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Nicolau Santos

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Diretor-Adjunto

Sporting: teme-se o pior, espera-se o melhor

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Convenhamos que no arranque de mais uma Liga de futebol, a nação sportinguista só pode estar apreensiva. Em primeiro lugar, porque este ano não existe o entusiasmo galvanizante de 2015, quando Jorge Jesus foi anunciado como treinador, após ter sido empurrado com maus modos e pouco jeito para fora da Luz; em segundo, porque não se vislumbra que tenha sido contratado nenhum reforço sonante para a equipa principal; e em terceiro porque a espinha dorsal da equipa, que fez a diferença na qualidade do futebol produzido no ano passado e nos recordes de vitórias alcançadas, dá claros sinais de continuar a contra-gosto no clube.

Ao contrário do ano passado, em que apresentou um discurso ambicioso e galvanizador desde a contratação de Jorge Jesus, as palavras do presidente Bruno de Carvalho são agora sobretudo de desdramatização das seis derrotas sofridas na pré-época, sublinhando que não há razões para preocupação. Mesmo o treinador, que no início da época passada sublinhou que passava a haver três candidatos ao título e que o Sporting estaria na luta pelo primeiro lugar até ao fim (o que aconteceu), tem agora um discurso igualmente desdramatizador deste catastrófico arranque de época, chegando ao ponto de insinuar que as coisas vão mudar quando os melhores começarem a jogar (o que não motiva seguramente os que têm jogado até agora).

Temos, depois, os reforços. E nesta matéria, o Sporting está a tornar-se o clube do “tenta contratar”. É só fazer uma pesquisa da imprensa desportiva dos últimos dois ou três meses. “Sporting tenta contratar holandês Van Persie”; “Sporting tenta contratar Óscar Cardozo a custo zero”; “Sporting tenta contratar Sandro apesar do elevado salário do médio brasileiro”; “Sporting tenta dupla contratação em Inglaterra”; “Sporting tenta contratar Mário Gomez”; “Sporting tenta contratar Ricardo Carvalho”…

Convenhamos que o Sporting tenta contratar muitas vezes mas que poucas vezes consegue o que quer. Sim, temos o Petrovic, mas vai tirar o lugar a quem? O Spalvis lesionou-se, para seis meses e não deu para perceber o que poderia fazer; e há o Alan Ruiz. Mas é ele que vai fazer a diferença? Tem bons pés mas falta-lhe perder quilos, ganhar mobilidade e, ao que já se ouve, ganhar também algum juízo fora de campo. Mas não é seguramente ele que colmatará a ausência de um ponta de lança na primeira jornada.

Dito isto, vamos ao terceiro ponto: os que estão mas que gostavam de estar noutro sítio. Slimani, depois da espetacular época que fez em 2015/2016, quer sair. Já foi travado uma vez, mas vai ser contraproducente evitar agora a sua saída. É essa a expectativa dele, é isso que ele quer, é isso que o seu agente insiste que aconteça – e o episódio de ter faltado ao treino de segunda-feira é sintomático do que lhe vai na cabeça. Vai fazer tudo para sair e se ficar vai render muito menos do que na época passada, até o deixarem sair por bem menos do que ele vale agora.

João Mário é outro caso. Fez uma época notável e um bom Euro-2016. Também quer sair e, neste caso, não me parece que a sua partida cause um grande rombo na equipa. Vendam-no rapidamente, antes que tenhamos outro caso Carrillo. Resta, nos casos problemáticos, William Carvalho. Também gostaria de mudar de ares mas até agora não se conhecem propostas firmes e interessantes. Se ficar, temo que aconteça o que se verificou no ano passado, em que até lhe aumentarem o ordenado, esteve sempre em sub-rendimento.

Finalmente, Adrien e Rui Patrício aceitariam seguramente uma proposta choruda. Mas se não aparecer não me parece que causem problemas. Darão seguramente o seu melhor e serão um exemplo para os outros.

Tudo somado, é evidente que começamos esta época com expectativas mais negativas que em 2015/16. O Benfica fez uma excelente pré-época (ao contrário da época passada) e tem uma ala esquerda temível, para além de manter um enorme poder de fogo com Mitroglou e Jonas. O FC Porto reforçou-se a sério e não há ninguém, da estrutura à massa associativa, que admita passar mais um ano sem ganhar.

A Liga vai ser, pois, renhidíssima. E o Sporting parece ser o menos bem preparado neste arranque. Pode ser, contudo, que se verifique o que aconteceu com o Benfica no ano passado: começar mal e acabar campeão. Já se viram coisas mais extraordinárias. E, como se sabe, a bola é redonda, são onze de cada lado e Jesus é o melhor treinador português. Vamo-nos então a eles que nem uns “Tarzões”, como dizia o saudoso Eduardo Cabrita.