois golos em cinco minutos, no mesmo ano em que as águias aninharam em 6º lugar, a pior classificação de sempre

João Tomás (depoimento recolhido por Isabel Paulo)

João Tomás esteve no Benfica entre 1999/00 e 2001/02, partindo depois para os espanhóis do Bétis

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Se há jogos que ficam para a vida, são os dérbis. Felizmente, na minha longa carreira tenho, não um, mas dois de que me lembro sem esforço, ambos com o Sporting. O primeiro aconteceu no final da época 1999/2000, tinha eu chegado à Luz em janeiro, ainda nervoso para me impor na equipa.

Foi um jogo estranho. O Benfica já não tinha hipótese de ser campeão, mas ir a Alvalade era - e é - sempre especial. Bastava o Sporting empatar para ganhar o título e acabar com o jejum de 18 anos, o que não aconteceu por pouco. Já não sei a quantos minutos do fim, na sequência de uma falta sobre mim, o árbitro marca um livre direto e Sabry faz o 1-0, impedindo que fossemos os 'convidados' da festa.

Na época seguinte, ainda antes do Natal, recebemos o Sporting na Luz, e fui o protagonista do dérbi do qual ainda me falam na rua: em menos de cinco minutos fiz dois golos, após substituir o Van Hooijdonk, que marcou o primeiro golo da partida. Ficou 3-0, foi um jogo espetacular, uma alegria tremenda, apesar de não durado muito.

O Mourinho, que viera para o lugar de Jupp Heynckes há três meses, nessa noite ou no dia seguinte demitiu-se. Ficámos à toa, sem perceber o que se passava, tanto mais que o Inácio tinha sido despedido do Sporting por causa da derrota.

Para mim foi uma grande tristeza, pois era uma época em que estava em excelente forma, tinha-me afirmado como titular, fora chamado à seleção e marcara dois golos aos eternos rivais, depois de ter feito um esforço terrível para recuperar a uma lesão no joelho contraída uma semana e meia antes do dérbi. Comecei no banco, depois de 15 dias antes ter marcado um hat-trick em Guimarães. Foi tipo ir do inferno ao céu e cair num pesadelo.

No futebol, como na vida, tudo pode mudar de um instante para o outro. Veio o Toni, ainda houve uma série de jogos positivos, mas após o empate com o Boavista em casa - que viria a ser campeão nacional contra todas as previsões -, até ao final da época, foi uma trajetória penosa.

Um descalabro que acabou com o Benfica em 6º lugar, o pior resultado de sempre.

Enfim, o que vale é que estes dérbis entre Sporting e Benfica, em casa de um ou de outro, são sempre especiais, como será o de sábado. Vou ver sossegado em casa, como gosto nestes jogos, agora mais tranquilo na condição de adepto. Não sou de apostas, nem de totobola nem Placard, mas se tivesse de o fazer era certamente um jogo de tripla. E esperemos que seja um jogo sem casos, em que os dirigentes se comportem à altura, em vez de andar tudo à bofetada. Que ganhe o melhor!

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