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Marco Grieco

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Diretor de Arte

FC Porto: já fomos todos romanos

Marco Grieco

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Contam os livros que, ainda antes de Cristo, Portus Cale já era uma bela cidade à beira Douro, parte da Galécia romana. Conquistada então pela campanha ibérica do general Décimo Júnio Bruto Galaico, a antiga cidade que viria a dar origem ao atual Porto passou quase três séculos integrada no maior império da antiguidade clássica e um dos maiores de sempre.

Nos milénios seguintes, chegaram suevos, visigodos, árabes…

E os franceses de Soult, depois expulsos pelos ingleses de Wellesley…

E os franceses cá da terra, que enchem autoestradas a cada mês de agosto...

História e histórias à parte, o que o onze de Nuno Espírito Santo tenta a partir de hoje é entrar noutro império: o clube dos ricos do futebol europeu. Sem poder dar-se ao luxo de não participar na Liga dos Campeões, o Futebol Clube do Porto joga em casa, a partir das 19h45, os primeiros 90 minutos de uma verdadeira guerra contra a Associazione Sportiva Roma, que só decidirá vencedores e vencidos depois da segunda batalha, a 23 de agosto, no Estádio Olímpico da capital italiana.

E se as pretensões do plantel atual não devem almejar mais do que a passagem da fase de grupos – ou a mais segura e acessível queda para a etapa seguinte da Liga Europa –, a verdade é que os tais cifrões da liga milionária fazem muita falta aos cofres de um FCP repleto de dívidas e deserto de títulos.

Mesmo que a seguir a equipa não vença um jogo sequer, engorda os cofres em cerca de 15 milhões de euros. Milhões que não devem fazer assim tanta falta ao clube romano, desde 2011 propriedade de um grupo de milionários norte-americanos...

Mas se nestas contas o défice é nosso, a comparar o palmarés das duas equipas a Roma fica a milhas de distância das conquistas do Futebol Clube do Porto, provando uma vez mais que a abundância do vil metal nem sempre se traduz em felicidade. Se por cá andamos a ver a festa vermelha há longos três anos, a Roma não merece um scudetto desde a longínqua temporada de 2000/2001 e uma Copa de Itália desde 2007/2008.

Portanto, se queremos continuar a ser recordistas em participações na Liga dos Campeões, a par de outras três equipas não menos sonantes – Barcelona, Real Madrid e Manchester United – basta neutralizar o velhinho Totti e o “faraó” El Shaarawy, bloquear o “ninja” Radja Nainggolan e transpor a baliza do polaco Szczesny – que durante o Euro-2016 fez questão de dizer que “Portugal não era só Ronaldo”. Se calhar já tinha ouvido falar do nosso André Silva…

Para a semana, que o cortejo à eterna Roma – de quem já fomos e que por isso também já foi nossa –, não sirva apenas para visitar o Papa.

Esqueçamos que Calígula e Nero já mandaram em nós...

Que o Dragão seja forte contra a Loba Capitolina.