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Grandes jogos

O Expresso tem um novo site de desporto - chama-se Tribuna ( tribuna.expresso.pt). Pedro Santos Guerreiro, diretor do Expresso, explica: “Escreveremos sobretudo sobre futebol mas também sobre os play-offs da NBA, uma final de ténis, medalhas olímpicas ou uma corrida determinante de Fórmula Um. Não vamos a todas, vamos com tudo”

Pedro Santos Guerreiro

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Somos sãos a praticar desporto e doentes a vê-lo. Perdemos estribeiras, dizemos asneiras, saltamos das cadeiras e ganhamos vidas inteiras de histórias, de glórias, de memórias poderosas como as olfativas, que num aroma de arroz de berbigão nos fazem voltar à infância. O calcanhar do Madjer ou o estoiro de fora da área contra a Alemanha do Carlos Manuel são emoções presentes em nós do passado que vimos ser feito de feitos.

Ver um jogo sem emoção é abdicar de participar nele, é como alimentar o corpo com comprimidos, ver o mar sem molhar o corpo ou redefinir a reprodução da espécie sem sexo. É poder estar vivo mas não é bem viver. Em cada jogo que outros jogam, nós jogamos com eles porque nos permitimos a esplêndida fantasia de que jogam não apenas por eles mas por nós. O golo do Éder que nos tornou campeões europeus foi por nós, por cada um de nós. Assim o sentimos. Ainda bem.

E isto quer dizer também que entre a análise fria à técnica, à tática, à preparação, à disposição, à geometria basculante de jogadores nos campos, e a análise quente ao maravilhamento de uma vitória, aos choros dos lesionados e aos gritos dos vitoriosos, há um lugar onde não somos cinza nem somos fosforescência. Esse é o lugar desta Tribuna. Entre, leia, faça parte.

A Tribuna (tribuna.expresso.pt) tem a identidade do jornal Expresso e da SIC Notícias, que hoje a lançam, num serviço noticioso desportivo que ensaiámos com larga adesão de leitores durante o Euro 2016. Não faremos a cobertura integral da atualidade desportiva, dedicaremos toda a atenção e intenção aos grandes jogos e aos grandes acontecimentos desportivos. Escreveremos com estilo próprio, aceitando que muitas vezes a emoção antes, durante ou depois de um jogo faz parte dos factos desse jogo, porque não lhe é neutra nem sequer exterior. Mas sabendo que o conhecimento e a inteligência são a trama que sustenta a tapeçaria.

Escreveremos sobretudo sobre futebol – os grandes jogos da Liga Portuguesa, da Seleção, as competições europeias e as suas principais ligas nacionais – mas também sobre os play-offs da NBA, uma final de ténis, medalhas olímpicas ou uma corrida determinante de Fórmula Um. Não vamos a todas, vamos com tudo. E aqui poderá, pois, ler textos com “personalidade”, como diria Cristiano Ronaldo. A personalidade de uma equipa de jornalistas que sabe de desporto, que ama desporto e ama jornalismo, que não fenece com derrotas nem se deslumbra com vitórias, que conhece os negócios do desporto e quem os faz, que cumpre a função de informar e assume que informar não é relatar – é saber, é trabalhar a informação, é publicar factos e notícias que deixem o leitor mais bem informado – e preparado.

O que há num jogo? Um contra um. Onze contra onze. Todos contra todos. Feijões. Campeões. Tudo ou nada. É isso: ou há tudo em jogo desde o início ou o jogo é para nada até ao fim. Há quem goste de ver futebol junto à relva, para ter a visão do treinador. Há quem prefira o topo do estádio, para ter a visão do estádio. Há quem opte pela televisão, para ver repetições. Nós veremos o pormenor dos atletas, o geral dos estádios e os ângulos das câmaras. Nós vemos da Tribuna. Mostramos da Tribuna. E convidamo-lo para a Tribuna. Esta Tribuna, que ora se anuncia e apresenta. Os grandes jogos começam hoje.