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Marco Grieco

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Diretor de Arte

FC Porto: se possível, o impossível

Marco Grieco

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27 de maio de 1987. Inverosímil. O calcanhar mágico de Madjer dá o primeiro título máximo europeu ao Futebol Clube do Porto e reforça a verve vencedora da equipa, contra o colosso europeu de Munique onde alinhavam, entre outros, Pfaff, Brehme, Matthäus e Rummenigge...

26 de maio de 2004. Inacreditável. Capitaneados por José Mourinho, os 11 guerreiros das Antas atropelam a equipa do principado monegasco para trazer a Liga dos Campeões para Portugal, uma vez mais. Vítor Baía, Jorge Costa, Deco e o eterno Ricardo Carvalho eram alguns dos titulares daquela equipa de sonho, mas ninguém acreditava que Ronaldo, Zidane e Raúl – os galácticos do Real Madrid, então batidos nos quartos-de-final pelo insosso Mónaco – não fossem campeões...

11 de maio de 2013. Improvável. Os dragões vencem o Benfica por 2-1 e dão a volta a um campeonato que já parecia perdido, reforçando a maldição dos 92 minutos e pondo Jesus de joelhos. O pequeno Kelvin, ahhh… o pequeno Kelvin! Depois daquele impensável, inimaginável, incomparável, inestimável, insofismável golo, o nosso pequeno soldado mereceu mesmo uma estátua no museu do clube – de cartão, é verdade, eterna enquanto durar, antes de ir para a reciclagem… Ecoponto azul, já agora.

15 de abril de 2015. Impensável. Dois de Quaresma, um de Jackson Martínez. E o desacreditado Futebol Clube do Porto derruba – mesmo que por breves instantes, sete dias se tanto – novamente o Bayern, um dos maiores, com Guardiola e tudo, e faz sonhar um Estádio do Dragão rouco de tanto gritar. Eu sei. Eu vi. Eu estava lá. A gritar, rouco… Apesar de Lopetegui.

Tudo isso para dizer que nenhuma equipa em Portugal encarna melhor o espírito do pequeno David como o Futebol Clube do Porto. Contra tudo e contra todos, desde 1893. Munido da sua pequena funda e meia dúzia de pedras lisas, teve sempre de derrubar um e outro Golias da capital para se afirmar. Já adulto, mas ainda franzino, teve de provar o seu destemido valor pelo continente fora, contra gigantes filisteus ainda mais fortes e assustadores que os bravos de Lisboa.

Entretanto, as últimas épocas afastaram o Porto do topo, dos títulos, de mim. As escassas conquistas, as apostas falhadas – dentro e fora de campo – e inúmeras promessas por cumprir turvaram as águas para os lados dos azuis e brancos. Por já se achar gigante, o Futebol Clube do Porto encolheu. De David astuto e matreiro, acabou por tornar-se um Golias anão, desapaixonado e pouco apaixonante.

Andamos a vender poucos jogadores porque contratamos mal ou contratamos mal porque andamos a vender pouco? Essa equação não interessa. As únicas contas que contam são as que separam os campeões dos meros contendores. O futebol deve ser mais simples do que a matemática que enche os bolsos dos dirigentes, agentes, atletas – e de alguns adeptos profissionais – de dinheiro. Limpo. Sujo. Não interessa que haja problemas de balneário. Não interessa que o ambiente entre as forças comandantes do clube esteja de cortar à faca. O adepto quer golos, quer espetáculo, quer títulos.

Este ano, a acreditar nos jogos da pré-época, prevejo que vai ser preciso mais do que o voluntarioso Espírito Santo do treinador para voltar a levantar a taça. Qualquer taça que seja. A jogada de marketing chamada Casillas parece-me absurda quando temos José Sá. Chidozie e Marcano não chegam para voos mais altos. Os incontáveis médios, supostamente talentosos mas de prestações inconstantes já irritam. Maxi Pereira e Layún até podem não dececionar… Mas, e o que dizer do ataque!? Só se for de nervos…

Uma vez mais, eu só peço o impossível.