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O meu dérbi

Iordanov: “Tudo o que acontecia dentro das quatro linhas ficava lá. Para mim, não havia cá guerras. Era amigo de jogadores do Benfica”

Semana quente de dérbi. A Tribuna Expresso tem uma história por dia sobre o encontro entre leões e águias, contada por quem a viveu, na primeira pessoa. Ivaylo Iordanov deu a Taça ao Sporting em 1994/95, esteve com o símbolo do clube de Alvalade ao peito durante 10 anos e muitos dérbis jogou. Alguns dos 70 golos que tem ao serviço do Sporting foram contra o Benfica e o búlgaro recorda alguns

Ivaylo Iordanov (Depoimento recolhido por Patrícia Gouveia)

Foto DR

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É um jogo especial, por isso é que também se pode chamar de clássico. É um encontro emocionante para qualquer atleta, independentemente de ser do Benfica ou do Sporting. É vivido de uma maneira diferente pelas pessoas de fora, os adeptos e os próprios jornalistas. É uma euforia muito grande quando há um jogo destes e eu fico muito feliz por ter feito parte do Sporting e por ter feito parte daqueles dérbis contra o Benfica.

Eu entrava no dérbi como entrava noutro jogo qualquer. Entrava para ganhar. O próprio ambiente que se gerava à volta do jogo era diferente. Era fenomenal. Mas o jogo em si era igual a outro qualquer. Entrávamos no campo para ganhar, independentemente de ser o Benfica ou outro. Respeitava todos os adversários e a preparação antes do jogo era feita de igual forma.

Guardo com carinho as vitórias sobre o Benfica, mas também lembro-me das derrotas. Lembro-me daquele que foi o pior dérbi. Foi em 1994, perdemos em casa por 6 a 3. Foi o pior porque se tivéssemos ganho esse jogo, o Sporting era provavelmente o campeão dessa época. O Sporting naquele ano era a melhor equipa a jogar em Portugal. Foi pena porque o jogo era em casa e a derrota tirou-nos a oportunidade de passar para a frente do Benfica e sermos campeões. Foi mesmo o pior dérbi.

Lembro-me de todos os golos de marquei ao Benfica, lembro-me de em 1995 ter marcado ao Benfica um golo de cabeça e pouco depois fui expulso. Foi talvez o único cartão vermelho que levei na minha carreira no Sporting. Mas acabamos por ganhar 2 a 0. Recordo-me de outro golo que marquei também de cabeça no Estádio da Luz... Eram golos bonitos.

Vítor Chi

Quando acontecia ver o dérbi do banco por alguma razão, era mais difícil do que se estivesse dentro do campo porque queria ajudar a equipa, mas não o podia fazer.

Havia respeito dentro de campo durante os jogos. Tudo o que acontecia dentro das quatro linhas ficava lá. Lá fora, para mim, não havia cá guerras. Tinha amizades com outros jogadores, com sócios do Benfica. Dava-me bem com toda a gente.

As vitórias eram boas, mas eram só três pontos. E as derrotas a mesma coisa. Eram só três pontos, não perdiamos mais nada. É o futebol. Umas vezes ganhávamos, outras vezes perdíamos, infelizmente.

Tinha um ritual antes do jogo para dar boa sorte, mas esse fica para mim (risos).

Os adeptos sempre viviam as partidas intensamente. Quando começávamos a ficar mais desgastados, eles começavam a puxar por nós e o ambiente mudava completamente, ainda para mais quando jogávamos em casa. Com eles, íamos buscar forças a qualquer lugar para correr e fazer mais para lhes dar uma alegria.

E é claro que vou ver o dérbi este sábado. Ainda por cima é no dia do meu aniversário e espero bem que o Sporting ganhe porque era a melhor prenda para mim.

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    O “Jardel de Coimbra” já ia nos 39 anos quando pendurou as chuteiras, com mais de 100 golos nas pernas. O agora diretor desportivo do Famalicão não hesita em eleger o Benfica-Sporting de 2000/2001 como o dérbi da sua vida, ainda que também se lembre bem daquele golo de Sabry na época anterior... Com Mourinho como treinador, marcou dois golos em cinco minutos, no mesmo ano em que as águias aninharam em 6º lugar, a pior classificação de sempre